1º transplante com terapia inovadora para diabetes é realizado nos EUA Ouvir 5 de setembro de 2025 Em um marco histórico para o tratamento da diabetes tipo 1, médicos de UI Health, da Universidade de Illinois Chicago, realizaram o primeiro transplante de células de ilhotas pancreáticas com Lantidra, única terapia aprovada pela agência Food and Drug Administration (FDA) para casos de diabetes tipo 1 frágil. Ao contrário do transplante de pâncreas, a terapia com Lantidra é minimamente invasiva, dispensando cirurgia aberta e reduzindo o tempo de internação. A técnica consiste na infusão de células de um doador falecido no fígado do paciente receptor, com o objetivo de restaurar a produção de insulina. O paciente, Edward Augustin III, de 69 anos, recebeu alta em 24 horas. Ele conseguiu interromper as injeções diárias de insulina apenas uma semana após o procedimento. O homem havia sido diagnosticado ainda na infância e sofria há anos de hipoglicemia grave com falta de percepção dos baixos níveis de açúcar no sangue. Embora outros pacientes tenham sido submetidos à técnica durante os estudos clínicos da equipe do UI Health, essa é a primeira vez que o tratamento com Lantidra é feito fora do contexto experimental, como um procedimento médico aprovado pela FDA. “Em ensaios clínicos anteriores, 70% dos pacientes que receberam Lantidra não precisaram mais de insulina um ano após o transplante de ilhotas e mais de 90% não apresentaram mais hipoglicemia”, disse Enrico Benedetti, chefe de cirurgia no UI Health e responsável pelo primeiro transplante de ilhotas com Lantidra, em um comunicado à imprensa. Augustin havia passado por dois transplantes de ilhotas em contexto experimental em 2011 e ficou livre da insulina por 12 anos, até retomar o tratamento convencional em 2023. Além de controlar a glicemia, os médicos responsáveis pelo transplante, enxergam potencial na terapia para prevenir complicações associadas à diabetes tipo 1, como lesões renais, especialmente com uso precoce do tratamento. O que é diabetes tipo 1? A diabetes mellitus tipo 1 (DM1) é uma doença crônica não transmissível, hereditária, caracterizada pela deficiência de insulina no organismo. O pico de incidência da DM1 ocorre em crianças e adolescentes com idades entre 10 e 14 anos, mas também pode acometer adultos de qualquer idade. No Brasil, estima-se que ocorram 25,6 casos por 100 mil habitantes a cada ano, sendo considerada uma incidência elevada. O tratamento exige o uso diário de insulina para regular os níveis de glicose no sangue, evitando complicações da doença. Mesmo assim, desafios logísticos e regulatórios ainda persistem. A escassez de pâncreas doados e a necessidade de imunossupressão contínua são barreiras relevantes, além do fato de que, nos EUA, a histologia é tratada como terapêutica biológica e não como transplante de órgão — o que impõe exigências rigorosas de licenciamento. Segundo dados nacionais, cerca de 1,4 milhão de americanos têm diabetes tipo 1, sendo aproximadamente 80 mil portadores da forma “frágil”, caracterizada por hipoglicemia recorrente e sem percepção. A conquista do UI Health representa um avanço significativo para pacientes com formas graves de diabetes tipo 1, oferecendo não só esperança de independência da insulina, mas um verdadeiro alívio do peso das oscilações glicêmicas contínuas. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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