Acúmulo de açúcar nos neurônios pode agravar Alzheimer. Entenda Ouvir 30 de junho de 2025 Um novo estudo publicado nesta segunda-feira (30/6) na revista Nature Metabolism mostra que o metabolismo do açúcar no cérebro pode ter um papel importante na proteção contra doenças como Alzheimer e demência frontotemporal. A pesquisa indica que a forma como os neurônios lidam com o glicogênio (uma reserva de glicose) pode influenciar o acúmulo de proteínas tóxicas e o avanço de doenças neurodegenerativas. Leia também Saúde Alzheimer pode ser identificado nos olhos antes dos sinais de demência Saúde Paciente mais jovem com Alzheimer teve sinais aos 17 anos. Saiba quais Saúde Com Alzheimer aos 41, homem lista sinal comum da doença que ignorou Saúde Remédio para insônia reduz proteína ligada ao Alzheimer, mostra estudo O glicogênio costuma ser associado ao fígado e aos músculos, onde serve como fonte de energia. No cérebro, ele também existe, mas em quantidades menores, especialmente em células de suporte chamadas astrócitos. Por muito tempo, acreditava-se que seu papel nos neurônios era irrelevante. Agora, cientistas do Instituto Buck para Pesquisa sobre Envelhecimento, nos Estados Unidos, sugerem que o acúmulo dessa substância nas células cerebrais pode estar ligado à progressão de doenças degenerativas. Glicogênio acumulado favorece proteínas tóxicas A pesquisa foi conduzida pela equipe do cientista Sudipta Bar, com apoio do professor Pankaj Kapahi. Em experimentos com moscas-das-frutas e neurônios humanos derivados de pacientes com demência, os pesquisadores observaram que neurônios doentes acumulavam glicogênio em excesso. Esse exagero parecia se ligar à proteína tau, conhecida por formar aglomerados no cérebro de pacientes com Alzheimer, e impedia sua degradação adequada. 8 imagensFechar modal.1 de 8 Alzheimer é uma doença degenerativa causada pela morte de células cerebrais e que pode surgir décadas antes do aparecimento dos primeiros sintomas PM Images/ Getty Images2 de 8 Por ser uma doença que tende a se agravar com o passar dos anos, o diagnóstico precoce é fundamental para retardar o avanço. Portanto, ao apresentar quaisquer sintomas da doença é fundamental consultar um especialista Andrew Brookes/ Getty Images3 de 8 Apesar de os sintomas serem mais comuns em pessoas com idade superior a 70 anos, não é incomum se manifestarem em jovens por volta dos 30. Aliás, quando essa manifestação “prematura” acontece, a condição passa a ser denominada Alzheimer precoce Westend61/ Getty Images4 de 8 Na fase inicial, uma pessoa com Alzheimer tende a ter alteração na memória e passa a esquecer de coisas simples, tais como: onde guardou as chaves, o que comeu no café da manhã, o nome de alguém ou até a estação do ano urbazon/ Getty Images5 de 8 Desorientação, dificuldade para lembrar do endereço onde mora ou o caminho para casa, dificuldades para tomar simples decisões, como planejar o que vai fazer ou comer, por exemplo, também são sinais da manifestação da doença OsakaWayne Studios/ Getty Images6 de 8 Além disso, perda da vontade de praticar tarefas rotineiras, mudança no comportamento (tornando a pessoa mais nervosa ou agressiva), e repetições são alguns dos sintomas mais comuns Kobus Louw/ Getty Images7 de 8 Segundo pesquisa realizada pela fundação Alzheimer’s Drugs Discovery Foundation (ADDF), a presença de proteínas danificadas (Amilóide e Tau), doenças vasculares, neuroinflamação, falha de energia neural e genética (APOE) podem estar relacionadas com o surgimento da doença Rossella De Berti/ Getty Images8 de 8 O tratamento do Alzheimer é feito com uso de medicamentos para diminuir os sintomas da doença, além de ser necessário realizar fisioterapia e estimulação cognitiva. A doença não tem cura e o cuidado deve ser feito até o fim da vida Towfiqu Barbhuiya / EyeEm/ Getty Images Quando os pesquisadores restauraram a atividade de uma enzima chamada glicogênio fosforilase (GlyP) — que é responsável por quebrar o glicogênio — os danos relacionados à proteína tau diminuíram. As células nervosas passaram a desviar o açúcar acumulado para uma via metabólica alternativa, conhecida como via das pentoses fosfato. Essa rota produz moléculas como a nicotinamida adenina dinucleotídeo fosfato (NADPH) e glutationa, que protegem o cérebro contra o estresse oxidativo, um dos processos que mais afetam os neurônios durante o envelhecimento. “Quando aumentamos a atividade da GlyP, as células conseguiram se proteger melhor dos danos e, no caso das moscas, até viveram mais tempo”, explica Sudipta Bar em comunicado. Restrições alimentares e medicamentos podem ajudar Outro achado relevante do estudo foi que a restrição alimentar, conhecida por prolongar a vida útil em diferentes espécies, também aumentou naturalmente a atividade da enzima GlyP nas moscas-modelo, reduzindo os efeitos das doenças neurodegenerativas. Os pesquisadores ainda conseguiram mimetizar o efeito por meio de um composto chamado 8-Br-cAMP, apontando que medicamentos também podem ativar esse mecanismo de proteção. Isso pode ajudar a explicar por que fármacos usados atualmente no controle do peso, como os agonistas de GLP-1, têm mostrado resultados promissores em estudos sobre demência. “É possível que esses medicamentos funcionem por imitarem os efeitos da restrição alimentar, ativando o sistema de remoção de açúcar nos neurônios”, afirma Kapahi. Os resultados também foram confirmados em neurônios humanos derivados de pacientes com demência frontotemporal, reforçando o potencial da descoberta para o desenvolvimento de tratamentos futuros. A equipe destaca ainda que o uso de modelos simples, como a mosca-da-fruta, foi essencial para avançar com mais rapidez nos testes com células humanas. Para os cientistas, os achados podem ajudar a desenvolver novas formas de tratar doenças neurodegenerativas. “Ao entender como os neurônios lidam com o açúcar, talvez tenhamos descoberto um novo caminho para combater a neurodegeneração”, ensina Kapahi. “Em um mundo que envelhece rapidamente, compreender esse ‘código oculto’ do metabolismo pode ser uma chave poderosa contra a demência.” Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
Nutricionista explica os benefícios do ovo, queridinho dos marombeiros 14 de janeiro de 2026 Fonte de proteína e aminoácidos, o ovo é multivitamínico, tem baixo custo e ainda atua na reconstrução muscular Read More
Unicamp: mulheres pretas têm dobro do risco de morrer durante o parto 17 de julho de 2024 No Brasil, mulheres pretas têm quase o dobro de risco de morrer durante o parto ou no puerpério em comparação com dados de mulheres pardas e brancas. A disparidade alarmante foi identificada por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) em um artigo publicado na Revista de Saúde Pública em… Read More
Notícias Autismo: extrato de cannabis adaptado melhora tratamento, diz estudo 4 de setembro de 2023 Um estudo brasileiro mostra novas evidências de que o uso personalizado do extrato de cannabis pode ser benéfico para o tratamento de pacientes com transtornos do espectro autista (TEA). Os resultados mostram a melhora da maioria dos principais sintomas relacionados ao TEA. Em artigo publicado no final de agosto na… Read More