Menino é o 1º do mundo a usar técnica CRISP contra anemia falciforme Ouvir 6 de maio de 2024 Um menino de 12 anos dos Estados Unidos iniciou, na última quarta-feira (1º/5), uma terapia gênica que pode curá-lo da anemia falciforme. Pessoas com a condição produzem glóbulos vermelhos em um formato diferente do habitual, o que acaba atrapalhando a oxigenação do corpo, prejudicando a qualidade de vida e levando à morte prematura. Kendric Cromer é o primeiro paciente do mundo a usar o medicamento Lyfgenia. A medicação usa células-tronco do próprio paciente, que serão “editadas” pelo método CRISP. Após a “edição”, as células-tronco são reinfusionadas no paciente e deverão ser capazes de orientar a produção de células normais. O tratamento foi aprovado pela Food and Drug Administration (FDA), em dezembro de 2023. Antes dele, a única possibilidade de cura era um transplante de medula. Leia também Saúde CRISPR: edição genética para tratar anemia falciforme avança Distrito Federal Falta de remédio para anemia falciforme afeta 612 pacientes no DF Saúde Anemia falciforme: exercício leve pode ser aliado no combate da doença Celebridades Influencer Jeane Passos morre após internação por anemia falciforme “Ver pessoas que vivem com doença falciforme receberem terapia genética no mundo real é um sonho feito realidade”, diz Andrew Obenshain, presidente da bluebird bio, a start-up farmacêutica que criou a medicação. As células de Kendric foram coletadas no Children’s National Hospital, em Washington, capital dos Estados Unidos e receberam modificações em laboratório por quase 30 dias, antes de serem reintroduzidas no corpo dele. Anemia falciforme A anemia falciforme é uma doença genética que altera os glóbulos vermelhos do sangue, também chamadas de hemácias. Responsáveis por transportar o oxigênio ao corpo, elas tem um formato semelhante ao de uma bacia. Nas pessoas com a doença, essas células têm formato de foice, o que impede o oxigênio de ser transportado corretamente. No Brasil, 1 a cada 650 nascidos vive com a condição, que é especialmente frequente em pessoas com ascendência negra. CRISPR: edição de genes promete curar anemia falciforme e põe outras doenças na mira Em entrevista anterior ao Metrópoles, o médico brasileiro Bruno Solano, que trabalhou desenvolvendo parte da pesquisa para os tratamentos de anemia falciforme com CRISPR explicou como o remédio funciona. “No caso da anemia falciforme, o que fazemos é reativar caminhos do DNA que orientam a produção de hemácias com o gene da hemoglobina fetal. Quando somos fetos, produzimos um tipo diferente de hemoglobina em nossos glóbulos vermelhos, que não é afetado pela anemia falciforme. Ao editar o DNA, fazemos o corpo voltar a produzi-los da maneira embrionária e evitar a formação da hemácia defeituosa”, disse Solano. O tratamento usado com Kendrik ainda não tem aprovação no Brasil. O remédio é indicado nos EUA para pacientes com 12 anos ou mais com doença falciforme. Em alguns casos nos ensaios clínicos, o remédio levou a um maior risco de câncer hematológico, com 2 pacientes desenvolvendo leucemia, o que obriga as pessoas tratadas com Lyfgenia a serem monitoradas a cada 6 meses. Siga a editoria de Saúde no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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