“Barriga de chope” pode sinalizar risco cardíaco precoce, diz estudo Ouvir 5 de dezembro de 2025 A forma como a gordura se distribui no corpo pode dizer mais sobre o risco cardíaco do que o peso mostrado na balança. Essa é a conclusão de um estudo com 2.183 adultos entre 45 e 74 anos (43% mulheres), apresentado no congresso anual da Sociedade Radiológica da América do Norte (RSNA), que ocorreu de 30 de novembro a 4 de dezembro. Os participantes não tinham histórico de doença cardiovascular, o que permitiu aos pesquisadores avaliar alterações sutis no coração antes de qualquer diagnóstico clínico. O objetivo do estudo foi comparar duas medidas diferentes: o IMC, que avalia o peso total, e a relação cintura-quadril, que indica onde a gordura está acumulada. A equipe queria entender se a gordura localizada na barriga — muitas vezes chamada de obesidade abdominal ou “barriga de chope”— teria impacto próprio sobre a estrutura cardíaca. Para isso, todos os participantes passaram por exames detalhados de ressonância magnética do coração. Os pesquisadores analisaram, principalmente, a massa do ventrículo esquerdo, os volumes das cavidades cardíacas e outras medidas que mostram como o coração se adapta a diferentes condições metabólicas. Leia também Nutrição Gordura abdominal: 5 alimentos para acabar com a “barriguinha” Saúde Ter mais músculo e menos gordura abdominal ajuda a preservar o cérebro Vida & Estilo Chá antioxidante cuida do fígado e ajuda a reduzir gordura abdominal Vida & Estilo Três alimentos que você deve cortar para perder gordura abdominal Os resultados mostram que a gordura abdominal está associada a um padrão específico de remodelação do coração. A cada aumento de 0,1 ponto na relação cintura-quadril, os pesquisadores observaram: Aumento da massa do ventrículo esquerdo, indicando espessamento do músculo cardíaco. Redução dos volumes diastólicos dos ventrículos, o que significa que o coração passa a acomodar menos sangue a cada batida. As alterações apareceram mesmo em pessoas sem qualquer doença cardíaca conhecida, o que sugere que a obesidade abdominal pode influenciar o coração de forma silenciosa e precoce. Esse tipo de remodelação — músculo mais espesso e cavidades menores — é considerado mais preocupante porque costuma anteceder o surgimento de sintomas. IMC tem efeitos diferentes no risco cardíaco Já o IMC elevado, por outro lado, não apresentou o mesmo padrão. Pessoas com peso total mais alto, mas sem grande acúmulo de gordura abdominal, mostraram mudanças diferentes nas imagens cardíacas, sem o mesmo tipo de espessamento muscular. Isso reforça que duas pessoas com o mesmo peso podem ter riscos muito distintos, dependendo de onde a gordura está localizada. O estudo também identificou diferenças entre homens e mulheres. Embora ambos os sexos apresentassem alterações ligadas à gordura abdominal, os efeitos foram mais fortes nos homens, possivelmente devido a padrões típicos de acumulação de gordura na região central do corpo. Os autores destacam que esses achados não provam uma relação de causa e efeito. Ou seja, não significa que toda pessoa com gordura abdominal vai desenvolver doença cardíaca. Por ser um estudo observacional, ele mostra associações, não determina resultados inevitáveis. Ainda assim, o fato de essas alterações surgirem antes de sintomas preocupa os especialistas. Por isso, os pesquisadores defendem que a avaliação do risco cardiovascular inclua, além do IMC, medidas simples como a circunferência da cintura e a relação cintura-quadril. Segundo eles, esses parâmetros podem ajudar a identificar quem tem maior probabilidade de desenvolver sobrecarga cardíaca no futuro. As recomendações continuam valendo: alimentação equilibrada, atividade física regular e acompanhamento médico são medidas que reduzem tanto o acúmulo de gordura abdominal quanto o risco de alterações cardíacas. Mas, com os novos dados, acompanhar o aumento da circunferência da cintura ganha ainda mais relevância para detectar riscos precoces. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
Judicialização gastou até 100% da verba da saúde em 250 cidades 8 de junho de 2024 O número de ações judiciais no campo da saúde segue em curva ascendente. Entre 2022 e 2023, houve um aumento de 21,3%, de acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A projeção é de 685 mil novas ações até dezembro de 2024, o que representa mais 20% em relação… Read More
Jovem de 22 anos sofre ataque cardíaco confundido com crise de pânico 29 de setembro de 2024 Aos 22 anos de idade, a professora de educação física britânica Faith Harrison voltava de uma partida de hockey quando começou a se sentir estranha. Ela lembra que se sentia meio “dura”, com frio e agitada, mas não deu importância aos sintomas. “Meia hora depois, enquanto eu estava dirigindo, senti… Read More
Notícias Estudo: mais de 40% dos médicos brasileiros têm transtornos mentais 17 de setembro de 2025 Um levantamento realizado pelo Afya revelou que 39,8% dos médicos brasileiros apresentam transtornos mentais, como ansiedade, depressão ou síndrome de burnout. O estudo, chamado Qualidade de vida dos médicos, foi conduzido pelo centro de pesquisa da instituição e ouviu mais de dois mil profissionais entre julho e agosto de 2024…. Read More