Endometriose, nutrientes e compostos bioativos Ouvir 14 de março de 2024 A endometriose é uma condição patológica que se caracteriza pela existência de tecido endometrial fora da cavidade uterina (Figura 1). Sendo caracterizada como uma doença crônica inflamatória, benigna e estrogênio-dependente. Ela acomete 10 a 15% da população feminina em idade reprodutiva, podendo ser encontrada em 25% das mulheres com infertilidade. A fisiopatologia da doença é fortemente marcada por inflamação e estresse oxidativo. É conhecido que nutrientes e compostos bioativos podem influenciar em ambos os fatores citados. Nesse sentido, tem-se buscado a relação dos fatores nutricionais com a endometriose, apoiando-se em evidências de que estes poderiam favorecer a diminuição da inflamação relacionada ao início e progressão da doença, além de poder ser coadjuvante no controle dos sintomas da endometriose. Abaixo estão alguns componentes e seus pretensos efeitos na endometriose. Figura 1. Endometriose: representação da presença de tecido do endométrio fora do útero. Hogg, Horne e Greaves (2020), doi: 10.3389/fendo.2020.00007. Ômega-3 Um conjunto crescente de evidências de estudos sugere que lesões de endometriose podem ser suprimidas por ácidos graxos omêga-3. A suplementação de ácido graxo em modelo animal de endometriose intraperitoneal diminuiu o número e peso dos cistos de lesões na endometriose, além de diminuir fatores inflamatórios, como a interleucina-6. Além disso, dados do Nurses´ Health Study demonstram que mulheres com maior ingestão relatada de ácidos graxos ômega-3 eram associadas a um risco diminuído em relação ao desenvolvimento de endometriose. Da mesma maneira, estudo transversal avaliou a concentração de ácidos graxos poli-insaturados (PUFAs) (EPA- eicosapentaenoico, DHA- docosahexaenoico e ácido α-linolênico) séricos em 205 mulheres submetidas à fertilização in vitro. Foram analisados dados de um mulheres com ou sem história de endometriose para determinar associações entre níveis séricos de PUFAs específicos e totais e endometriose. Foi observado que mulheres com altos níveis de EPA eram 82% menos propensas a apresentar endometriose em comparação às mulheres com baixos níveis do ácido graxo. Compostos bioativos A curcumina, substância ativa da cúrcuma (Curcuma longa), uma planta relacionada à família do gengibre (Zingiberaceae), de origem indiana. Evidências apontam que a curcumina pode diminuir a produção de fatores inflamatórios através da diminuição da expressão do fator nuclear kappa beta (NF-kB) em macrófagos. Estudo recente apontou que a curcumina poderia atenuar a ativação de NF-Kb em células do endométrio eutópico de mulheres com endometriose e, ainda, diminuir fatores pró-angiogênicos como o fator de crescimento do endotélio vascular (FCEV). Esses dados evidenciam que a redução da sobrevivência de células do estroma endometrial de mulheres com endometriose pela curcumina, pode ser mediada pelo FCEV. Outra substância com possível ação na endometriose é o resveratrol. O resveratrol é um nutracêutico da classe dos antioxidantes polifenólicos produzido em resposta a um processo de stress mecânico ou biológico que exibe múltiplos efeitos nos seres humanos. O resveratrol inibe o estabelecimento de lesões endometrióticas. Nesse sentido, estudo realizou transplante de tecido endometrial humano (com endometriose) na cavidade peritoneal de camundongos. Foi observado que o tratamento com resveratrol através de sonda diminuiu a atividade proliferativa e regulou positivamente a apoptose dentro das lesões. Estudo também verificou que a ingestão de resveratrol potencializou o efeito de contraceptivos orais no manejo da dismenorreia associada à endometriose, resultando na diminuição de 82% da dor relacionada à endometriose. Além disso, em experimento separado, foi observado redução da expressão da aromatase e ciclooxigenase-2 no endométrio, a expressão da aromatase no endométrio eutópico parece ser crucial para o desenvolvimento e determinação da agressividade da doença. Vitamina D Pesquisa apontou relação entre níveis de vitamina D e diâmetro do cisto ovariano em mulheres com endometriose. O estudo foi do tipo observacional realizado com 49 pacientes diagnosticadas com endometrioma ovariano (cisto ovariano) e foi constatado que 42 mulheres se encontravam com hipovitaminose D. O diâmetro médio do endometrioma ovariano foi de 40,2 mm, enquanto as pacientes com níveis de vitamina D sérica considerados normais foi de 26,7 mm. Outra pesquisa foi realizada com mulheres que apresentaram dismenorreia e deficiência de vitamina D, essa avaliou a eficácia da suplementação da vitamina D (50000 UI) em sintomas relacionados à endometriose. A ingestão da vitamina durante 8 semanas diminuiu a dor nas mulheres quando comparadas ao grupo controle. Em resumo, existem evidências preliminares de que nutrientes e compostos bioativos podem auxiliar no manejo da endometriose e seus sintomas, apesar de mais estudos serem necessários. Referência: https://doi.org/10.1177%2F1933719114565030 https://doi.org/10.1371/journal.pone.0073085 https://doi.org/10.3390/life13030654 https://doi.org/10.1002/jcp.27360 https://doi.org/10.1095/biolreprod.110.086744 https://doi.org/10.1080/09513590.2016.1239254 https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23091400/ https://doi.org/10.3389/fendo.2020.00007 O post Endometriose, nutrientes e compostos bioativos apareceu primeiro em Blog Nutrify. Nutrição
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