Cães detectam Parkinson pelo cheiro da pele anos antes dos sintomas Ouvir 18 de julho de 2025 Além de serem os melhores amigos do homem, os cachorros podem ajudar a proteger seus tutores. Um novo estudo mostrou que cães treinados podem detectar o Parkinson por meio do cheiro da pele dos pacientes antes mesmo que eles apresentem os primeiros sintomas da doença. A pesquisa conduzida por pesquisadores da organização Medical Detection Dogs e das universidades de Bristol e Manchester, ambas no Reino Unido, foi publicada na segunda-feira (14/7), no The Journal of Parkinson’s Disease. “Estamos extremamente orgulhosos de dizer que, mais uma vez, os cães podem detectar doenças com muita precisão. O diagnóstico oportuno é fundamental, pois o tratamento subsequente pode retardar a progressão da doença e reduzir a intensidade dos sintomas”, destaca a coautora do artigo, Claire Guest, CEO e diretora científica da Medical Detection Dogs, em comunicado. Leia também Saúde Remédio comum para tosse pode retardar demência causada pelo Parkinson Saúde Estudo revela que Parkinson pode não começar no cérebro Saúde Cera de ouvido pode ajudar a detectar Parkinson em estágio inicial Saúde Parkinson: estudo relaciona bactérias na boca à perda cognitiva O que é o Parkinson? O Parkinson é uma condição crônica e progressiva causada pela neurodegeneração das células do cérebro. Estima-se que cerca de 10 milhões de pessoas no mundo tenham Parkinson. A ocorrência é mais comum entre idosos com mais de 65 anos, mas também pode se manifestar em outras idades. A doença atinge principalmente as funções motoras, causando sintomas como: lentidão dos movimentos, rigidez muscular e tremores. Os pacientes também podem ter: diminuição do olfato, alterações do sono, mudanças de humor, incontinência ou urgência urinária, dor no corpo e fadiga. Cerca de 30% das pessoas que vivem com Parkinson desenvolvem demência por associação. Cães detectam Parkinson com alta precisão Durante as observações, dois cachorros – Bumper, um Golden Retriever, e Peanut, um Labrador – foram treinados ao longo de várias semanas com mais de 200 amostras de sebo de pessoas com e sem Parkinson. Em um teste duplo-cego, onde nem participantes e nem pesquisadores sabem quem está recebendo tratamento ou intervenção, os pets atingiram os seguintes resultados: Sensibilidade de até 80% na capacidade de identificar corretamente os pacientes com a doença; Especificidade de até 98% na capacidade de descartar corretamente quem não tinha a doença. Eles também detectaram o vírus em amostras de pacientes que tinham outros problemas de saúde. As amostras foram apresentadas aos cachorros em um sistema de suporte, e os animais foram recompensados sempre que indicavam corretamente uma amostra positiva e por ignorar corretamente uma amostra negativa. 8 imagensFechar modal.1 de 8 Parkinson é uma doença neurológica caracterizada pela degeneração progressiva dos neurônios responsáveis pela produção de dopamina KATERYNA KON/SCIENCE PHOTO LIBRARY/ Getty Images2 de 8 Esse processo degenerativo das células nervosas pode afetar diferentes partes do cérebro e, como consequência, gerar sintomas como tremores involuntários, perda da coordenação motora e rigidez muscular Elizabeth Fernandez/ Getty Images3 de 8 Outros sintomas da doença são lentidão, contração muscular, movimentos involuntários e instabilidade da postura izusek/ Getty Images4 de 8 Em casos avançados, a doença também impede a produção de acetilcolina, neurotransmissor que regula a memória, aprendizado e o sono SimpleImages/ Getty Images5 de 8 Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), apesar de a doença ser conhecida por acometer pessoas idosas, cerca de 10% a 15% dos pacientes diagnosticados têm menos de 50 anos Ilya Ginzburg / EyeEm/ Getty Images6 de 8 Não se sabe ao certo o que causa o Parkinson, mas, quando ocorre em jovens, é comum que tenha relação genética. Neste caso, os sintomas progridem mais lentamente, e há uma maior preservação cognitiva e de expectativa de vida Visoot Uthairam/ Getty Images7 de 8 JohnnyGreig/ Getty Images8 de 8 O Parkinson não tem cura, mas o tratamento pode diminuir a progressão dos sintomas e ajudar na qualidade de vida. Além de remédio, é necessário o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar. Em alguns casos, há possibilidade de cirurgia no cérebro Andriy Onufriyenko/ Getty Images Esperança para o diagnóstico precoce do Parkinson Ainda existe um teste definitivo para diagnosticar o Parkinson. Em alguns casos, os sintomas podem levar até 20 anos para aparecerem. Nesse cenário, o estudo surge como uma esperança ao encontrar biomarcadores olfativos, e se tornar uma possibilidade importante para o diagnóstico precoce e intervenção oportuna. “A identificação de biomarcadores diagnósticos do Parkinson é objeto de muitas pesquisas em andamento. Níveis de sensibilidade de 70% e 80% estão bem acima do acaso, e acredito que os cães podem nos ajudar a desenvolver um método rápido, não invasivo e econômico para identificar pacientes com a doença”, finaliza a autora principal do artigo, Nicola Rooney, professora da Universidade de Bristol. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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