Nanopartícula de ouro consegue reverter efeitos do Parkinson em ratos Ouvir 16 de janeiro de 2025 Pesquisadores do Centro Nacional de Nanociência e Tecnologia da China (NCNST) desenvolveram um método inovador que conseguiu reverter danos causados pela doença de Parkinson em camundongos. Utilizando nanopartículas de ouro, o estudo mostrou que é possível estimular as células cerebrais produtoras de dopamina e restaurar parte dos neurônios danificados pela doença. A dopamina é um neurotransmissor crucial para o controle dos movimentos do corpo. Em pacientes com Parkinson, os neurônios responsáveis por sua produção são prejudicados pelo acúmulo de uma proteína chamada alfa-sinucleína, que forma aglomerados insolúveis, conhecidos como fibrilas, e compromete gradualmente a função motora. Leia também Saúde Cientistas identificam marcadores dos diferentes estágios do Parkinson Saúde Aparelho auditivo pode evitar diagnóstico de Parkinson, sugere estudo Saúde Marcapasso cerebral personalizado reduz sintomas do Parkinson em 50% Saúde Parkinson: vídeo mostra fim dos tremores em homem após uso de remédios No centro da pesquisa está um nanosistema feito de partículas de ouro extremamente pequenas, com cerca de 160 nanômetros, revestidas com anticorpos e compostos químicos peptídicos. O sistema foi projetado para desempenhar duas funções: aumentar os níveis de dopamina no cérebro e quebrar os depósitos de alfa-sinucleína que obstruem os neurônios. Após a entrega dessas nanopartículas no cérebro, elas se conectam aos neurônios-alvo com a ajuda dos anticorpos e são ativadas por luz quase infravermelha, emitida de fora do crânio. A luz é convertida em calor pelas partículas, o que desencadeia o reparo das células e a liberação de peptídeos que ajudam a eliminar as fibrilas de proteína. “Essas ações orquestradas restauraram neurônios dopaminérgicos patológicos e comportamentos locomotores da doença de Parkinson”, escreveram os autores no estudo publicado na revista Science Advances em 15 de janeiro. Parkinson é a perda dos neurônios que produzem a dopamina no cérebro, que está envolvida no controle dos movimentos e outras ações Diferença em relação ao tratamento tradicional do Parkinson O método se diferencia dos tratamentos tradicionais contra o Parkinson, que frequentemente envolvem medicamentos para elevar os níveis de dopamina. Embora eficazes no início, eles podem causar efeitos colaterais, como tremores e outros sintomas indesejados. Em vez de simplesmente fornecer mais dopamina ao corpo, a nova abordagem “desperta” os neurônios danificados, fazendo com que eles retomem a produção do neurotransmissor naturalmente. “Um sistema terapêutico ideal para reduzir o acúmulo de agregados de alfa-sinucleína, o que tem sido um grande desafio, desagregaria simultaneamente as fibrilas de alfa-sinucleína e iniciaria o processo autofágico”, explicaram os pesquisadores. Apesar dos resultados promissores, a técnica ainda está em fase inicial e foi testada apenas em camundongos e modelos celulares. Antes de ser aplicada em humanos, será necessário realizar mais estudos sobre os mecanismos do tratamento, além de ensaios clínicos para avaliar a segurança e eficácia. Ainda assim, o estudo traz motivos para otimismo. Nos experimentos com camundongos, o nanosistema não apenas apresentou resultados significativos no combate aos danos causados pela doença, como também não provocou efeitos colaterais em outras áreas do cérebro. Além disso, o sistema pode ser ativado sem fio, ou seja, pode ser controlado remotamente, dispensando procedimentos invasivos adicionais. “No geral, o estudo traz informações importantes para futuras pesquisas que buscam expandir o uso da estimulação cerebral profunda, sem a necessidade de implantar novos conduítes ou realizar manipulação genética”, destacaram os cientistas. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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