“Abdômen hostil”: entenda termo usado por médico de Bolsonaro Ouvir 15 de abril de 2025 O cirurgião Claudio Birolini, responsável pela operação de Jair Bolsonaro (PL), realizada no domingo (13/4), afirmou que o quadro do ex-presidente é complexo e que o procedimento não resolveu definitivamente seus problemas intestinais. A cirurgia, que durou 12 horas, foi feita para tratar uma obstrução intestinal e reconstruir a parede abdominal. “Um paciente que tem um abdômen hostil, por mais que você solte tudo, essas aderências vão se formar”, informou Birolini em entrevista no Hospital DF Star, em Brasília, na segunda-feira (14/4). Segundo ele, a parede abdominal de Bolsonaro está bastante danificada por conta de cirurgias anteriores. Bolsonaro internado O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi internado na manhã da última sexta-feira (11/4), após sentir fortes dores abdominais. No domingo (13/4), ele foi submetido a uma cirurgia que durou 12 horas. O procedimento teve como objetivo liberar as aderências intestinais e reconstruir a parede abdominal. Desde o episódio da facada, em setembro de 2018, durante um comício em Minas Gerais que promovia sua campanha eleitoral, o ex-presidente passou por 11 hospitalizações, a maioria relacionada ao sistema digestivo. O que é abdômen hostil? O termo “abdômen hostil” é usado por médicos para descrever uma cavidade abdominal com anatomia alterada, que se torna tecnicamente difícil de mexer em novas cirurgias. Segundo o coloproctologista Danilo Munhoz, da clínica DuoProcto, em Brasília, isso acontece quando o abdômen passa a apresentar cicatrizes internas após procedimentos anteriores ou processos inflamatórios. Essas cicatrizes — chamadas de aderências ou bridas — colam órgãos e tecidos que, em condições normais, estariam separados. “O abdômen hostil exige não apenas conhecimento técnico, mas também uma habilidade refinada, um olhar treinado e uma grande dose de paciência. Os planos anatômicos naturais desaparecem e os órgãos ficam colados uns aos outros. Isso aumenta muito o risco de perfurações acidentais e sangramentos”, destaca Munhoz. Leia também Brasil Vídeo: após cirurgia, ex-presidente Bolsonaro caminha pelo hospital Brasil Bolsonaro tem quadro clínico estável e sem dores, diz boletim Brasil Desde a facada, Bolsonaro sofreu 11 hospitalizações. Veja histórico Brasil Apoiadores transformam vigília por Bolsonaro em “novo acampamento” O risco das aderências As aderências são faixas de tecido cicatricial que se formam entre órgãos e estruturas internas após uma cirurgia ou inflamação abdominal. Em vez de cicatrizar de forma organizada, o corpo forma ligações fibrosas que podem dificultar o trânsito intestinal, causar dor, distensão e, em casos mais graves, levar a uma nova obstrução. “Como ele já passou por diversas cirurgias, o tecido está mais sensível e propenso a formar novas bridas. Infelizmente, essa é uma resposta natural do organismo ao trauma cirúrgico, mesmo quando tudo é feito com a melhor técnica possível”, explica Munhoz. O especialista aponta que é justamente por isso que o acompanhamento médico no pós-operatório é tão importante. “A presença de dor abdominal recorrente ou alterações no ritmo intestinal pode indicar a necessidade de nova investigação. Cada caso precisa ser acompanhado com atenção individualizada e constante vigilância clínica”, destaca. Quando a distensão é sinal de alerta Bolsonaro foi internado na última sexta-feira (11/4), após relatar fortes dores abdominais. A distensão abdominal — que é o inchaço visível na região da barriga — foi um dos sinais que levaram à hospitalização. De acordo com o cirurgião do aparelho digestivo Arnaldo Nacarato, do Hospital Brasília Águas Claras, a condição pode ter diferentes causas, mas, em casos como o de Bolsonaro, costuma estar associada à obstrução intestinal. “Além do inchaço, sintomas como vômitos, enjoo, prisão de ventre e até a incapacidade de eliminar gases indicam a gravidade do quadro. Enquanto os casos leves podem ser tratados apenas com medicamentos, os mais graves — como o do ex-presidente — exigem intervenção cirúrgica para resolver o bloqueio”, explica. É possível evitar novas aderências? Embora não seja possível impedir completamente a formação de aderências, técnicas minimamente invasivas como a laparoscopia ou a cirurgia robótica têm ajudado a reduzir o risco. “Essas abordagens causam menos trauma nos tecidos e diminuem a inflamação, o que pode resultar em menos bridas no futuro”, afirma Munhoz. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e no Canal do Whatsapp e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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