A tríade nutrição, esporte e microbiota Ouvir 22 de agosto de 202323 de agosto de 2023 A microbiota intestinal humana é atualmente o foco de interesse convergente em muitas doenças e desempenho físico. O sequenciamento maciço de espécimes da microbiota nos últimos anos, análises de bioinformática e mais recente o desenvolvimento de métodos para quantificar diferentes metabólicos microbianos possibilitou a realização de estudos populacionais em humanos. Dessa forma, permitindo a descoberta de suas implicações no desempenho esportivo [1]. Em relação aos nutrientes, existem vários relatos sobre seus efeitos e padrões de dieta na microbiota intestinal. Contudo, o impacto do exercício físico associado a um padrão de dieta ou tipo de treinamento na microbiota intestinal vem sendo compreendido [1]. Modulação da microbiota intestinal pela atividade física e eixo-intestino músculo A pesquisa nesse campo está se expandindo ultimamente (Figura 1). Os achados apontam que a microbiota de atletas/pessoas ativas é diferente de outras populações e apresentam alta diversidade microbiana. In 2014, Clarke et al. foram os primeiros a demonstrar maior abundância da microbiota intestinal em atletas de elite de rugby comparada aos controles correspondentes. A abundância do filo Bacterioidetes estava diminuída, enquanto o gênero Akkermansia encontrava-se aumentado nos atletas com baixo IMC (< 25 kg/m2) comparado aos de IMC mais alto (> 28 kg/m2) [2]. Em 2019, Scheiman et al. observaram que a abundância relativa de Veillonella estava aumentada após uma maratona. A inoculação da variedade Veillonella atypica de amostras de fezes desses atletas em camundongos, significativamente aumentou o tempo de exaustão em esteira dos animais inoculados [3]. Figura 1. Principais revisões sobre microbiota intestinal associadas ao esporte [1] Já O`Donavan et al. utilizando sequenciamento de metagenômica Shotgun relataram maior abundância de Bifidobacterium animalis, Lactobacillus acidophilus, Prevotella intermedia e F. Prausnitzii em atletas com componentes dinâmicos altos (altos VO2 máximo), e maior quantidade de Bacteroides caccae em atletas com ambos componentes, dinâmicos e estáticos (relacionado ao componente de contração voluntária máxima) [4]. Nesse sentido, muitos estudos em modelos animais com dietas controladas também mostram que a atividade física pode modificar a composição da microbiota intestinal, particularmente em sua diversidade e abundância. Contudo, a microbiota responde de maneiras diferentes às modalidades de exercício. Poucos estudos correlacionaram a hipoatividade física em relação à diversidade da microbiota, estudo observacional transversal avaliou mulheres na menopausa que praticavam atividade física ou não, em relação à composição da microbiota intestinal (sequenciamento da microbiota intestinal 16S). Os achados sugeriram correlação inversa entre os parâmetros de sedentarismo avaliados e o número de espécies de bactérias da microbiota [5]. Estudos apontam que a microbiota intestinal também pode estar correlaciona a manutenção da massa magra em disfunções severas, como caquexia. Fomentando o interesse para novas pesquisas relacionados à microbiota intestinal e músculo esquelético. Nay e cols demonstraram em modelo in vivo que a depleção da microbiota intestinal pelo uso de antibióticos afeta a resistência muscular contrátil intrínseca associada à disfunção da homeostase da glicose. Os efeitos deletérios foram normalizados com a ressemeadura da microbiota natural [6]. Modulação da microbiota intestinal pelo exercício e nutrição para saúde e/ou performance A modulação da microbiota intestinal parece alvo apropriado para intervenções nutricionais e/ou de atividade física a fim da melhora da saúde e/ou performance. Contudo, apesar de ambas as intervenções serem aceitas para modulação da microbiota, existem poucos estudos que relatam a combinação de dieta e atividade física, exceto para estudos que avaliaram o consumo de probióticos associados às práticas esportivas de alto nível [1,7]. A suplementação de probióticos pode ter influência direta ou indireta na melhora de parâmetros físicos e modificação da microbiota intestinal. Por exemplo, a ingestão de Lactobacillus plantarum (PS128) por 4 semanas foi associada à diminuição da concentração de marcadores de dano muscular e estresse oxidativo, após meia maratona em corredores recreacionais sem alterações na capacidade de exercício [7]. Em adição, é conhecido que a suplementação de vitamina C, D e E pode alterar a microbiota pelo aumento das concentrações de espécies benéficas como Bifidobacterium e Lactobacillus. Contudo, esse efeito depende do nível do consumo de vitaminas do hospedeiro, é importante salientar que estudos clínicos são necessários a fim de evitar efeitos adversos devido ao seu consumo excessivo [8]. Uma investigação a respeito da combinação de exercício físico (HIIT- treino intervalado de alta intensidade) e a suplementação de ácidos graxos poli-insaturados