Lúcia Braga: “Brasília é um polo de neurociência”, diz presidente da Rede Sarah Ouvir 7 de maio de 2025 O Hospital Sarah em Brasília recebe de hoje até sexta-feira (9/5) o 1º Congresso Latino-Americano da Federação Mundial de Neurorreabilitação (WFNR). Um dos principais nomes do evento foi a presidente do Sarah, Lúcia Willadino Braga, que também chefia a programação científica do congresso. Na abertura do evento, ela apresentou alguns casos emblemáticos que foram tratados em Brasília e fizeram a neurociência avançar globalmente. Entre eles, o caso do cantor brasileiro Hebert Vianna. Leia também Saúde De robôs a espiritualidade: médico indica futuro da neurorreabilitação Saúde Hospital Sarah recebe congresso internacional sobre neurorreabilitação Fábia Oliveira Herbert Vianna recebe alta hospitalar após oito dias de internação Celebridades Aos 62 anos, Herbert Vianna é internado com pneumonia no Rio “Brasília é um polo de neurociência e queríamos aproveitar a liderança da cidade neste evento regional que está sendo realizado pela primeira vez”, afirmou a médica em entrevista exclusiva ao Metrópoles após sua conversa com o grande público. Lúcia destacou a importância de sediar o evento, o primeiro de uma regional da WFNR no hemisfério sul. “Brasília é uma referência. Temos estudantes dos Estados Unidos, da Holanda, vindo fazer seu treinamento, sua formação aqui no Sarah. Um evento como este é uma oportunidade de a gente continuar sendo ponta na neurociência. Nós temos este espaço e poder trazer o mundo para cá, representando a América Latina, é uma oportunidade. Temos pesquisadores de todos os continentes aqui para falar com o público. Cérebros geram conhecimento em todas as partes. Aqui, eles estão reunidos”, celebra ela. Ela apresentou alguns casos tratados no Sarah ao longo de décadas e que mostraram descobertas sobre como o cérebro é capaz de se adaptar e se recuperar de graves lesões. A lesão de Herbert Vianna O cantor Herbert Vianna foi internado no Sarah após sofrer um acidente de ultraleve em fevereiro de 2001: a queda tirou a vida da esposa dele, Lucy, além de ter causado lesões na medula e no cérebro do músico. “Ele inicialmente teve muitos problemas de memória. Para avaliar a capacidade do cérebro de se recuperar, usamos a capacidade de ritmo dele, que permanecia preservada. Pedimos para que ele cantasse e ele escolheu uma música que tinha feito para Lucy, Se eu não te amasse tanto assim. Há 24 anos, ele canta essa música para nós, nas ressonâncias”, diz Lúcia. Para ela, o caso de Herbert é uma evidência de como o olhar humano, entendendo as capacidades do paciente e suas potências, pode personalizar a terapia e torná-la mais efetiva. “O caso de Herbert Vianna nos relembra a importância de considerar o elemento humano na reabilitação”, afirma. Para a médica, ao olhar o progresso de Hebert, se observa também uma evidência da capacidade do cérebro de se adaptar quando é bem estimulado após uma grave lesão. “Comparando o primeiro e o último exame dele, nestes 20 anos de acompanhamento, vemos como as redes neuronais conseguiram se reestabelecer e seguem progredindo, mesmo em um homem já com 60 anos. Muita gente pensa que o envelhecimento leva necessariamente a uma perda de capacidades do cérebro, mas casos como o de Herbert colocam este etarismo por terra”, avalia a médica. Outros casos de sucesso Além do caso do vocalista do Paralamas do Sucesso, a médica brasileira também apresentou outras histórias de pacientes que foram tratados por longos períodos no Sarah e tiveram recuperações exemplares. Lúcia contou sobre o caso de uma paciente anônima, uma menina que sofreu um AVC aos 11 anos e segue sendo acompanhada, uma década depois do acidente. A lesão gerada afetou especialmente a região do cérebro responsável pela linguagem, o fascículo arqueado esquerdo. Após anos recebendo terapia de linguagem intensiva, a menina não apenas conseguiu recuperar parte de sua capacidade comunicativa, como também se observou um desenvolvimento maior da mesma região do fascículo, mas no hemisfério direito do cérebro, em geral menos desenvolvido. “Isso nos mostra a capacidade que o cérebro tem de se adaptar, especialmente quando pensamos em pacientes crianças”, avalia Lúcia. 5 imagens Fechar modal. 1 de 5 Presidente do Hospital Sarah, Lúcia Willadino Braga VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto 2 de 5 Lúcia destaca principais casos que foram atendidos pelo Sarah e fizeram a ciência avançar VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto 3 de 5 Abertura do 1º Congresso Latino-Americano da Federação Mundial de Neurorreabilitação VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto 4 de 5 Um dos casos apresentados foi do músico Herbert Vianna VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto 5 de 5 O cantor de 62 anos fez sua neurorreabilitação no Sarah Reprodução Aproveitando as potencialidades Também foi destacado o caso de Handrew Gomes, hoje com 21 anos, que nasceu com uma mal-formação cerebral nos dois hemisférios do cérebro, comprometendo especialmente a capacidade de linguagem e de desenvolvimento matemático. “Chegaram a achar que ele não sobreviveria ou não teria um desenvolvimento cerebral. No entanto, um dia eu vi ele tocando pandeiro e percebemos que ele tocava extremamente bem. Em vez de focarmos no que ele não podia fazer, focamos nas muitas capacidades dele. Handrew tinha um ritmo extraordinário e uma capacidade de se adaptar que nos impressionou”, aponta Lúcia. A médica conta que Handrew conseguiu melhorar suas capacidades comunicativas com a neurorreabilitação, conseguindo ler e escrever. Além disso, mesmo sem ter as regiões normalmente associadas ao raciocínio matemático no cérebro, ele desenvolveu sozinho uma capacidade de calcular com um método próprio de somar e diminuir. “Ele buscou sempre estratégias para superar as barreiras, para resolver seus problemas. É um homem que hoje trabalha, mora sozinho, é músico. Quando aprendemos a trabalhar com os potenciais, com o que sim, se pode, alcançamos progressos que nos enchem mesmo de orgulho”, conclui a médica. 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