Médicas ganham 22,6% a menos que colegas homens no Brasil, diz estudo Ouvir 7 de março de 2025 Um estudo realizado pelo centro de pesquisa do instituto de formação médica Afya divulgado nesta sexta-feira (7/3) apontou que as mulheres médicas recebem, em média, 22,6% a menos do que seus colegas homens no Brasil. A diferença é maior que a do geral das profissões, de 20,7%. A renda média mensal das profissionais é de R$ 17.535,32, enquanto a dos homens chega a R$ 22.669,86. A diferença entre os gêneros é de R$ 5.134,54, mais de três salários mínimos. Leia também Ciência “A produção científica das mulheres caiu”, lamenta presidente da ABC Ilca Maria Estevão Mulheres dominam cursos de moda, mas são minoria em cargos de direção Celebridades Katy Perry fará parte de missão espacial composta apenas por mulheres São Paulo USP fecha sala de acolhimento a mulheres vítimas de violência sexual “As mulheres já são maioria na medicina, mas ainda enfrentam barreiras que limitam seu avanço em especialidades de alta complexidade, remuneração e cargos de liderança”, afirma Stella Brant, vice-presidente de Marketing e Sustentabilidade da Afya, no lançamento da pesquisa. Abismo salarial entre os gêneros Segundo a pesquisa, este abismo salarial é influenciado por dois fatores: valor da hora trabalhada e jornada semanal. Enquanto médicos cobram R$ 417 por hora, médicas recebem R$ 370, uma defasagem de 11,4%. Além disso, homens trabalham 54,3 horas semanais, contra 47,4 horas das mulheres. A disparidade salarial persiste em todas as categorias analisadas, consideradas dentro de uma mesma faixa etária, região do país e nível de especialização, com diferenças que variam de 8,1% a 24,9%. Em nenhum caso, mulheres recebem salários iguais ou superiores ao de seus colegas homens. Não foram avaliadas diferenças raciais. Desigualdade regional e especialização A menor diferença salarial ocorre no Sul do país, com 15,4%. Nas demais regiões, a disparidade oscila entre 22% e 24,9%, sendo mais acentuada no Sudeste. Entre profissionais com especialização, a desigualdade chega a 22,4%, evidenciando que qualificações equivalentes não garantem remuneração igualitária. A pesquisa, que entrevistou 2.637 profissionais entre novembro de 2024 e janeiro de 2025, também destacou o impacto da maternidade na carreira das médicas. Mulheres com filhos dedicam 46,7 horas semanais ao trabalho, enquanto homens na mesma situação trabalham 55,2 horas. Entre médicas divorciadas ou separadas com filhos, a jornada sobe para 50,7 horas, sugerindo necessidade de compensação financeira. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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