“Nunca me imaginei sob risco de ter câncer de mama”, diz pai de modelo Ouvir 19 de outubro de 2025 O câncer de mama é uma doença fruto do crescimento anormal de células na região mamária. Embora mais comum em mulheres, ele também pode atingir homens, que representam cerca de 1% dos casos registrados. Foi o caso do empresário Mário Fiorentino, diagnosticado em 2014. Durante o banho, o pai da modelo e apresentadora Isabella Fiorentino, sentiu um nódulo no peito esquerdo e pediu que a esposa observasse o caroço. “Ela é médica e me examinou, mas não disse nada. Percebeu que podia ser algo ruim e marcou imediatamente uma consulta com o oncologista”, afirma Mário, hoje com 83 anos. “Eu realmente fiquei triste, não surpreso. Nunca esperei que tivesse uma doença desse tipo. Tentamos encarar tudo com naturalidade e aguardar as orientações do médico e, por sorte, tudo correu bem”, lembra ele. O tratamento de Mário foi feito às pressas. Em menos de uma semana, em 2014, o empresário recebeu o diagnóstico e passou por cirurgia. A velocidade em que tudo foi decidido foi considerada pelo empresário como atordoante. “Imagine o medo de enfrentar uma cirurgia desse porte, e ainda sem saber totalmente a extensão da área que seria atingida. Fiquei totalmente inerte e precisei de muito apoio para ter coragem de enfrentar esse processo”, conta. Leia também Saúde Mulher confunde distensão muscular com sintoma de câncer de mama São Paulo Câncer de mama: aumento de casos em SP impõe alerta sobre autocuidado Pouca vergonha Mitos e tabus que prejudicam a sexualidade após o câncer de mama Pouca vergonha Câncer de mama: sexualidade e autoestima são afetadas pela doença Para ele, o momento da cirurgia foi tranquilo, mas os meses que se seguiram a ela foram os mais intensos. A quimioterapia foi um processo doloroso para o empresário. Ele ficou com queimaduras no braço direito e precisou usar pomadas por meses para reconstruir a pele. As veias do braço esquerdo também ficaram danificadas pelo tratamento e precisaram de uma reconstrução. “A cirurgia em si eu não senti absolutamente nada, mas depois vieram cinco anos de uma fase de recuperação dura. O mais importante pra mim foi o apoio da família. Depois que temos um câncer, a gente perde o chão. Nunca me imaginei sob risco, então, comecei a ser mais compreensível e mais amigo desde que enfrentei a doença”, afirma Mário. Diante do prognóstico e do amadurecimento enquanto ser humano, Mário conta que fundou um grupo de combate ao câncer em meio aos altos e baixos do tratamento. A ideia da equipe é desmistificar o estereótipo de que o tumor é algo exclusivo às mulheres. “As pessoas mais esclarecidas sabem que essa doença pode atingir qualquer pessoa, mas ainda há muita gente que não sabe”. 3 imagensFechar modal.1 de 3 “Senti um carocinho e nunca imaginei que fosse câncer”, conta Mário Reprodução / Arquivo Pessoal2 de 3 Em menos de uma semana, em 2014, o empresário recebeu o diagnóstico e passou pela cirurgia Reprodução / Arquivo Pessoal3 de 3 “Nunca me imaginei sob risco”, afirma Reprodução / Arquivo Pessoal Câncer de mama em homens O câncer de mama pode surgir por diferentes motivos, que envolvem fatores genéticos, hormonais e ambientais. Nos homens, a frequência é menor pois neles há menor volume de tecido e glândulas mamárias, além de menor sensibilidade aos hormônios femininos, que são os principais gatilhos para o aparecimento de células de câncer. A idade mais avançada, histórico familiar, mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, obesidade, tabagismo, consumo de álcool e sedentarismo aumentam o risco da doença. “Nos homens, os sinais mais frequentes são nódulos próximos ao mamilo, alterações na pele, feridas que não cicatrizam, secreção com ou sem sangue e aumento dos gânglios na axila. Os sintomas reforçam a importância de procurar um médico diante de qualquer mudança na região, especialmente quando há histórico familiar”, alerta o oncologista Márcio Almeida. O tratamento varia conforme o tipo e o estágio do tumor. Na maioria dos casos, inclui cirurgia para retirada da lesão, associada a radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia ou terapias específicas. “Nos homens, o tratamento segue os mesmos princípios aplicados às mulheres, com destaque para a hormonioterapia, já que muitos tumores masculinos respondem aos hormônios assim como os femininos”, destaca Almeida. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima que o câncer de mama atinja mais de 70 mil mulheres ao ano e apenas cerca de 800 homens. Em ambos os casos, quando o tumor é descoberto em estágio inicial, o índice de cura pode chegar a 95%. Por terem menos cuidados de saúde relacionados à prevenção deste tipo de tumor, porém, raramente os homens são diagnosticados de forma precoce. Retratos da superação Histórias como a de Mário fazem parte da exposição “A Jornada”, organizada pela ONG Recomeçar em parceria com a Secretaria de Saúde do Distrito Federal. A mostra fotográfica integra o Outubro Rosa 2025 e será exibida em diversos espaços públicos do DF ao longo de outubro, passando pelo Senado Federal, Câmara Legislativa do Distrito Federal, Rodoviária de Brasília e Câmara dos Deputados. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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