ômega-3 (adição de óleo de linhaça) durante 12 semanas (modelo de obesidade em roedores) demostrou diminuição da massa de gordura corporal, aumento da abundância relativa de Oscillospira na microbiota intestinal. A quantidade de Oscillospira é negativamente correlacionada ao ganho de peso e gordura corporal [9] Estudo semelhante, avaliou a combinação de exercício físico (HIIT) e extrato rico em polifenóis também durante 12 semanas e utilizando o mesmo modelo animal. Os autores relataram modulação da microbiota intestinal, com aumento da abundância relativa de Anaeroplasmaceae, Christensenellaceae e Oscillospira e melhora do controle glicêmico comparado ao controle [10]. Dessa forma, hoje não há dúvida de que a descoberta da comunidade da microbiota intestinal abriu um campo de pesquisa promissor e em rápido crescimento sobre os efeitos potenciais benéficos à saúde em relação a manipulação da microbiota. Estudos referentes a sua manipulação através do esporte e nutrição têm ganhado cada vez mais atenção a fim do melhor entendimento da tríade nutrição, esporte e microbiota intestinal [1]. Referências [1] Boisseau N, Barnich N, Koechlin-Ramonatxo C. The Nutrition-Microbiota-Physical Activity Triad: An Inspiring New Concept for Health and Sports Performance. Nutrients 2022;14. https://doi.org/10.3390/nu14050924. [2] Clarke SF, Murphy EF, O’Sullivan O, Lucey AJ, Humphreys M, Hogan A, et al. Exercise and associated dietary extremes impact on gut microbial diversity. Gut 2014;63:1913–20. https://doi.org/10.1136/gutjnl-2013-306541. [3] Scheiman J, Luber JM, Chavkin TA, MacDonald T, Tung A, Pham LD, et al. Meta-omics analysis of elite athletes identifies a performance-enhancing microbe that functions via lactate metabolism. Nat Med 2019;25:1104–9. https://doi.org/10.1038/s41591-019-0485-4. [4] O’Donovan CM, Madigan SM, Garcia-Perez I, Rankin A, O’ Sullivan O, Cotter PD. Distinct microbiome composition and metabolome exists across subgroups of elite Irish athletes. J Sci Med Sport 2020;23:63–8. https://doi.org/10.1016/j.jsams.2019.08.290. [5] Bressa C, Bailén-Andrino M, Pérez-Santiago J, González-Soltero R, Pérez M, Montalvo-Lominchar MG, et al. Differences in gut microbiota profile between women with active lifestyle and sedentary women. PLoS One 2017;12. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0171352. [6] Nay K, Jollet M, Goustard B, Baati N, Vernus B, Pontones M, et al. Gut bacteria are critical for optimal muscle function: a potential link with glucose homeostasis. Am J Physiol Endocrinol Metab 2019;317:158–71. https://doi.org/10.1152/ajpendo. [7] Fu SK, Tseng WC, Tseng KW, Lai CC, Tsai YC, Tai HL, et al. Effect of daily oral lactobacillus plantarum ps128 on exercise capacity recovery after a half-marathon. Nutrients 2021;13. https://doi.org/10.3390/nu13114023. [8] Yang Q, Liang Q, Balakrishnan B, Belobrajdic DP, Feng QJ, Zhang W. Role of dietary nutrients in the modulation of gut microbiota: A narrative review. Nutrients 2020;12. https://doi.org/10.3390/nu12020381. [9] Plissonneau C, Capel F, Chassaing B, Dupuit M, Maillard F, Wawrzyniak I, et al. High-intensity interval training and α-linolenic acid supplementation improve dha conversion and increase the abundance of gut mucosa-associated oscillospira bacteria. Nutrients 2021;13:1–21. https://doi.org/10.3390/nu13030788. [10] Dupuit M, Chavanelle V, Chassaing B, Perriere F, Etienne M, Plissonneau C, et al. The totum-63 supplement and high-intensity interval training combination limits weight gain, improves glycemic control, and influences the composition of gut mucosa-associated bacteria in rats on a high fat diet. Nutrients 2021;13. https://doi.org/10.3390/nu13051569. O post A tríade nutrição, esporte e microbiota apareceu primeiro em Blog Nutrify. Nutrição
Nutrição Dieta e Potencial Imunomodulador 21 de setembro de 2023 A evolução do sistema imune, dieta e microbioma estão interligados. O excesso de alimentação, bem como a desnutrição têm efeito substancial em respostas inflamatórias e no sistema imune. Em países mais desenvolvidos, dietas ricas em alimentos processados, gordura e açúcar podem contribuir para condições inflamatórias, que estão aumentando em todo… Read More
Nutrição +Proteicas – CREME BRULÉ SUPER COFFEE 10 de agosto de 2024 A proteína, o sabor e a energia do SuperCoffee de uma forma que você nunca experimentou! Anote todos os ingredientes para você reproduzir o Creme Brulé de uma maneira diferente e saudável: Ingredientes: 4 gemas 2 colheres de sopa de adoçante culinário 300ml de creme de leite fresco 50ml… Read More
Quem era a jovem de 20 anos que morreu atropelada por motorista embriagada em SP 29 de outubro de 2024 Vitória do Prado, de 20 anos, morreu após ser atropelada por uma motorista embriagada na tarde desse domingo (27), em Novo Horizonte, no interior de São Paulo. A jovem foi atingida enquanto atravessava a rua Plácido Peres. A Secretaria de Segurança Pública (SSP) de SP informou que a condutora, de… Read More