Estudo de CAR-T brasileiro elimina todo o câncer de 72% dos pacientes Ouvir 11 de dezembro de 2025 Um estudo realizado no Einstein Hospital Israelita mostrou resultados promissores da primeira terapia de CAR-T brasileira para eliminar células de câncer. A técnica é uma das mais precisas e avançadas para combater tumores e foi totalmente desenvolvida, produzida e aplicada no país em estudo conduzido entre 2023 e 2024. Os resultados apresentados no sábado (6/12) e divulgados na revista Blood mostram a progressão de 11 pacientes com cânceres do sangue avançados e que já não tinham resposta em outras intervenções. Após o tratamento, realizado em colaboração com o Ministério da Saúde, 81% dos pacientes responderam positivamente à terapia e 72% alcançaram a remissão completa. “Eu diria que é um marco histórico para a oncologia e a hematologia brasileiras. Com a fabricação nacional deixamos de ser apenas compradores de tecnologia importada e passamos a produzir conhecimento e produto de alto valor agregado. Mostramos também que é possível fazer CAR-T com qualidade, segurança e eficácia em um sistema de saúde com recursos limitados como o de nosso país”, afirma o hematologista Nelson Hamerschlak, líder do estudo. Leia também Saúde Terapia CAR-T é segura e não aumenta risco de câncer a longo prazo Saúde Recorde: jovem está há 19 anos em remissão de câncer com terapia CAR-T Saúde Dieta pode melhorar resposta ao tratamento de câncer com células CAR-T Saúde CAR-T é esperança para longevidade de pacientes com mieloma múltiplo Tecnologia e limitações anteriores O CAR-T é um tipo de imunoterapia personalizada usada principalmente no tratamento de cânceres do sangue. Ele utiliza células de defesa do paciente, as células T, que são coletadas e modificadas em laboratório para que reconheçam tumores e destruam células doentes com maior eficiência. Apesar de mostrar capacidade de gerar remissões profundas em cânceres hematológicos avançados, a tecnologia enfrenta barreiras no Brasil. O custo da versão importada alcança valores superiores a R$ 2 milhões por pacientes e exige envio das células para Estados Unidos ou Europa em uma logística complexa e cara. A produção nacional busca romper esse obstáculo. A equipe do CAR-T do Einstein tratou 11 pacientes entre 9 e 69 anos. A metade apresentava linfomas de células B. Os demais tinham leucemia linfóide aguda ou leucemia linfóide crônica. Graças à fabricação nacional, o período entre coleta e infusão foi de 22 dias, metade da média, e a taxa de sucesso na produção de células de defesa melhoradas manufatura foi de 100%. As células modificadas permaneceram ativas por até um ano. A persistência evidencia estabilidade da terapia na circulação. Os efeitos colaterais seguiram padrões conhecidos. A maioria dos pacientes apresentou febre e inflamação. Parte relatou confusão ou sonolência, mas todos os sintomas foram controlados com intervenção médica e desapareceram após manejo. Impacto no acesso brasileiro A produção local diminui o risco clínico associado à espera pelo retorno das células tratadas. Hamerschlak avalia que o avanço abre caminho para modelos de acesso ampliado, incluindo até o uso potencial no Sistema Único de Saúde (SUS). “A construção de uma rede nacional é o verdadeiro legado deste estudo. Com ele, o Einstein deve se integrar em rede de cooperação com Butantan, USP-Ribeirão, UFCE, FIOCRUZ/INCA e outros centros, gerando um ecossistema brasileiro de inovação em terapia celular. Esse conjunto de aprendizados deve orientar as próximas fases de pesquisa clínica, os estudos em mieloma, novas gerações de CAR-T e, principalmente, a incorporação responsável dessa tecnologia no sistema de saúde brasileiro”, afirma o líder da pesquisa. O Ministério da Saúde, porém, informa que não há previsão para incorporação do CAR-T ao SUS. “Qualquer incorporação depende primeiro do registro do produto na Anvisa e, depois, de análise da Conitec, que avalia eficácia, segurança e custo-efetividade antes de aprovar novas tecnologias para o sistema público”, diz a pasta. O programa recebeu R$ 31,9 milhões do Ministério da Saúde, um feito raro já que são poucos os mecanismos para apoiar terapias avançadas que estejam em fase inicial de desenvolvimento. A equipe trabalha na fase II do programa, prevista para 2026 ou 2027. Notícias
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