Marcapasso cerebral personalizado reduz sintomas do Parkinson em 50% Ouvir 21 de agosto de 2024 Um estudo publicado na revista Nature Medicine, na segunda-feira (19/8), mostra que a evolução de um dispositivo cerebral semelhante a um marcapasso pode reduzir pela metade o tempo em que pacientes com Parkinson apresentam os sintomas da doença. A estimulação cerebral profunda adaptativa (aDBS) é uma melhoria da estimulação cerebral profunda (DBS), técnica amplamente usada em pacientes com Parkinson. O novo modelo responde a mudanças nos sinais cerebrais dos pacientes, ajustando a quantidade de estímulos elétricos ao longo do dia de acordo com a necessidade de cada indivíduo. “Este estudo marca um grande passo à frente em direção ao desenvolvimento de um sistema de estimulação cerebral profunda adaptativa (aDBS) que se adapta ao que o paciente individual precisa em um dado momento”, afirmou a médica Megan Frankowski, em comunicado à imprensa. Ela é diretora da iniciativa Brain Research Through Advancing Innovative Neurotechnologies (Brain), que ajudou a financiar o projeto. Leia também Saúde Parkinson: vídeo mostra fim dos tremores em homem após uso de remédios Saúde Ansiedade após os 50 anos pode ser sinal precoce de Parkinson Saúde “Acharam que era estresse”, desabafa mulher de 35 anos com Parkinson Saúde Pessoas com ansiedade têm o dobro do risco de desenvolver Parkinson Frankowski explica que, ao ajudar a controlar os sintomas sem agravar outros, o sistema tem potencial para melhorar a qualidade de vida de pessoas que vivem com Parkinson. O tratamento convencional do Parkinson geralmente é feito com levodopa, um medicamento usado para repor a dopamina no cérebro. Os dispositivos de estimulação cerebral profunda são usados em casos mais graves, eles ajudam a suavizar as flutuações da quantidade do medicamento no organismo ao longo do dia, fornecendo maior estimulação quando os níveis do remédio estão muito altos ou baixos. O levodopa atinge o pico logo após a administração do medicamento e diminui gradualmente à medida que é metabolizado pelo corpo. O estudo foi feito por pesquisadores da Universidade da Califórnia, em São Francisco, com financiamento do Instituto Nacional da Saúde dos Estados Unidos (NIH, na sigla em inglês). 8 imagens Fechar modal. 1 de 8 Parkinson é uma doença neurológica caracterizada pela degeneração progressiva dos neurônios responsáveis pela produção de dopamina KATERYNA KON/SCIENCE PHOTO LIBRARY/ Getty Images 2 de 8 Esse processo degenerativo das células nervosas pode afetar diferentes partes do cérebro e, como consequência, gerar sintomas como tremores involuntários, perda da coordenação motora e rigidez muscular Elizabeth Fernandez/ Getty Images 3 de 8 Outros sintomas da doença são lentidão, contração muscular, movimentos involuntários e instabilidade da postura izusek/ Getty Images 4 de 8 Em casos avançados, a doença também impede a produção de acetilcolina, neurotransmissor que regula a memória, aprendizado e o sono SimpleImages/ Getty Images 5 de 8 Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), apesar de a doença ser conhecida por acometer pessoas idosas, cerca de 10% a 15% dos pacientes diagnosticados têm menos de 50 anos Ilya Ginzburg / EyeEm/ Getty Images 6 de 8 Não se sabe ao certo o que causa o Parkinson, mas, quando ocorre em jovens, é comum que tenha relação genética. Neste caso, os sintomas progridem mais lentamente, e há uma maior preservação cognitiva e de expectativa de vida Visoot Uthairam/ Getty Images 7 de 8 O diagnóstico é médico e exige uma série de exames, tais como: tomografia cerebral e ressonância magnética. Para pacientes sem sintomas, recomenda-se a realização de tomografia computadorizada para verificar a quantidade de dopamina no cérebro JohnnyGreig/ Getty Images 8 de 8 O Parkinson não tem cura, mas o tratamento pode diminuir a progressão dos sintomas e ajudar na qualidade de vida. Além de remédio, é necessário o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar. Em alguns casos, há possibilidade de cirurgia no cérebro Andriy Onufriyenko/ Getty Images Implante cerebral adaptado melhora sintomas do Parkinson O tratamento de estimulação cerebral profunda é feito com a implantação de fios finos (eletródos) em locais específicos do cérebro para a transmissão de sinais elétricos. O dispositivo convencional (DBS) fornece um nível constante de estimulação, o que pode levar a efeitos colaterais indesejados porque o cérebro nem sempre precisa da mesma intensidade de tratamento. Já o modelo mais moderno usa dados obtidos diretamente do cérebro de um paciente. Com o aprendizado de máquina da inteligência artificial (IA), ele consegue ajustar o nível de estimulação em tempo real. Para testar a técnica, os pesquisadores selecionaram quatro pacientes que já usavam um dispositivo de estimulação cerebral profunda (DBS). Eles foram questionados sobre quais eram os sintomas mais incômodos que persistem apesar do tratamento. A maioria dos pacientes se queixou de movimentos involuntários ou da dificuldade em iniciar um movimento. Depois disso, eles foram preparados para receber a combinação do DBS com a estimulação cerebral profunda adaptativa (aDBS). Depois de treinar o algoritmo do aDBS por vários meses, os participantes foram enviados para casa, onde os tratamentos foram alternados a cada dois a sete dias sem que fossem informados, para comparação. Os resultados mostraram que a técnica adaptada melhorou o sintoma mais incômodo de cada participante em aproximadamente 50% em comparação com o modelo convencional. Embora não tenham sido informados sobre o tipo de tratamento que estavam recebendo, três dos quatro participantes conseguiram adivinhar com frequência quando estavam com a estimulação adaptada ativada devido à melhora perceptível dos sintomas. Siga a editoria de Saúde no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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