Sintomas do TDAH podem ficar mais evidentes na menopausa. Entenda Ouvir 9 de maio de 2025 A menopausa é uma época de mudanças na vida da mulher. A queda da produção de hormônios como estrogênio e progesterona tem várias implicações na vida prática que vão além das ondas de calor. Mulheres nesta fase podem estar mais suscetíveis aos sintomas do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). A relação entre o fim da menstruação e o transtorno ainda é pouco estudada pela ciência, mas sabe-se que indivíduos com TDAH têm baixos níveis de dopamina e noradrenalina. Os neurotransmissores são essenciais para que os neurônios se comuniquem. Leia também Saúde Saiba o que é TDAH, transtorno que altera o desenvolvimento do cérebro Saúde Será que é TDAH mesmo? Conheça os verdadeiros sintomas da condição Saúde Menopausa: entenda o tratamento sem hormônio que pode reduzir fogachos Saúde Entrei na menopausa, preciso de reposição hormonal? Entenda A progesterona e o estrogênio, entre outras funções, ajudam na mediação de neurotransmissores. Sem eles, a pessoa com TDAH, que tem uma dificuldade de produção ou de funcionamento das substâncias, começaria a apresentar os sintomas que eram mascarados pela função dos hormônios. “A mulher acaba dependendo do estrogênio e da progesterona para que essa dopamina e noradrenalina funcionem. Se esses níveis já estão comprometidos e ela perde os hormônios que facilitam o funcionamento, os sintomas relacionados ao TDAH vão ficar evidentes”, explica o psiquiatra Rodrigo Borghi. Ele está participando do 10º Congresso Mundial de TDAH, que acontece em Praga, na República Tcheca, e afirma que o assunto é um dos destaques da programação. Sintomas do TDAH nas mulheres em menopausa Borghi ensina que mulheres com TDAH diagnosticado e em tratamento que entram na menopausa podem apresentar desatenção, esquecimento de atividades da vida diária e dificuldade em organizar, planejar e priorizar compromissos. “Tanto que algumas dessas mulheres podem achar que estão com algum problema relacionado à idade, algumas começam a suspeitar de demência, por terem um TDAH que estava sob controle e os sintomas piorarem ou voltarem na menopausa”, explica o psiquiatra. Mulheres que não tinham TDAH diagnosticado e começam a apresentar sintomas podem ter usado, inconscientemente, maneiras de mascarar os sinais durante a vida, mas não conseguem mais sem a produção dos hormônios. “Mesmo com prejuízo, elas não percebiam os sintomas, ou atribuíam a características da personalidade. O TDAH muitas vezes é diagnosticado como outros transtornos, como depressão e ansiedade, e muitas dessas mulheres vão perceber que aquilo que elas tinham dificuldade com a atenção, com controle de impulso, com esquecimento, com a dificuldade de interromper comportamentos, de se acalmar ou de se autorregular com facilidade, fica ainda mais desfuncional”, conta Borghi. 7 imagens Fechar modal. 1 de 7 A menopausa é caracterizada pelo desequilíbrio hormonal no organismo das mulheres Getty Images 2 de 7 Média de idade da mulher entrar na menopausa no Brasil é 48 anos; somente metade delas faz tratamento BSIP/UIG/Getty Images 3 de 7 O fogacho é um dos principais sintomas da menopausa Getty Images 4 de 7 As doenças cardiovasculares, mais comuns após a menopausa, são a principal causa de morte em mulheres Saúde em Dia/ Reprodução 5 de 7 O fogacho é um dos principais sintomas da menopausa Getty Images 6 de 7 As ondas de calor da menopausa precoce podem ocorrer, inclusive, durante o sono Getty Images 7 de 7 A menopausa traz diversos impactos na vida da mulher Getty Images TDAH em adultos Na maioria das vezes, o TDAH é diagnosticado em crianças que têm dificuldade na escola. Em adultos, os sintomas mais comuns são “enxurrada de pensamentos” e comportamentos impulsivos que acabam atrapalhando a vida profissional e os relacionamentos. “É a caraterística daquela pessoa que começa a fazer uma atividade e, no meio dela, parte para outra. Normalmente faz isso por que sua mente tem dificuldade em manter atenção”, explicou a psicóloga Lala Fonseca em entrevista anterior ao Metrópoles. O diagnóstico é feito por psiquiatra ou neurologista de forma clínica, analisando os sintomas. Não há necessidade de exames como ressonâncias ou eletroencefalograma. O tratamento envolve medicamentos e terapia comportamental. A dieta também importa: os especialistas indicam que deve ser feita uma diminuição do açúcar, produtos industrializados e frituras. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e no Canal do Whatsapp e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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