Nova diretriz muda tratamento da obesidade e foca no risco cardíaco Ouvir 19 de setembro de 2025 A obesidade, mais do que um fator de risco, é uma doença diretamente ligada ao desenvolvimento de complicações metabólicas e cardiovasculares. Reconhecendo essa realidade, cinco sociedades médicas brasileiras lançaram nesta sexta-feira (19/9) a primeira diretriz nacional voltada ao tratamento da obesidade e à prevenção de doenças do coração. Idealizado pela Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), o documento foi desenvolvido em parceria com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e a Academia Brasileira do Sono (ABS). Avaliação além do peso A principal mudança está no deslocamento do foco exclusivo no índice de massa corporal (IMC). Agora, a indicação de tratamento deve se basear no risco cardiovascular real de cada paciente, avaliado com ferramentas clínicas como o escore PREVENT. Segundo Marcello Bertoluci, endocrinologista e coordenador da diretriz, a proposta permite personalizar a conduta. “É possível ter um paciente com obesidade avançada e risco cardiovascular relativamente baixo, enquanto outro, apenas com sobrepeso, pode já apresentar alto risco. A avaliação clínica ajuda a diferenciar esses perfis e indicar a melhor abordagem”, explica. Leia também Saúde Obesidade infantil cresce no Brasil e já afeta 1 em cada 3 jovens Mundo OMS inclui novas medicações contra obesidade na lista de essenciais Saúde Conitec analisa a distribuição de Wegovy pelo SUS contra a obesidade Saúde Obesidade: nova diretriz autoriza tratamento para IMC abaixo de 30 Com essa mudança, pacientes entre 30 e 70 anos com sobrepeso ou obesidade passam a ser avaliados e divididos em grupos de risco — baixo, moderado ou alto — para eventos como infarto, AVC e insuficiência cardíaca. Essa forma de classificação, chamada de estratificação de risco, orienta o tipo e a intensidade do tratamento mais adequado para cada caso. Metas e novas terapias O documento também estabelece metas claras de perda de peso. Uma redução de 5% já traz benefícios metabólicos, como melhora da pressão arterial e do perfil lipídico. Para pessoas com risco moderado ou alto, a recomendação é buscar até 10% de perda, o que reduz a chance de eventos cardiovasculares em longo prazo. Outra novidade é a incorporação de terapias farmacológicas mais recentes. Estudos como o SELECT mostraram que a semaglutida, um análogo do GLP-1, reduziu em 20% a ocorrência de eventos cardiovasculares maiores em pessoas com sobrepeso ou obesidade. A tirzepatida, por sua vez, tem apresentado resultados consistentes na perda de peso e no manejo de insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada. Para a endocrinologista Cynthia Valério, uma das autoras, a diretriz representa um avanço importante. “Todo paciente com sobrepeso ou obesidade deve ter o risco cardiovascular avaliado, e a escolha do tratamento precisa estar ligada a esse risco. Essa mudança permite uma abordagem mais precoce e assertiva”, afirma. Prevenção precoce Outro ponto central é a atenção primária, onde a maior parte dos pacientes com obesidade é atendida antes de apresentar complicações. “Prevenção primária é onde está o maior impacto clínico e econômico, porque impede o primeiro evento cardiovascular e reduz drasticamente o custo social da obesidade não tratada”, reforça Bertoluci. O lançamento da diretriz acontece em um momento em que o excesso de peso já atinge 68% dos adultos no Brasil, e 31% vivem com obesidade. Só em 2021, mais de 60 mil mortes prematuras no país foram atribuídas ao problema. Os números reforçam a urgência de integrar a obesidade às estratégias de prevenção de doenças crônicas e de garantir condutas cada vez mais individualizadas. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
Notícias Bebê nasce saudável 11 semanas após mãe sofrer morte cerebral. Entenda 29 de agosto de 2023 Uma mulher de 31 anos, que teve morte cerebral na 22ª semana de gestação, deu à luz um bebê saudável nos Estados Unidos. O caso inusitado foi divulgado por médicos da Universidade da Flórida no último sábado (26/8) na revista científica Cureus. A morte encefálica é caracterizada pela perda completa… Read More
Notícias Fiocruz descobre nanopartícula que pode combater o câncer de mama 10 de julho de 2025 Pesquisadores da Fiocruz identificaram que uma nanopartícula do óxido de ferro é capaz de reduzir o avanço do câncer de mama. Em testes com animais, o composto impediu a multiplicação de células tumorais e ajudou a evitar que o câncer se espalhasse para o tecido saudável. Os resultados da investigação… Read More
Notícias Saquinhos de chá podem liberar bilhões de microplásticos no corpo 29 de dezembro de 2024 Microplásticos já foram encontrados no sangue, leite materno e até na placenta humana. Agora, uma nova pesquisa da Universidade Autônoma de Barcelona (UAB), publicada na revista Chemosphere, revela que saquinhos de chá são fontes preocupantes desses poluentes. O estudo identificou que apenas um único saquinho de chá é capaz de… Read More