Diabetes tipo 1: tecnologia simplifica rotina de família com a doença Ouvir 14 de novembro de 2025 Quando o pequeno Lucca, então com cinco anos, começou a ter episódios de escape de xixi na escola, o pai, Marcelo Lopes, 44 anos, analista de sistemas, percebeu que algo estava errado. Ele já vivia com diabetes tipo 1 e reconheceu imediatamente os sinais de que o filho poderia ter a mesma condição. Ao testar a glicemia da criança, veio a confirmação que mudaria a rotina de toda a família: Lucca também tinha diabetes tipo 1. A partir daquele momento, alimentação, horários, hábitos e até a dinâmica do dia a dia passaram a ser reorganizados para garantir um controle glicêmico seguro e constante. “Foi um susto, mesmo já convivendo com a doença”, conta. Leia também Saúde Paciente com diabetes tipo 1 volta a produzir insulina após cirurgia Ilca Maria Estevão Barbie com diabetes tipo 1: boneca ganha versão com a condição médica Saúde Estudo: semaglutida também pode beneficiar pessoas com diabetes tipo 1 Distrito Federal Diabetes tipo 1: 10 mil pessoas no DF lutam para derrubar veto de Lula Marcelo faz questão de mostrar ao filho que conviver com o diabetes não significava viver com medo. Um dos pontos que mais trouxe segurança ao menino foi o uso de uma bomba de insulina que funciona em conjunto com um sensor de monitoramento contínuo da glicose. O dispositivo acompanha a glicemia de Lucca em tempo real, durante as 24 horas do dia, e ajusta automaticamente a liberação de insulina a cada cinco minutos, inclusive durante a madrugada. “Depois da bomba, as hipoglicemias noturnas diminuíram muito, e a glicada dele passou a ficar dentro da meta. É uma tranquilidade para nós”, conta o pai. O endocrinologista pediátrico Luís Eduardo Calliari, da Santa Casa de São Paulo, explica que o dispositivo automatizado é interessante para crianças pois combina precisão e segurança. A bomba calcula e corrige a dose de insulina de maneira contínua, algo que reduz episódios de hipoglicemia e melhora o controle glicêmico como um todo. Para Calliari, esse avanço representa uma mudança significativa na forma de cuidar de crianças acima de sete anos, público para o qual o sistema está indicado. Na prática, significa menos interrupções, menos picadas no dedo e uma rotina mais leve. A experiência da família confirma esse impacto. Enquanto o pai e Lucca utilizam o sistema automatizado, Marcela, a filha adolescente que também tem diabetes tipo 1, ainda administra o próprio tratamento com múltiplas aplicações diárias de insulina. O que é diabetes tipo 1? A diabetes mellitus tipo 1 (DM1) é uma doença crônica não transmissível, hereditária, caracterizada pela deficiência de insulina no organismo. O pico de incidência do DM1 ocorre em crianças e adolescentes, entre 10 e 14 anos, mas pode aparecer em adultos de qualquer idade. No Brasil, estima-se que ocorram 25,6 casos por 100 mil habitantes a cada ano, sendo considerada uma incidência elevada. O tratamento exige o uso diário de insulina para regular os níveis de glicose no sangue, evitando complicações da doença. A fase da adolescência, marcada por mais autonomia, faz com que as oscilações sejam comuns, e Marcelo reconhece como o uso da bomba poderia oferecer mais estabilidade. Mesmo assim, ele valoriza o aprendizado da filha e reforça que a vivência com o diabetes tipo 1, embora exigente, também desperta maior consciência sobre saúde e autocuidado. Diabetes tipo 1 em crianças O Brasil é o terceiro país com maior prevalência da doença entre crianças e adolescentes e cerca de 600 mil pessoas convivem com diabetes tipo 1 no país. Em 2022, 26 mil jovens morreram por falta de diagnóstico adequado, e cada pessoa diagnósticada aos dez anos perde, em média, 33,2 anos de vida saudável. