USP: saliva de carrapato pode ajudar no tratamento da febre maculosa Ouvir 6 de agosto de 2025 Pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) identificaram uma substância na saliva dos carrapatos que pode abrir um novo caminho para tratar a febre maculosa. Os pesquisadores conseguiram extrair a molécula Amblyostatin-1 da saliva do carrapato Amblyomma sculptum, o principal vetor da doença. Testes iniciais mostraram as primeiras evidências de que a substância tem propriedades anti-inflamatórias e imunomoduladoras e impede o corpo de combater a bactéria da febre maculosa de forma imediata, atrasando a defesa natural do sistema imune. “A molécula que identificamos é um imunomodulador, que é importante não só para entender como ocorre o contágio com a febre maculosa — ajudando o corpo humano a bloquear a infecção — como também possui uma capacidade de interferir no sistema imune que pode ser útil para o desenvolvimento de remédios e tratamentos no futuro”, afirma o professor de imunologia Anderson de Sá-Nunes, que orientou a investigação. A pesquisa foi publicada na revista científica Frontiers in Immunology, em 16 de julho, e contou com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Também participaram da investigação biomédicos gregos, tchecos e espanhóis. Leia também Distrito Federal DF confirma mais dois casos de febre maculosa; total chega a cinco São Paulo Febre maculosa: Campinas tem 1ª morte do ano pela doença do carrapato Brasil Morte por febre maculosa é confirmada em Juiz de Fora Distrito Federal Febre maculosa: notificações de casos suspeitos no DF aumentam 665% O que é a febre maculosa? A febre maculosa é transmitida pela picada do carrapato-estrela, comum em capivaras e bois, e presente em áreas de vegetação e margens de rios. Entre 2014 e 2025, o Brasil notificou 59 mil casos e confirmou 2,7 mil deles. A doença causou 782 mortes no país, com taxa de letalidade de 29,1%. O diagnóstico precoce é essencial para a eficácia do tratamento. A doença é causada pelas bactérias Rickettsia rickettsii (em casos mais graves) e pela Rickettsia parkeri (em geral, levando a quadros mais brandos). Ela não é transmitida entre pessoas, apenas por meio da picada de carrapatos infectados. Os principais sintomas da doença são: febre, dor de cabeça intensa, diarreia, dor muscular constante e, em casos graves, paralisia dos membros e gangrena. Para evitar a doença, é essencial evitar o contato com carrapatos e inspecionar o corpo a cada duas horas ao transitar por áreas de risco. O carrapato deve ser retirado com pinça e torção leve, sem esmagar o animal, para evitar o contato com saliva ou partes da boca contaminadas. O tratamento com antibióticos deve começar nos primeiros dois ou três dias de sintomas para um melhor prognóstico; o atraso pode causar falência de órgãos e levar à morte. Enzima pode ter outros usos, diz USP Ao transmitir a febre maculosa, o carrapato infectado injeta na pele tanto a bactéria quanto moléculas que suprimem a resposta imune do hospedeiro. Isso facilita a doença a se instalar no organismo e dificulta o diagnóstico precoce. A Amblyostatin-1, encontrada na saliva deles, pertence à família das cistatinas, que inibem enzimas envolvidas na resposta imunológica. No estudo, ela mostrou capacidade de bloquear catepsinas associadas à ativação de células de defesa. A inibição dessas enzimas resultou na redução da inflamação em testes feitos com camundongos. Os resultados sugerem que a molécula pode ter aplicação terapêutica em doenças inflamatórias crônicas e autoimunes desde que seja adaptada para uso clínico. Os pesquisadores explicam que, como a molécula não é identificada pelas células de defesa do corpo, o organismo não produz anticorpos para diminuir seu efeito, o que mantém a molécula sabotando as defesas do paciente por longos períodos. “Essa característica faz da Amblyostatin-1 um antígeno silencioso, ou seja, uma molécula que o organismo não reconhece como uma ameaça. Isso permite seu uso contínuo sem perda de eficácia, algo desejável em tratamentos de longo prazo para doenças inflamatórias crônicas e autoimunes”, complementa Sá-Nunes. Caminho para novos imunomoduladores Nos testes laboratoriais, a Amblyostatin-1 reduziu a inflamação da pele e estimulou a produção de IL-10, uma citocina com ação anti-inflamatória. Com essas propriedades, a substância se destaca como um possível agente imunobiológico. Ela pode modular o sistema de defesa sem desencadear respostas agressivas, o que é útil em terapias para inflamações graves. Ainda são necessários novos estudos para avaliar a aplicação em humanos. No entanto, os dados obtidos indicam que a Amblyostatin-1 pode ser um ponto de partida para medicamentos inovadores. A molécula já havia sido estudada em testes anteriores pelo mesmo grupo de investigadores, que percebeu que a secreção dela é maior justamente no momento em que o carrapato está se alimentando do sangue, servindo para que não se note o ataque. Com os dados obtidos, os cientistas esperam avançar em estratégias para impedir que a bactéria atinja o sistema do hospedeiro, especialmente sem ser notada. A ideia é encontrar uma forma de neutralizar a febre maculosa no início e evitar as mortes causadas pela doença. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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