Trabalho nas ruas: como a rotina afeta a saúde de entregadores de app Ouvir 12 de outubro de 2025 Os entregadores de aplicativos enfrentam uma rotina intensa e desgastante nas ruas, com trânsito imprevisível, longas jornadas e poucas oportunidades de pausas. Esses fatores prejudicam o corpo e a mente, aumentando o risco de fadiga, dores musculares e desgaste psicológico ao longo do dia. O Brasil tinha aproximadamente 589 mil entregadores de aplicativo em 2024, segundo estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A maioria é formada por homens (98%), negros (68%) e pessoas com ensino médio completo (63%), o que evidencia a dimensão da população submetida a essa rotina desgastante. Leia também Matérias Especiais Gamificação do trabalho coloca entregadores do iFood em risco São Paulo Entregadores fazem protesto em frente a megaevento do iFood em SP Negócios Restaurantes acusam iFood de práticas anticoncorrenciais no Cade São Paulo Entregadores do iFood paralisam e comem lanches que foram descartados Saúde mental dos entregadores de aplicativo O trabalho nas ruas mantém corpo e mente em estado de alerta constante. A necessidade de cumprir prazos, lidar com trânsito intenso, situações imprevisíveis e o risco de acidentes cria uma pressão contínua que impede o relaxamento. Segundo o psiquiatra André Botelho, do hospital Sírio-Libanês, em Brasília, esse estado prolongado de vigilância está associado ao aumento de ansiedade, irritabilidade e dificuldades para dormir, fazendo com que o descanso seja menos eficaz. O isolamento social e a falta de reconhecimento dentro do ambiente de trabalho também aumentam o desgaste psicológico. Entre os sinais mais comuns desse estresse estão o consumo elevado de energéticos ou álcool, lapsos de atenção e pensamentos frequentes de desistência, o que evidencia a sobrecarga emocional que acompanha essa rotina. Além de todas essas problemáticas, Botelho explica que a ausência de vínculos formais agrava o sentimento de vulnerabilidade psicológica em vários níveis, já que os entregadores não conseguem contar com o apoio institucional. “Sem vínculo formal e apoio institucional, aumenta o desamparo: medo de adoecer e não poder parar, falta de rede para acolher conflitos e injustiças. A vulnerabilidade psíquica se amplia porque não há quem ouça, proteja ou negocie por ele”, detalha o psiquiatra. Esforço físico, postura e riscos para coluna Outra problemática é que passar muitas horas sobre motos ou bicicletas, transportando mochilas pesadas, provoca sobrecarga na musculatura e nas articulações, especialmente nos ombros, pescoço e coluna. A manutenção da mesma posição por longos períodos reduz a lubrificação das articulações e exige mais da musculatura estabilizadora, aumentando a probabilidade de dores persistentes e lesões crônicas. O fisioterapeuta Bruno Alexandre Torres, que tende em Brasília, conta que a ausência de pausas e de descanso adequado na rotina interfere diretamente na recuperação muscular desses entregadores. “Sem intervalos, o corpo não tem tempo de se recuperar ao longo da jornada. Assim como atletas precisam de descanso entre séries e treinos, o trabalhador necessita de pausas, pois sem esses momentos, as chances de sobrecarga de articulações, músculos e tendões aumentam gradualmente”, explica Torres. Além das tensões provocadas pelo peso da carga, o trabalhador lida com vibrações do veículo e movimentos repetitivos. Com o tempo, essas condições podem gerar alterações na postura, desequilíbrios musculares e fadiga. Número de entregadores no país cresceu 18% entre 2022 e 2024, totalizando 455,6 mil profissionais, segundo o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) Riscos de escolhas alimentares rápidas Pela falta de tempo entre um pedido e outro, muitos entregadores acabam optando por alimentos ultraprocessados, ricos em açúcares e carboidratos refinados, que se apresentam como opções rápidas e práticas. Esse padrão de alimentação aumenta o risco de desequilíbrios metabólicos, inflamação, ganho de gordura visceral e doenças crônicas, como diabetes e problemas cardiovasculares, explica a nutricionista Isabela Clerot. “Muitos desses profissionais vivem uma rotina exaustiva, ganhando pouco e passando o dia inteiro nas ruas. Por isso, acabam recorrendo aos próprios restaurantes para os quais trabalham e a alimentação acaba sendo o que está mais à mão: fast food, sanduíches, pizzas e outros ultraprocessados. O problema é que, com o tempo, isso deixa de ser uma exceção e passa a ser a base da alimentação deles”, esclarece a nutricionista. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
Notícias Comer frutas e vegetais pode reduzir sofrimento mental, mostra estudo 15 de agosto de 2025 O sofrimento psíquico, um dos maiores sintomas de quadros como depressão e ansiedade, pode ser reduzido com uma dieta mais rica em vegetais e frutas. A associação foi revelada em um estudo feito por pesquisadores australianos e publicada na revista International Journal of Environmental Research and Public Health em julho…. Read More
Notícias Jejum Intermitente: Um Guia Completo para Iniciantes 30 de junho de 202530 de junho de 2025 O jejum intermitente tem ganhado popularidade nos últimos anos devido aos seus benefícios potenciais para a saúde, incluindo perda de peso, melhoria da sensibilidade à insulina e aumento da longevidade. No entanto, muitas pessoas ainda têm dúvidas sobre como incorporar o jejum intermitente em sua rotina diária. Neste artigo, vamos… Read More
Açúcar é saudável? Nutri explica diferenças entre 14 tipos do produto 6 de novembro de 2025 Se você gosta de um docinho, mas quer iniciar ou manter uma alimentação mais saudável, fatalmente já deve ter se perguntado sobre isso. Afinal, existe algum tipo de açúcar saudável ou não? E a resposta não é tão simples assim, já que tudo depende de um contexto geral. Isso significa… Read More