Cientistas criam IA capaz de prever mortes com 78% de precisão Ouvir 4 de maio de 2025 As inteligências artificiais (IAs) vêm ganhando usos cada vez mais inusitados, mas poucos tão mórbidos quanto este: cientistas da Dinamarca e dos Estados Unidos desenvolveram o life2vec, um algoritmo capaz de prever com 78% de precisão a morte de uma pessoa. A tecnologia analisa sequências de eventos da vida para estimar a longevidade humana. Há fatores que somam anos à expectativa, como a prática regular de exercícios, e outros que reduzem, como o tabagismo frequente. Leia também Brasil Expectativa de vida no Brasil vai a 75,5 anos após queda na pandemia Saúde Visite seus avós: companhia aumenta a expectativa de vida de idosos Saúde Reduzir consumo de calorias por dia pode aumentar expectativa de vida Saúde Estudo sugere que restrição de oxigênio aumenta expectativa de vida Embora tenha sido apresentada na Nature Computational Science como umpasso significativo na análise de dados de saúde, ainda há quem tema que aferramenta possa ser usada por empresas de saúde prejudicando os usuários. A tecnologia, que ainda está em fase de desenvolvimento, não gerou nenhum site de cadastro, embora muitas calculadoras on-line tenham se aproveitado do nome dela para surfar em sua popularidade. Como foi feita a pesquisa? Liderada pelo professor Sune Lehmann, a pesquisa superou as limitações dos modelos tradicionais de análise de dados em saúde, aumentando em 11% a precisão em relação às calculadoras anteriores. O sistema trabalha com uma base de dados de mais de seis milhões de pessoas, analisando variáveis como educação, saúde, renda, profissão e endereço. Ter rendimentos mais altos ou ocupar cargos de liderança, por exemplo, tende a estar associado a uma vida mais longa. Cada um desses fatores recebe um código no conjunto de dados dinamarquês — como S52 para antebraço quebrado ou IND4726 para quem trabalha em uma tabacaria — que a equipe traduziu em “palavras” para o algoritmo. Isso tornou os questionários extremamente complexos. Para prever a longevidade de alguém, a equipe utilizou dados de janeiro de 2008 a dezembro de 2015 de um grupo de pessoas entre 35 e 65 anos de idade. O sistema precisava prever quem ainda estaria vivo quatro anos após 2016. Em 2021, foram selecionadas aleatoriamente 100 mil pessoas desse grupo — metade já falecida, metade ainda viva — e o algoritmo acertou o prognóstico em 78% dos casos. Qual a utilidade desta inteligência artificial? O objetivo do programa não é ser uma simples calculadora de morte, como aquelas de sites que capturam dados pessoais. Segundo os autores, também não se trata de criar ferramentas para planos de saúde ou seguros de vida. A proposta é usar os resultados para planejar políticas públicas de saúde e demografia a longo prazo, a partir de amostragens de determinadas populações. “Nosso objetivo é de que os dados sejam utilizados para prever resultados de saúde pública, como detecção precoce de insuficiência cardíaca, efeitos colaterais de medicamentos prescritos e mortalidade hospitalar. Estamos trabalhando em maneiras de compartilhar o modelo com comunidades de pesquisa mais amplas, mas não podemos correr o risco de vazar dados e precisamos fazer mais pesquisas antes de podermos fazer isso”, afirma a equipe criadora da life2vec em comunicado à imprensa. A equipe, liderada pelo professor Sune Lehmann Jørgensen da Universidade Técnica da Dinamarca, observou que, como o modelo foi treinado exclusivamente com dados da Dinamarca, os resultados podem não ser tão precisos para pessoas de outros países. Siga a editoria de Saúde no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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