Caso raro de chikungunya fora de zonas tropicais acende alerta global Ouvir 25 de outubro de 2025 Uma mulher de 60 anos, moradora de Long Island, no norte dos Estados Unidos, foi diagnosticada com chikungunya — uma doença viral transmitida por mosquitos e considerada típica de regiões tropicais. O caso chamou a atenção de autoridades de saúde porque ocorreu em uma área de clima frio, onde o vírus raramente circula. A paciente apresentou febre alta, dores intensas nas articulações e erupções na pele — sintomas clássicos da infecção causada pelo vírus chikungunya. Segundo os relatos, ela não havia viajado recentemente para o exterior, o que indica que a transmissão ocorreu localmente. O episódio foi confirmado por autoridades de saúde pública de Nova York e é o primeiro caso originário registrado na região. Especialistas afirmam que esse tipo de ocorrência, antes improvável em lugares de clima temperado, está se tornando mais comum à medida que o planeta aquece. O aumento das temperaturas, somado à mobilidade internacional e à adaptação dos mosquitos vetores, favorece o avanço de doenças como dengue, zika e chikungunya para áreas antes consideradas seguras. Leia também Saúde EUA suspende vacina contra chikungunya após efeitos colaterais graves Saúde OMS alerta para risco global de surto do vírus chikungunya São Paulo Diretor do Butantan fala em erradicar chikungunya no Brasil com vacina Saúde Coronavírus, chikungunya, dengue: de onde vêm os nomes das doenças? Clima: uma nova realidade A infectologista Larissa Tiberto explica que o surgimento de uma doença tipicamente tropical em uma região fria como Long Island pode ser explicado por três fatores principais: a presença dos vetores apropriados — especialmente os mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus —, a adequação climática temporária ou sazonal e a introdução do vírus em uma população com baixa imunidade. “As mudanças climáticas ampliam a estação de transmissão e reduzem a mortalidade invernal do mosquito, o que pode transformar surtos esporádicos em transmissão recorrente”, observa. Segundo ela, fenômenos como invernos mais quentes e chuvas irregulares criam ambientes ideais para a reprodução dos mosquitos, mesmo em cidades afastadas do clima tropical. O aumento de recipientes com água parada, o armazenamento incorreto de pneus e entulhos e a baixa adesão ao uso de repelentes também estão entre os fatores comportamentais que ampliam o risco de disseminação. Doenças tropicais ganham terreno Além da chikungunya, outras doenças transmitidas por vetores preocupam especialistas. “Dengue, zika, febre do Nilo Ocidental e até a malária vêm sendo registradas fora das zonas tropicais. A França e a Alemanha, por exemplo, já notificaram casos locais de dengue e zika em 2025”, alerta o médico infectologista Marcelo Daher, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia. O maior risco está na presença consolidada dos mosquitos em novas regiões. “Quando o vetor se estabelece, basta a entrada de uma pessoa infectada para que o vírus se propague. O mosquito pica o viajante doente, se infecta e passa a transmitir localmente”, afirma Daher. De acordo com Larissa, países desenvolvidos têm uma boa estrutura de vigilância epidemiológica, mas ainda enfrentam desafios. “A vigilância é majoritariamente passiva, depende de suspeição clínica e testagem oportuna, o que pode subestimar casos e atrasar respostas”, afirma. Ela reforça que é essencial fortalecer a triagem laboratorial e a comunicação de risco. A infectologista Eveline Vale acrescenta que o aquecimento global e o aumento da mobilidade humana internacional ampliam as zonas de risco. “Viajantes infectados podem introduzir o vírus em áreas antes livres da doença, e os próprios vetores podem ser transportados por avião ou navios. Além disso, o desequilíbrio ambiental e a falta de saneamento favorecem a proliferação dos mosquitos”, pontua. Uso regular de repelente pode ajudar os viajantes a evitar picadas do mosquito transmissor da chikungunya e de outras doenças Vírus e vetores mais adaptados Segundo os especialistas, o problema não se limita aos mosquitos. As mudanças climáticas alteram tanto o comportamento dos vetores quanto dos próprios vírus e parasitas. Temperatura e umidade encurtam o período de incubação do vírus no mosquito e aumentam a frequência das picadas. Outro fator é que mutações recentes no vírus da chikungunya aumentaram sua capacidade de ser transmitido por Aedes albopictus, espécie que resiste melhor ao frio, facilitando surtos fora dos trópicos. Prevenção continua sendo a chave Apesar do cenário de alerta, a prevenção continua sendo a principal arma contra o avanço da doença. É fundamental eliminar criadouros, descartar água acumulada em vasos, calhas e pneus, além de usar repelentes e telas em portas e janelas. É recomendado ainda que viajantes fiquem atentos aos sintomas após passagens por áreas com transmissão ativa. Febre alta e dor articular súbita devem ser investigadas. Em locais onde houver recomendação, deve-se considerar a vacinação quando disponível e acompanhar os alertas das autoridades de saúde. O caso da moradora de Long Island é um sinal claro de que o aquecimento global e a expansão dos mosquitos vetores estão mudando o mapa das doenças infecciosas no mundo. O que antes era considerado “tropical” começa a se tornar uma preocupação global — até mesmo em regiões de clima frio, como o norte dos Estados Unidos. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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