Mpox: o que se sabe sobre cepa mais letal e de transmissão sexual Ouvir 29 de abril de 2024 A mpox, doença que anteriormente era chamada de varíola dos macacos, reacendeu o alerta na comunidade científica após a República do Congo declarar, na quarta-feira (24/4), que vive uma epidemia da doença. No ano passado foram registradas 650 mortes no país causadas pela infecção, que agora dá sinais de ter alcançado uma evolução que a tornou mais contagiosa e potencialmente mais letal. No atual momento, a preocupação é que a epidemia esteja ligada à propagação de uma nova cepa do vírus. A variante que provocou a emergência de saúde mundial em 2022 era diferente da versão que está circulando na República do Congo. A região de South Kivu concentra os casos e o contágio via sexual parece ser o mais comum, uma vez que a maioria dos pacientes são trabalhadores do sexo. Leia também Saúde Variante com “potencial pandêmico” da mpox é encontrada no Congo Saúde Vacina da mpox perde eficácia em até um ano, mostram dois estudos Saúde Mpox: OMS declara fim da emergência global de saúde para a doença Distrito Federal Mpox: vacinação no DF começa em 3 de abril; veja quem pode se imunizar Em 15 de abril, cientistas que atuaram no país publicaram uma pesquisa na plataforma medRxiv, que divulga estudos ainda sem revisão de pares, informando sobre uma nova cepa do vírus com “potencial pandêmico”. “São necessárias medidas urgentes, incluindo vigilância reforçada, rastreio de contatos, apoio à gestão de casos e vacinação direcionada para conter este novo surto do Clade Ib, que tem potencial pandêmico”, afirmaram os autores. Mutações aumentam transmissibilidade Batizada de Clade Ib, a nova variante seria capaz de provocar infecções mais virulentas e mortais, com taxas de letalidade que chegam a 10%. Além disso, modificações na estrutura do vírus, estariam fazendo com que ele escapasse dos testes de diagnóstico tradicionais. Até aqui, eram conhecidos dois tipos de vírus mpox: o da África Ocidental, chamada de Clade II, e o da Bacia do Congo (África Central), chamada de Clade I. Uma das diferenças entre os dois é a gravidade da doença. Enquanto a mortalidade do Clade II é de 4%, o do Clade I é de 10%. Os pesquisadores associam a onda recente de casos a uma variante do Clade I que teria ganhado a capacidade de se transmitir via sexo. A mpox é um tipo de orthopoxvírus originado em animais selvagens, que ocasionalmente infecta humanos. A doença era chamada de “varíola dos macacos” ou monkeypox, porque foi estudada primeiro nessa espécie, mas, para evitar preconceitos e asssociações indevidas a Organização Mundial de Saúde (OMS) decidiu chamá-la de mpox. Risco de mpox letal se espalhar é alto Em entrevista à Nature na terça-feira (23/4), a epidemiologista Anne Rimoin, da Universidade da Califórnia, que analisa a mpox desde 2002, indica que há uma combinação de fatores que está criando uma tempestade perfeita para a propagação da doença. “A região enfrenta uma crise humanitária e a propagação agressiva de outras doenças, como a cólera. A combinação leva a um risco substancial de escalada do surto para além da área atual”, indica ela. Há a suspeita de que o vírus da mpox também tenha sido transmitido sexualmente em 2022, mas ele era da cepa Clade II. Ainda assim, naquele ano foram cerca de mil mortes em todo o mundo antes da vacinação de emergência. Agora, com a profusão de pessoas que trabalham com sexo infectadas com a Clade I, os pesquisadores pedem máxima vigilância. A doença causa feridas e bolhas dolorosas na pele. Pode afetar todo o corpo, sendo mais frequentes no rosto, nas mãos, nos pés e nos órgãos genitais. 3 Cards_Galeria_de_Fotos (6) A Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), agência internacional dedicada a melhorar as condições de saúde dos países das Américas, destinou lotes de doses da vacina contra a varíola dos macacos a diversas nações, incluindo o Brasil. Segundo especialistas, o esquema vacinal dos imunizantes é de duas doses com intervalo de cerca de 30 dias entre elas Jackyenjoyphotography/ Getty Images ******Foto-variola-dos-macacos.jpg Concebida para agir contra a varíola humana, erradicada na década de 1980, a vacina contra a condição também serve para evitar a contaminação pela varíola dos macacos, por serem doenças muito parecidas koto_feja/ Getty Images ******Foto-variola-dos-macacos.jpg Tanto o vírus causador da varíola humana quanto o causador da varíola dos macacos fazem parte da família “ortopoxvírus”. A vacina, portanto, utiliza um terceiro vírus desta família, que, além de ser geneticamente próximo aos supracitados, é inofensivo aos humanos e ajuda a combater as doenças, o vírus vaccinia Wong Yu Liang/ Getty Images ******Foto-variola-dos-macacos.jpg Homens que fazem sexo com outros homens e as pessoas que tiveram contato próximo com um paciente infectado foram consideradas prioritárias para o recebimento das doses Jackyenjoyphotography/ Getty Images ******Foto-variola-dos-macacos.jpg Atualmente, existem duas vacinas em uso contra a varíola dos macacos no mundo: a Jynneos, fabricada pela farmacêutica dinamarquesa Bavarian Nordic, e a ACAM2000, fabricada pela francesa Sanofi Jackyenjoyphotography/ Getty Images ******Foto-variola-dos-macacos.jpg A Jynneos é administrado como duas injeções subcutâneas (0,5 mL) com 28 dias de intervalo. A resposta imune leva 14 dias após a segunda dose A Mokhtari/ Getty Images ******Foto-variola-dos-macacos.jpg A ACAM2000 é administrado como uma dose percutânea por meio de técnica de punção múltipla com agulha bifurcada. A resposta imune leva 4 semanas David Talukdar/Getty Images ******Foto-variola-dos-macacos.jpg A vacinação contra a varíola dos macacos é uma estratégia indicada tanto para a prevenção e defesa quanto para ensinar o corpo a combater o vírus antes de uma infecção bymuratdeniz/ Getty Images ******Foto-variola-dos-macacos.jpg Entre os sintomas da condição estão: febre, dor de cabeça, dor no corpo e nas costas, inchaço nos linfonodos, exaustão e calafrios. Também há bolinhas que aparecem no corpo inteiro (principalmente rosto, mãos e pés) e evoluem, formando crostas, que mais tarde caem Isai Hernandez / Getty Images ******Foto-variola-dos-macacos-1.jpg A transmissão do vírus ocorre, principalmente, por meio do contato com secreções respiratórias, lesões de pele das pessoas infectadas ou objetos que tenham sido usados pelos pacientes. Até aqui, não há confirmação de que ocorra transmissão via sexual, mas a hipótese está sendo levantada pelos cientistas Sebastian Condrea/ Getty Images ******Foto-variola-dos-macacos.jpg O período de incubação do vírus varia de sete a 21 dias, mas os sintomas, que podem ser muito pruriginosos ou dolorosos, geralmente aparecem após 10 dias KATERYNA KON/SCIENCE PHOTO LIBRARY/ Getty Images Voltar Progredir 0 Siga a editoria de Saúde no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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