“Achei que fosse virose”, diz jovem com inflamação grave no cérebro Ouvir 2 de novembro de 2025 A vida de Bruna Cristina Souza Inácio, de 22 anos, mudou completamente depois de um diagnóstico inesperado: encefalomielite autoimune, uma inflamação que atinge o cérebro e a medula espinhal. Até então, a jovem se dedicava ao curso de Odontologia em Paracatu, Minas Gerais, ao estágio em uma clínica e aos cuidados com a filha Maria Alice, hoje com 2 anos. Com a doença, Bruna perdeu parte dos movimentos, a capacidade de andar e comer sozinha e de falar normalmente. Atualmente, o foco dela se voltou à reabilitação no Hospital Sarah Kubitschek, em Brasília. Bruna segue firme no processo de recuperação. Leia também Saúde Uruguai detecta 1º caso de encefalomielite equina em humano Vida & Estilo Tomar leite causa inflamação no organismo? Tire a dúvida Saúde Envelhecimento: inflamação do corpo está ligada à vida industrializada Saúde Correr pode reverter os danos que a má alimentação causa ao cérebro A encefalomielite autoimune ocorre quando o sistema imunológico ataca estruturas do próprio sistema nervoso central, provocando inflamação e danos à mielina — camada que reveste os neurônios. “A encefalomielite autoimune se diferencia da esclerose múltipla pela agudeza e extensão do processo inflamatório, que é mais difuso e geralmente pós-infeccioso ou pós-vacinal”, explica o neurologista Flávio Sekeff Sallem, do Hospital Japonês Santa Cruz. Os sintomas iniciais costumam incluir alteração de consciência, confusão mental, febre, fraqueza, déficit motor e crises epilépticas. Em alguns casos, aparecem distúrbios visuais e dificuldades para engolir. “Durante a crise, há uma ativação aberrante do sistema imune. Linfócitos e anticorpos atravessam a barreira hematoencefálica e atacam a mielina e, por vezes, os neurônios, provocando edema e disfunção neurológica difusa”, detalha o médico. No caso de Bruna, tudo começou com sintomas aparentemente comuns. “Me lembro de sentir muita dor na mandíbula, náuseas, falta de apetite e fraqueza. Achei que fosse só uma virose.” conta. Após uma semana, ela procurou atendimento médico e acabou internada “No hospital, uma equipe de especialistas cuidou de mim e chegou à conclusão de que era uma encefalomielite autoimune, sem causa definida. Depois da alta, fui encaminhada a uma neurologista imunológica para investigar a origem da doença, que até hoje é desconhecida”, conta a jovem. Em Brasília, Bruna realiza fisioterapia e celebra cada conquista na recuperação dos movimentos Segundo Bruna, o diagnóstico foi menos assustador do que a própria situação clínica. “Eu nunca tinha ouvido falar sobre essa doença. O que me assustava era ver a forma que eu estava e a dúvida até mesmo dos médicos se eu iria melhorar”, lembra. “Vinham muitas perguntas na cabeça: será que eu voltaria a andar, a comer, a falar normalmente?”. O diagnóstico da encefalomielite é feito com base em exames clínicos, de imagem e laboratoriais. A ressonância magnética mostra lesões desmielinizantes, enquanto o líquor pode revelar aumento de proteínas e células inflamatórias. A confirmação envolve ainda a pesquisa de anticorpos específicos, como anti-MOG, anti-NMDA e anti-AQP4. O tratamento da encefalomielite autoimune, explica o neurologista, busca controlar a resposta imune. “A corticoterapia em altas doses é o pilar inicial. Casos mais graves podem necessitar de imunoglobulina intravenosa ou plasmaférese. Se houver recorrência, usa-se imunossupressores como rituximabe ou micofenolato”, afirma. “A recuperação costuma ser boa, especialmente nas formas monofásicas, com melhora nas primeiras semanas”. Mesmo assim, algumas pessoas podem ter sequelas. Podem persistir déficits cognitivos sutis, fadiga, alterações motoras leves ou distúrbios de atenção, especialmente quando há atraso no início do tratamento. Durante a reabilitação, Bruna enfrentou um dos períodos mais difíceis da vida. “Fisicamente, sentia muita dor quando os profissionais me movimentavam. Emocionalmente, me vi totalmente vulnerável, e sabia que precisava encontrar forças para continuar”. Aos poucos, ela reaprendeu a realizar tarefas básicas e começou a enxergar o progresso como pequenas vitórias. Hoje, a jovem encara a recuperação como uma lição de vida. “Aprendi a ser paciente e a valorizar pequenas conquistas. Voltar à rotina não foi simples. Precisei adaptar hábitos e respeitar meu corpo. Essa fase me tornou mais forte e me ensinou um novo ritmo — diferente, mas muito mais consciente”. Bruna e a filha, Maria Alice, compartilham momentos de afeto durante a recuperação Com esperança e determinação, Bruna segue confiante. “Os médicos não conseguem me dizer se um dia eu vou voltar a andar. Mas tanto eles quanto eu acreditamos nessa possibilidade. Já me recuperei muito mais do que esperavam, e fatores como a minha idade e o tipo de lesão podem ajudar nesse processo”, diz, com um sorriso de quem escolheu não desistir. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
Homem tosse e espirra ao mesmo tempo e intestino escapa por cicatriz 8 de junho de 2024 Um americano de 63 anos passou por uma situação extremamente complicada duas semanas após fazer uma cirurgia na bexiga. Enquanto jantava com a esposa, o homem tossiu e espirrou ao mesmo tempo — em seguida, ele sentiu algo molhado e extrema dor no local da cicatriz. Quando subiu a blusa,… Read More
Notícias Smartwatches que Monitoram Saúde: Uma Revolução na Prevenção e Cuidado Pessoal 24 de julho de 202524 de julho de 2025 A tecnologia tem avançado rapidamente nos últimos anos, trazendo inovações que transformam a forma como vivemos e cuidamos de nossa saúde. Um dos dispositivos que mais tem ganhado atenção é o smartwatch, que além de contar passos e monitorar atividades físicas, agora é capaz de realizar uma variedade de funções… Read More
Notícias IA pode ajudar a diagnosticar o TDAH com imagem da retina, diz estudo 29 de abril de 2025 Além da visão, os olhos também podem ser importantes para a detecção de uma condição comportamental. Pesquisadores sul-coreanos desenvolveram um sistema de inteligência artificial que consegue diagnosticar o transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) com cerca de 97% de precisão analisando apenas imagens da retina. O estudo foi… Read More