Os micróbios escondidos em nossas escovas de dentes Ouvir 11 de março de 2025 *O artigo foi escrito pelo professor de Microbiologia Raúl Rivas Gonzáles, da Universidade de Salamanca, na Espanha, e publicado na plataforma The Conversation Brasil. Quanto você estaria disposto a pagar por uma escova de dentes? Por incrível que pareça, há alguns anos a marca Reinast lançou uma opção manual com design inovador e feita de titânio, que custava cerca de US$ 4 mil (algo como R$ 23 mil). Nada a ver, é claro, com as escovas de dentes rudimentares feitas de eucalipto e ramos de oliveira que os babilônios fabricavam em 3.500 a.C., já preocupados com a saúde de suas bocas. O modelo de cerdas que usamos hoje foi, provavelmente, inventado na China durante a Dinastia Tang (618-907). As cerdas eram, na verdade, pelos duros e ásperos retirados da nuca de um porco e presos a cabos feitos de osso ou bambu. O uso de pelo de javali foi adotado até 1938, quando a multinacional Dupont de Nemours introduziu as cerdas de nylon, que não só eram mais flexíveis e resistentes, limpavam melhor, secavam mais rápido e sofriam menos contaminação bacteriana. A escova de dentes média atual contém cerca de 2,5 mil cerdas feitas de fibras sintéticas. Abaixe a tampa do vaso sanitário Escovar os dentes é extremamente benéfico: reduz o acúmulo de placa bacteriana e mantém a cavidade oral saudável, prevenindo condições como cáries dentárias, doenças periodontais, lesões endodônticas, alveolite ou halitose. Mas, e se a própria escova estiver contaminada? Afinal, estamos falando de um ambiente particularmente predisposto a hospedar microrganismos, pois entra em contato com a boca e a água diariamente. Na verdade, as escovas de dentes usadas abrigam comunidades microbianas mistas, que vêm tanto de seres humanos quanto de todo o resto ao redor de onde são armazenadas – que, geralmente, é o banheiro, lugar, sem dúvida, cheio de germes. Uma escova de dentes contaminada pode reter e transmitir microrganismos patogênicos dos gêneros Streptococcus, Staphylococcus, Pseudomonas, Poryphromonas, Parvimonas, Candida, Lactobacillus, Klebsiella, Fusobacterium, Clostridium, Escherichia e Enterococcus. E isso pode ser prejudicial à saúde bucal e sistêmica por causar cáries, gengivite e até endocardite infecciosa. O que é um paradoxo, já que as escovas de dentes foram criadas para manter a boca limpa e livre de germes. Elas também podem ser contaminadas, principalmente, pela má higiene bucal, pelo uso com as mãos sujas ou pela escolha de um local de armazenamento inadequado. A presença de enterobactérias e coliformes fecais em escovas dentárias está associada ao contato com aerossóis gerados durante a descarga do vaso sanitário. Por esse motivo, é sempre uma boa ideia manter a tampa do vaso sanitário abaixada. Não se deve compartilhar escovas de dentes Uma escova de dentes limpa também pode ser contaminada pelo contato direto com outras de membros da família, residência, colegas de trabalho, ou por colocá-la em recipientes geralmente úmidos na pia ou nos armários do banheiro. Além disso, a escovação dentária sem supervisão em creches, jardins de infância e outras instalações que abrigam crianças pequenas, onde as escovas de dentes podem ser compartilhadas ou trocadas involuntariamente, é considerada uma fonte potencial de transmissão de micróbios entre crianças. Em geral, não é uma boa ideia compartilhar este instrumento de higiene oral porque ele pode ser, por exemplo, uma via de transmissão não convencional da hepatite C ou do herpes simples. Substitua as escovas a cada 3 meses Mais de 800 tipos de microrganismos, incluindo fungos, vírus, arqueas, protozoários e bactérias, colonizam a cavidade oral humana. Embora haja sobreposição considerável em espécies detectadas em todas as partes da cavidade oral, como certas espécies de Streptococcus, Gemella, Granulicatella, Neisseria e Prevotella, geralmente há especificidades locais. Por exemplo, as espécies de Rothia geralmente colonizam a língua ou as superfícies dos dentes, Simonsiella coloniza apenas o palato duro, Streptococcus salivarius está presente, principalmente, na língua, e treponemas, em geral, são restritos ao sulco subgengival. Todos esses microrganismos podem ficar presos entre as cerdas depois da escovação. Entre as bactérias orais comuns está o Streptococcus mutans, que é um componente comum da microbiota oral e um dos principais constituintes da placa dentária, além de ser a principal causa de cáries. Escovas de dentes gastas são menos eficazes na remoção de placa bacteriana e no controle da gengivite. E mais: diversos estudos sugerem que essas escovas têm maior probabilidade de abrigar Streptococcus mutans. Portanto, é aconselhável substituir as escovas a cada três ou quatro meses, ou com maior frequência se as cerdas estiverem visivelmente deformadas, emaranhadas ou desfiadas. Entretanto, mesmo após uma fase de uso de apenas 24 horas, foi demonstrado que as escovas de dentes estavam amplamente contaminadas com Streptococcus mutans. Enxágue bem a escova e deixe-a secar ao ar Algumas dicas simples para prevenir ou dificultar a contaminação microbiana incluem enxaguar bem as escovas após cada uso para remover qualquer resíduo de pasta de dente e de orgânicos, armazená-las na vertical e deixá-las secar ao ar. Após o uso, guardar uma escova de dentes molhada em um recipiente fechado promove mais o crescimento microbiano do que deixá-la exposta ao ar livre. Para evitar infecções, é claro, a escovação é obrigatória. Mas a higiene bucal não será ótima se não nos preocuparmos em manter nossa escova de dentes ventilada, limpa e descontaminada. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
Queda de cabelo: dermatologista conta quais são os sinais de alerta 18 de dezembro de 2025 A queda de cabelo é uma das queixas mais comuns nos consultórios dermatológicos e, apesar da preocupação que costuma gerar, nem sempre indica um problema de saúde. De acordo com especialistas, perder entre 80 e 120 fios por dia faz parte do ciclo natural de crescimento capilar e ocorre em… Read More
Notícias Comer frutas e vegetais pode reduzir sofrimento mental, mostra estudo 15 de agosto de 2025 O sofrimento psíquico, um dos maiores sintomas de quadros como depressão e ansiedade, pode ser reduzido com uma dieta mais rica em vegetais e frutas. A associação foi revelada em um estudo feito por pesquisadores australianos e publicada na revista International Journal of Environmental Research and Public Health em julho…. Read More
Notícias Edu Guedes: sinais que você não deve ignorar do câncer de pâncreas 7 de julho de 2025 O apresentador Edu Guedes, 51, passou por uma cirurgia de emergência no último sábado (5/7) para retirada de nódulos no pâncreas. O procedimento foi realizado em São Paulo após o marido de Ana Hickmann apresentar complicações de saúde. Pouco antes da internação, ele enfrentou uma infecção decorrente de uma crise… Read More