Estudo vê aumento alarmante de artrose em mulheres na pós-menopausa Ouvir 31 de julho de 2025 O número de mulheres com artrose após a menopausa mais que dobrou no mundo entre 1990 e 2021, de acordo com um estudo de médicos da Universidade de Hangzhou, na China. Globalmente, os novos casos da doença, também chamada de osteoartrite, cresceram 133% no período. Ainda mais preocupante é o crescimento das incapacidades associadas à degeneração das articulações: a pesquisa mostra que o número de mulheres que perderam anos de vida saudável em razão da artrose pós-menopausa cresceu 142% nessas três décadas. Publicado na revista BMJ Global Health em março, o trabalho utilizou dados do último Global Burden of Disease, de 2021, levantamento que avalia o impacto de doenças crônicas em 204 países, incluindo o Brasil. Os pesquisadores identificaram que a osteoartrite vem crescendo de forma vertiginosa entre mulheres acima dos 55 anos, faixa etária em que ocorre a menopausa, com maior número de casos, principalmente em populações de alta renda. Leia também Saúde Entenda o que a menopausa tem a ver com a gordura no fígado Saúde Dor e rigidez: conheça os sintomas de artrose de quadril Saúde Menopausa: por que muitas mulheres sofrem mesmo com tanta informação? Saúde Entenda como andar de bicicleta ajuda a combater artrose no joelho Segundo a reumatologista Isabella Monteiro, médica do Einstein Hospital Israelita em Goiânia, embora o tema seja relativamente novo nas pesquisas, já há uma relação bem documentada entre o aumento do risco de osteoartrite após a menopausa. “O estrogênio tem papel importante na manutenção da cartilagem articular e do controle das inflamações no corpo. Durante a menopausa, há uma queda na produção desse hormônio, o que favorece um ambiente mais inflamatório e acelera o desgaste da cartilagem. Essa combinação favorece o surgimento ou a progressão da osteoartrite”, explica Monteiro. “Além disso, há impacto indireto pela perda óssea, ganho de peso e alterações musculares característicos do envelhecimento”. 7 imagensFechar modal.1 de 7 A menopausa é caracterizada pelo desequilíbrio hormonal no organismo das mulheres Getty Images2 de 7 Média de idade da mulher entrar na menopausa no Brasil é 48 anos; somente metade delas faz tratamento BSIP/UIG/Getty Images3 de 7 O fogacho é um dos principais sintomas da menopausa Getty Images4 de 7 As doenças cardiovasculares, mais comuns após a menopausa, são a principal causa de morte em mulheres Saúde em Dia/ Reprodução 5 de 7 O fogacho é um dos principais sintomas da menopausa Getty Images6 de 7 As ondas de calor da menopausa precoce podem ocorrer, inclusive, durante o sono Getty Images7 de 7 A menopausa traz diversos impactos na vida da mulher Getty Images Doença pode atingir várias articulações O desgaste causado pela artrose pode afetar diversas articulações do corpo. No estudo chinês, a maioria das voluntárias pesquisadas tinha sintomas da doença nos joelhos, sendo essa a articulação mais afetada também nos casos de incapacitação por conta da doença. Também foram muito frequentes os casos de artrose nas mãos, principalmente entre mulheres de 55 a 64 anos. Nessa faixa etária, a incapacidade causada pelas dores articulares entre o público feminino foi o dobro da registrada entre homens da mesma idade. Quando atinge as principais articulações do corpo, a artrose frequentemente leva a dores incapacitantes. “As osteoartrites de joelhos e quadris são as que mais comprometem a independência dos pacientes, por afetarem diretamente o andar e a mobilidade. Nesses casos, ou mesmo nas que afetam as mãos, tão comuns nas mulheres, a dor crônica e a perda de amplitude de movimento podem limitar mesmo as atividades mais básicas como caminhar ou subir escadas”, afirma o reumatologista Henrique Helson Herter, professor na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Caso não seja corretamente tratada, a artrose pode levar a deformidades e perda total do movimento. Para casos tão graves, o tratamento pode exigir aplicações de medicamentos diretamente na área afetada ou uso de próteses para reduzir as dores. No geral, porém, sessões de fisioterapia e o uso de medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios já oferecem alívio. Estilo de vida importa Além da associação com a menopausa, outros fatores podem estar relacionados ao aumento de casos, especialmente a obesidade. Segundo o estudo global, o excesso de peso cresceu desde os anos 1990 entre as mulheres acima dos 55 anos, saltando de 17% para 21%. Esse aumento foi responsável por 20% do total de anos saudáveis perdidos pelas voluntárias, incapacitadas pelas dores da osteoartrite. “A obesidade atua como fator de risco mecânico e inflamatório na osteoartrite. O excesso de peso sobrecarrega as articulações, especialmente joelhos e quadris, e o tecido adiposo produz citocinas inflamatórias, que agravam o desgaste da cartilagem”, detalha a médica do Einstein. Dada a associação das dores com o sobrepeso, uma das melhores formas de prevenção dos quadros incapacitantes da osteoartrite é manter um estilo de vida saudável, com alimentação balanceada e atividade física. “A prática do exercício físico bem orientado é fundamental para reduzir as inflamações e manter as cartilagens saudáveis. Além disso, quando a musculatura está fortalecida, ela dá estabilidade aos ossos, o que também reduz o dano”, explica o fisioterapeuta Thiago Vilela Mendes, professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG). Outras medidas importantes incluem uma boa ingestão de cálcio e vitamina D e evitar o tabagismo. Manter uma rotina de check-up da saúde óssea também pode ser indicado. O principal exame recomendado é o de densitometria óssea, que avalia a saúde dos ossos e das articulações. Isabella Monteiro recomenda que mulheres passem por essas avaliações a partir dos 45 anos — ou antes, caso os sintomas da menopausa apareçam precocemente. “A frequência indicada varia conforme o risco individual, mas geralmente deve-se realizar check-ups anuais. Em mulheres com histórico familiar de osteoartrite, fraturas ou sintomas articulares, a avaliação especializada deve ser ainda mais precoce e frequente”, orienta a reumatologista. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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