Transtornos alimentares: saiba identificar quem sofre das compulsões Ouvir 1 de junho de 2025 Nesta segunda-feira, 2 de junho, o mundo volta os olhos para um problema crescente: os transtornos alimentares. A data marca o Dia Mundial de Conscientização dos Transtornos Alimentares e estima-se que cerca de 15 milhões de brasileiros convivem com distúrbios alimentares como anorexia, bulimia e compulsão. Isso significa que um em cada 20 brasileiros enfrenta esse tipo de transtorno, sendo especialmente mais frequente entre jovens adultos e adolescentes. Embora faltem números oficiais no Brasil, os pesquisadores ouvidos pelo Metrópoles indicam que a busca por uma magreza não-saudável é cada vez mais comum e isso pode ter forte influência das redes sociais. Leia também Saúde Saiba quais são as causas e sintomas de transtornos alimentares Fábia Oliveira Wanessa revela que teve bulimia e anorexia após comparações com Sandy Saúde Cogumelo alucinógeno pode ser usado para tratar anorexia, diz estudo Vida & Estilo Jovem vence anorexia e exibe corpo saudável nas redes sociais Os principais transtornos alimentares Anorexia: caracteriza-se pela restrição extrema da alimentação e medo intenso de ganhar peso. A pessoa pode ter distorção da imagem corporal, acreditando ser gorda mesmo com peso corporal perigosamente baixo. Bulimia: envolve episódios de compulsão alimentar seguidos de comportamentos compensatórios, como vômitos autoinduzidos, uso de laxantes ou jejum, para evitar o ganho de peso. Transtorno da Compulsão Alimentar: marcado por episódios recorrentes de ingestão exagerada de alimentos, mesmo sem fome, com sensação de perda de controle e sentimentos de culpa ou vergonha após comer. Transtorno Alimentar Restritivo Evitativo (TARE): afeta especialmente crianças e adolescentes. Caracteriza-se por recusa persistente de alimentos por aversão à textura, cor ou medo de engasgar, sem preocupação com o peso. Um estudo publicado na Jama Pediatrics em 2023, por exemplo, revelou que um em cada cinco jovens de 6 a 18 anos apresenta desordem alimentar. Entre meninas, a taxa chega a 30%. Segundo especialistas, a comparação com influenciadores e celebridades em plataformas digitais tem distorcido a percepção de imagem. Os perfis exibem corpos muitas vezes inalcançáveis, o que pode gerar um ciclo de frustração, baixa autoestima e comportamentos alimentares disfuncionais que podem levar até a quadros graves de desnutrição, com risco de morte. Juventude no centro da crise Para o psicólogo Filipe Colombini, da Equipe AT, em São Paulo, fatores neuropsicossociais influenciam diretamente o desenvolvimento dessas condições em jovens. O ambiente familiar e social em que o discurso sobre corpo e saúde associam beleza e bem-estar à magreza contribuem para formar a relação doentia do jovem e até da criança com a comida. “A influência acontece muito por meio dos modelos que a criança observa no dia a dia, as coisas que são faladas, e esse ambiente social pode levar a anorexia, bulimia, mas também a um excesso na alimentação, que leva à obesidade, que sabemos ser um importante fator de risco para o surgimento de diversos problemas de saúde”, destaca o especialista. Colombini aponta que pressões no momento das refeições, punições e comparações constantes são elementos que podem levar ao adoecimento. Não é necessário que os pais tenham transtornos alimentares para que transmitam, inconscientemente, padrões prejudiciais. Como identificar se conheço alguém com o transtorno? A identificação precoce pode ser difícil. Transtornos alimentares costumam ser silenciosos e como envolvem culpa, costumam se desenvolver às escondidas. Por isso, entre os sinais de alerta estão o isolamento, a ansiedade diante de situações alimentares em que se come de forma coletiva e a fixação com a imagem corporal. O jovem começa a classificar alimentos por calorias e não por sabor ou textura. Deixa de sentir prazer ao comer. A constante comparação com outras pessoas, aliada ao medo do julgamento, cria um ambiente interno hostil, que muitas vezes passa despercebido por responsáveis e educadores. A nutricionista Thayane Fraga, da Holiste Psiquiatria, ressalta a importância do acompanhamento familiar e da atuação de equipes multidisciplinares ao se notar uma relação desequilibrada com a alimentação. “A linha entre o cuidado com a saúde e a busca pelo corpo perfeito é tênue e cada vez mais causa adoecimento. Nosso foco deve ser sempre em ter uma relação saudável com o próprio corpo”, indica. 4 imagensFechar modal.1 de 4 Os transtornos alimentares costumam ser silenciosos Francesco Carta fotografo2 de 4 Cerca de 70 milhões de pessoas no mundo tem anorexia nervosa Joelson Miranda/Metrópoles3 de 4 Campanha com a modelo Isabelle Caro, que faleceu três anos após as imagens, se tornou célebre no combate à anorexia Venturelli/WireImage via Getty Images4 de 4 Ou distúrbios alimentares como a anorexia e a bulimia tem tratameno iStock Quais os sintomas mais frequentes? Os sintomas variam, a depender de cada tipo de transtorno. Na anorexia, por exemplo, é comum que se notem sinais da desnutrição: além da magreza extrema, fraqueza, anemia, inibição menstrual (no caso de mulheres), hipotermia, dentre outros. Já a bulimia gera sintomas como problemas gastrointestinais, semelhantes ao grave refluxo ou à gastrite, além de desidratação e agravos nas glândulas salivares. Em todos os casos, o mais marcante é a questão psicológica envolvida: preocupação em não engordar e, consequentemente, a distorção da própria imagem que causa sofrimento. Caminhos para o tratamento efetivo Especialmente em casos de adolescentes, o confronto direto diante de um transtorno alimentar, obrigando o jovem a comer ou expondo-o a violências, pode agravar o quadro. O ideal ao notar sinais, alerta o neurocientista Alan Martins, da plataforma de fitness Wefit, é sempre procurar a orientação médica. “A atuação de uma equipe multidisciplinar — composta por profissionais como psicólogo, nutricionista e endocrinologista — é fundamental para abordar o problema de forma integrada. Essa abordagem permite cuidar tanto da saúde emocional e comportamental quanto da reeducação alimentar, aumentando significativamente as chances de recuperação e bem-estar a longo prazo”, diz Alan. Outra recomendação é estabelecer horários fixos para as refeições. Isso reduz a chance de exageros ou a tendência a pulá-las, ajudando a organizar o metabolismo e o humor. A prática regular de exercícios físicos também é indicada, desde que não se transforme em obsessão que substitua a compulsão original. “Vencer um transtorno alimentar exige compreender que a recuperação é um processo contínuo e gradual. Evitar a autocrítica, cuidar da saúde mental, compartilhar sentimentos e experiências, celebrar pequenas conquistas e, acima de tudo, acreditar em si mesmo são atitudes essenciais ao longo dessa jornada”, conclui ele. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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