Entenda como os hábitos modernos prejudicam a saúde do seu intestino Ouvir 9 de dezembro de 2025 O ritmo acelerado das cidades transformou completamente a forma como as pessoas comem, dormem e lidam com o próprio corpo. Com prazos curtos, excesso de telas e refeições feitas às pressas, o intestino se tornou um dos órgãos que mais sofrem os efeitos da vida contemporânea. As consequências aparecem em sintomas como distensão, dor abdominal, constipação, diarreia e sensação de digestão lenta. O intestino é considerado o “segundo cérebro” do corpo e, por isso, reage aos estímulos externos com muita sensibilidade. Leia também Nutrição Semente poderosa ajuda a prevenir anemia e melhora a saúde intestinal Claudia Meireles Saúde intestinal: 3 frutas que ajudam a combater a prisão de ventre Vida & Estilo Kefir, kombucha e dois chás aliados da saúde intestinal Saúde Ouro branco: alimentos que reforçam a saúde intestinal e imunidade Alimentação apressada e ultraprocessados O cardápio baseado em fast food, temperos industrializados e produtos ultraprocessados reduziu a variedade de nutrientes ingeridos. Esses alimentos têm baixa quantidade de fibras e grande concentração de aditivos, o que altera o pH intestinal e empobrece a diversidade de microrganismos úteis. Sem fibras suficientes, as bactérias benéficas deixam de produzir substâncias que mantêm o cólon saudável, enquanto os compostos artificiais inflamam a mucosa e tornam a barreira intestinal mais aberta do que o ideal — um quadro chamado de aumento da permeabilidade intestinal. “Hoje vemos um padrão alimentar que combina velocidade, alto teor calórico e pouca qualidade nutricional. Esse conjunto empobrece a flora intestinal e altera a maneira como o intestino se movimenta, porque ele precisa se adaptar a estímulos cada vez mais artificiais”, explica o gastroenterologista Alexandre Fontoura Bezerra, da clínica Selecta Vie, em Brasília. A monotonia também se tornou um fator importante. Comer sempre as mesmas opções, muitas vezes de baixa qualidade, diminui ainda mais a diversidade bacteriana. O resultado é um intestino mais sensível, suscetível a gases, irregularidade nas evacuações e desconforto após as refeições. Alimentação baseada em fast food e produtos prontos empobrecem a microbiota e deixam a barreira do intestino mais vulnerável Estresse contínuo e excesso de telas O corpo responde ao estresse ativando as áreas cerebrais ligadas à vigilância e à ansiedade — as regiões acabam ficando hiperativas e interferindo nos comandos enviados ao intestino. Essa desorganização faz o órgão mudar de ritmo e pode acelerar demais o trânsito intestinal, favorecer episódios de diarreia ou ficar mais lento e sujeito à constipação. Em muitas pessoas, o resultado aparece como maior sensibilidade abdominal e sinais compatíveis com a síndrome do intestino irritável. A falta de sono entra como outro agravante: com noites curtas ou fragmentadas, o organismo perde parte da coordenação responsável pelo ciclo digestivo. O intestino reage ficando mais preso, distendido e propenso à dor. “O intestino funciona como um ecossistema delicado, e ele depende de regularidade. Sempre que a alimentação muda de forma abrupta ou as refeições são feitas sob estresse, as bactérias boas não conseguem se estabelecer e o organismo passa a reagir com instabilidade”, afirma o nutricionista Thyago Nishino, de São Paulo. Uso recorrente de medicamentos Outro fator que agrava a saúde do intestino é o uso excessivo e indevido de medicamentos. O consumo frequente de antibióticos reduz a diversidade da microbiota, enfraquece a barreira protetora natural e cria condições para que organismos indesejados se multipliquem com mais facilidade. Os medicamentos usados para controlar a produção de ácido também podem causar efeitos importantes. Sem o acompanhamento adequado, eles alteram o pH e interferem no movimento do intestino, favorecendo episódios de desconforto. Antiácidos simples costumam provocar impactos menores, mas o uso repetido de qualquer tipo de medicamento tende a afetar a estabilidade da flora intestinal e a resposta do sistema digestivo como um todo. Sinais de que o intestino está sobrecarregado As alterações nas fezes geralmente aparecem antes de qualquer outro sintoma. Odor mais intenso que o habitual, presença de muco, fragmentação ou a oscilação entre diarreia e prisão de ventre são indícios de que o intestino começou a responder ao ritmo acelerado da rotina. Além dessas mudanças, também surgem gases em excesso, dor abdominal recorrente e sensação persistente de estufamento. Esse conjunto de sintomas indica que o sistema digestivo está enfrentando dificuldade para manter seu equilíbrio e já sente os impactos dos hábitos modernos. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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