Caso raro: menino nasce com uretra invertida no pênis Ouvir 3 de janeiro de 2026 Um bebê de 6 meses foi diagnosticado com uma condição rara em que a uretra (o canal por onde sai a urina) se desenvolve na parte superior do pênis ao invés da ponta. O caso foi descrito por médicos do Hospital Especializado Abrangente Ayder, na Etiópia, em um artigo publicado em dezembro na revista Urology Case Reports. A epispádia acompanhada de prepúcio intacto é uma condição extremamente rara, com apenas um caso a cada 120 mil nascimentos. Apenas 22 casos foram relatados até hoje e oito com prepúcio intacto fimótico. Os médicos apontam que o pênis com aparência normal pode mascarar o diagnóstico, resultando na identificação tardia ou podendo nunca ser descoberta. “Este caso ressalta a importância de uma avaliação minuciosa durante a circuncisão para evitar que diagnósticos potenciais passem despercebidos”, apontam os médicos no artigo científico. Leia também Saúde Caso raro de chikungunya fora de zonas tropicais acende alerta global Saúde Fiocruz relata caso raro de encefalite associada à infecção pelo zika São Paulo Caso de transplante de fígado com câncer é bastante raro, diz médica Saúde Caso raro: homem tem síndrome da “cabeça caída” causada por vício Entenda o caso O bebê foi circuncidado logo no primeiro mês de vida, um procedimento cirúrgico considerado comum, para remover a pele que cobre a cabeça do pênis, deixando a glande exposta. Meses depois, no entanto, os médicos notaram que o procedimento não se mostrou eficaz. A fimose não havia sido retirada completamente, mantendo o excesso de pele. Ao fazer uma nova avaliação para a operação de correção, a equipe médica encontrou algo inesperado escondido pela fimose: uma malformação congênita rara conhecida como epispádia penopúbica, em que a uretra nasce na parte superior do pênis ao invés da ponta. “O prepúcio (excesso de pele) apresentava fimose acentuada, impossibilitando a retração e a visualização da glande. Após a retração do prepúcio sob anestesia, observou-se epispádia penopúbica com placa uretral ampla e saudável”, explicam os autores do estudo. Exames pré-cirúrgicos para avaliação do sistema urinário indicaram que os rins funcionavam adequadamente e não havia outra malformação associada. Um mês após o diagnóstico, o menino passou por um novo procedimento com a técnica cirúrgica Cantwell-Ransley, utilizada para correção em casos de epispádia. A operação teve como objetivo reconstruir a uretra, corrigir a posição da abertura urinária, além de melhorar o alinhamento e a estética do pênis. Nenhuma complicação pós-operatória foi observada e três meses após o procedimento, a correção permaneceu estável, a aparência estética do pênis melhorou e a micção em jato único estava normal. Para os médicos do Hospital Especializado Abrangente Ayder, o caso demonstra a importância da realização de exames cuidadosos no pênis antes de circuncisões para a detecção de possíveis anomalias congênitas. “A avaliação minuciosa da anatomia genital antes da circuncisão é essencial para evitar diagnósticos errôneos e intervenções cirúrgicas desnecessárias”, consideram os profissionais. Notícias
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