Saúde pública: mortes por alcoolismo caem, mas internações aumentam Ouvir 30 de setembro de 2025 O alcoolismo continua a ser um desafio de saúde pública no Brasil, mas os números mais recentes revelam sinais contrastantes. A sétima edição do anuário Álcool e a Saúde dos Brasileiros: Panorama 2025, elaborado pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA) com base nos dados do Datasus e do IBGE, aponta que as mortes causadas pelo transtorno por uso de álcool caíram 9,2% entre 2022 e 2023. Em contrapartida, as internações hospitalares pela mesma causa cresceram 2,8% no mesmo período. A doença, popularmente conhecida como alcoolismo, responde por 10,5% das mortes associadas ao uso de álcool no país, o que significa uma média de 21 óbitos por dia. Leia também Fábia Oliveira Vídeo: “Quase perdi tudo”, afirma Nando Reis sobre alcoolismo Distrito Federal Justiça manda empresa readmitir funcionário demitido por alcoolismo Distrito Federal Doença lenta e silenciosa: alcoolismo matou 130 pessoas no DF em 2024 Saúde Uso de Ozempic pode reduzir hospitalizações relacionadas ao alcoolismo Apesar da redução em relação ao período da pandemia, os números ainda não retornaram ao patamar pré-2020. “Após um aumento sem precedentes na pandemia de Covid-19, é muito positivo verificar que as mortes por transtorno por uso de álcool caíram pelo segundo ano consecutivo. Não chegamos ainda aos números pré-pandemia, mas caminhamos para isso”, avalia o psiquiatra Arthur Guerra, presidente do CISA. Perfil dos pacientes O levantamento revela que a maior parte das mortes ocorre entre pessoas com mais de 55 anos. Os homens seguem sendo os mais atingidos: 90,9% das vítimas fatais. Entre 2010 e 2023, o número de óbitos masculinos cresceu 10,1%, enquanto entre as mulheres houve uma queda de 2,5%. No que se refere às internações, a pesquisa mostra que quatro pessoas são hospitalizadas por hora no Brasil devido ao alcoolismo. Os homens representam 86,4% dos casos, mas cresce a participação feminina: em 2010, elas eram 9,9% das internações; em 2023, passaram a 13,6%. Diferenças regionais O estudo também evidencia desigualdades regionais. Em 11 estados, a taxa de óbitos por 100 mil habitantes foi maior que a média nacional (3,6). Piauí, Bahia, Espírito Santo e Tocantins estão entre os estados mais afetados. 11 estados apresentam taxa de óbito em razão do alcoolismo, sendo que Piauí, Bahia, Espírito Santo e Tocantins com maiores números No caso das internações, oito estados superaram a média nacional (19,3 por 100 mil habitantes), com destaque para o Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina, que concentram os índices mais elevados. Para a coordenadora do CISA, a socióloga Mariana Thibes, compreender o impacto regional é fundamental para criar políticas públicas eficazes. “Há contextos culturais e sociais muito característicos em algumas regiões do país, por isso é importante compreender como o consumo nocivo de álcool impacta regionalmente, sobretudo para a adoção de medidas educativas e preventivas que façam mais sentido para resolver a problemática daquele estado ou município”, afirma. Cinco principais doenças relacionadas ao abuso de álcool Gastrite: inflamação do revestimento do estômago. Hepatite alcoólica e cirrose: inflamações e lesões graves no fígado. Pancreatite: inflamação do pâncreas. Neurite ou polineuropatia alcoólica: danos nos nervos, podendo causar fraqueza, formigamento ou dor nos membros. Cânceres: incluindo tumores na cavidade oral, esôfago, faringe e fígado. Transtornos mentais: como depressão, ansiedade e psicose induzida pelo álcool. Alguns quadros graves incluem a síndrome de Wernicke‑Korsakoff (comprometendo memória e coordenação motora) e outros transtornos neuropsiquiátricos. Como pedir ajuda? No Brasil, quem enfrenta problemas relacionados ao consumo de álcool pode contar com uma rede pública de atendimento gratuito e especializado. Ele é oferecido desde o atendimento em Unidades Básicas de Saúde (UBS) e em Centros de Atenção Psicossocial (Caps), até serviços intensivos nos Caps AD III e o Centro de Referência Estadual em Álcool e outras Drogas (CREAD). Existem também entidades acolhedoras e grupos de apoio, como Alcoólicos Anônimos, Al-Anon e o Disque Saúde (no telefone 136). Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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