Brasil lidera sedentarismo na América Latina e apps crescem Ouvir 28 de janeiro de 2026 O Brasil carrega um título preocupante e perigoso para a saúde pública: somos o país líder em sedentarismo América Latina e ocupamos a quinta posição no ranking mundial. Os dados, levantados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), revelam uma epidemia silenciosa que vai muito além da estética. A falta de atividade física é responsável por cerca de 300 mil mortes por ano no país, impulsionando o aumento de doenças crônicas, cardiovasculares e oncológicas. Dados do sedentarismo no Brasil Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o cenário é alarmante em todas as faixas etárias: 47% dos adultos brasileiros são sedentários; Entre os jovens, o número salta para assustadores 84%. No entanto, em resposta a essa crise de inatividade, o mercado de tecnologia e saúde (HealthTech) vive um “boom”. Aplicativos focados em mudança de hábitos e reeducação alimentar ganham espaço, muitas vezes nascendo de histórias de superação pessoal de quem sentiu na pele o peso do diagnóstico. Alerta que veio tarde (mas a tempo) Para entender o impacto desses números, basta olhar para a história de Marcos Rinaldi. Hoje CEO e fundador da plataforma Fortalece, ele já fez parte das estatísticas negativas citadas acima. Há alguns anos, Rinaldi recebeu o diagnóstico de câncer em um dos momentos mais delicados da vida: apenas dois meses após se tornar pai. “Descobri o diagnóstico após dez anos de sedentarismo, que me renderam 30 kg a mais e uma obesidade grau 2. Receber essa notícia com um filho recém-nascido foi o que me fez mudar tudo”, relembra. A história de Marcos ilustra uma conexão que muitos brasileiros ignoram: a relação direta entre obesidade e câncer. O excesso de gordura corporal provoca um estado de inflamação crônica no organismo e alterações hormonais que podem favorecer o surgimento de tumores. Virada de chave O diagnóstico foi um chamado à ação. Com um tumor em fase inicial e menos agressivo, Rinaldi decidiu que não seria apenas mais um número. Entre consultas e tratamentos, ele iniciou uma mudança radical de estilo de vida, focada em três pilares: Rotina de exercícios; Reeducação alimentar; Cuidado com a saúde emocional. O resultado não foi apenas a recuperação clínica, mas uma transformação na disposição, criatividade e produtividade. Foi nesse momento que o profissional de TI percebeu que sua jornada poderia virar um produto para ajudar outras pessoas. Gamificação: como a tecnologia vence a preguiça Dessa experiência pessoal nasceu a Fortalece, uma plataforma que utiliza a tecnologia para combater o sedentarismo. Mas como convencer alguém que passou a vida no sofá a se mexer? A resposta está na neurociência e na gamificação. Rinaldi explica que o aplicativo transforma a saúde em uma jornada interativa. Ao invés de apenas “mandar fazer exercício”, a plataforma cria um ambiente de comunidade e recompensa. Como funciona na prática? Os usuários têm acesso a aulas de yoga, meditação, ginástica laboral e pilates. O diferencial, porém, está no engajamento: Desafios semanais: Metas claras para cumprir (ex: caminhar X passos). Competição saudável: Ranking entre colegas de trabalho ou grupos. Feed social: Um espaço para compartilhar conquistas, gerando o sentimento de pertencimento. “Temos visto pessoas perderem peso, recuperarem a autoestima e controlarem a ansiedade. Um pequeno incentivo hoje pode mudar o destino de alguém para uma vida mais longa”, destaca o fundador. Quem cuida de quem ensina? Um dos dados mais impactantes levantados pela equipe de Rinaldi diz respeito a uma classe profissional específica: os professores. Em 2022, um piloto realizado com 300 educadores revelou um cenário de esgotamento físico e mental. Aprofundando a pesquisa com dados da Fundação Nova Escola, os números chocam: 61% dos professores sentem-se frequentemente ansiosos; 28% afirmam já ter sofrido ou estar com depressão; 21,5% avaliam sua saúde mental como ruim ou péssima. Mudanças geracionais, salas lotadas, agressões verbais e a pressão por resultados criaram uma “panela de pressão” nas escolas brasileiras. Solução focada na educação Diante disso, foi criada a vertente Fortalece Educação. O projeto, que recebeu apoio da Secretaria de Inovação do Paraná, validou sua metodologia com mais de dois mil profissionais em cidades como Campo Mourão e Mamborê. A lógica é simples: melhorar o sono, a autoestima e reduzir a ansiedade do professor amplia sua capacidade cognitiva. Um educador saudável tem mais paciência e conexão com o aluno, elevando, consequentemente, o nível do ensino. Cenário do câncer no Brasil A urgência em combater o sedentarismo se torna ainda maior quando olhamos para as projeções do Instituto Nacional do Câncer (INCA). Embora os números consolidados de 2025 ainda não sejam oficiais, a estimativa aponta para 704 mil novos casos de câncer por ano no triênio atual. Muitos desses casos poderiam ser evitados com mudanças no estilo de vida. O sedentarismo não é apenas sobre “ficar cansado ao subir escadas”; é um fator de risco determinante para a mortalidade precoce. Como começar a sair do sedentarismo? Se você se identificou com os 47% de brasileiros sedentários, a boa notícia é que nunca é tarde para recomeçar. Inspirado na metodologia que salvou a vida de Marcos Rinaldi, aqui estão passos simples: Não espere a segunda-feira: Comece hoje com uma caminhada de 15 minutos. Busque comunidade: Treinar com amigos ou usar apps que conectam pessoas aumenta a chance de constância. Cuide da mente: O estresse aumenta o cortisol, que favorece o ganho de peso. Meditação e yoga são grandes aliados. A tecnologia, que muitas vezes nos prende ao sofá com streamings e redes sociais, agora oferece a corda para nos puxar de volta à vida ativa. Cabe a nós segurá-la. Leia também Sem idade, sem aparelhos: calistenia conquista o Brasil Existe segredo para emagrecer rápido? Especialista comenta Fitness
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