Microplásticos encontrados em cérebro humano estão ligados à demência Ouvir 4 de março de 2025 Uma pesquisa publicada na revista Nature Medicine, em fevereiro, revela que o tecido cerebral humano contém quantidades significativas de microplásticos e nanoplásticos (MNPs), com concentrações ainda maiores em indivíduos diagnosticados com demência. O estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade do Novo México, nos Estados Unidos, aponta que o acúmulo dessas partículas pode ter implicações preocupantes para a saúde neurológica. De acordo com os cientistas, os cérebros analisados apresentavam, em média, o equivalente a uma colher de chá de microplásticos. Em indivíduos com demência, os níveis eram de três a cinco vezes maiores. Além disso, a concentração de MNPs no cérebro foi de sete a 30 vezes superior à encontrada em outros órgãos, como fígado e rins. Outro dado alarmante é o aumento expressivo dessas partículas no tecido cerebral ao longo dos últimos anos. “O aumento dramático nas concentrações de microplástico cerebral de 2016 a 2024 é particularmente preocupante”, alerta o cientista Nicholas Fabiano, do Departamento de Psiquiatria da Universidade de Ottawa. Embora não tenha participado do estudo, ele comentou sobre o artigo na revista Brain Medicine. Leia também Saúde Estudo analisa 280 garrafas de água e só uma não tinha microplásticos Saúde Microplásticos podem bloquear fluxo sanguíneo cerebral, mostra estudo Saúde Saquinhos de chá podem liberar bilhões de microplásticos no corpo Saúde Microplásticos absorvidos pelo feto continuam no corpo após nascimento Como os microplásticos afetam o cérebro? Os cientistas alertam que partículas de microplástico menores que 200 nanômetros, principalmente de polietileno, conseguem ultrapassar a barreira de proteção do cérebro e se acumular nas paredes dos vasos sanguíneos e em células do sistema imunológico. Isso levanta preocupações sobre como essa exposição pode influenciar o desenvolvimento de doenças neurológicas, como a demência. Como reduzir a exposição aos microplásticos? O comentário publicado na Brain Medicine sugere medidas práticas para minimizar a ingestão de microplásticos. Um dos principais conselhos é substituir a água engarrafada pela filtrada da torneira. “A água engarrafada pode expor as pessoas a quase tantas partículas de microplástico anualmente quanto todas as fontes ingeridas e inaladas combinadas”, explica Brandon Luu, da Universidade de Toronto. Seguindo essa orientação, a ingestão anual de microplásticos pode ser reduzida de 90 mil para cerca de 4 mil partículas. Outras fontes de contaminação comuns são os saquinhos de chá feitos de plástico, que liberam milhões de partículas micro e nanométricas durante o preparo, e o aquecimento de alimentos em recipientes plásticos, especialmente no micro-ondas. “Evitar o armazenamento de alimentos em plástico e optar por alternativas como vidro ou aço inoxidável é um passo simples, mas significativo, para reduzir a exposição”, acrescenta Luu. 3 imagens Fechar modal. 1 de 3 Microplásticos estão presentes em diversas atividades cotidianas dos seres humanos. Getty Images 2 de 3 Microplásticos se concentram no organismo e dificilmente são eliminados Getty Images 3 de 3 Os microplásticos estão presentes por toda parte, inclusive no interior do corpo humano Getty Images O futuro das pesquisas Os especialistas ressaltam que ainda são necessários mais estudos para determinar se a redução da ingestão de microplásticos resulta em menor acúmulo no organismo humano. Além disso, pesquisas estão explorando possíveis formas de eliminá-los, como pela transpiração. “Precisamos entender melhor os efeitos dos microplásticos antes que seja tarde demais. Essa pode ser uma das maiores ameaças ambientais que a maioria das pessoas ainda não percebeu”, alerta o médico David Puder, do podcast Psychiatry & Psychotherapy. O estudo reforça a necessidade de definir limites seguros de exposição e entender os impactos de longo prazo para a saúde. Enquanto isso, pequenas mudanças no dia a dia já podem ajudar a reduzir os riscos. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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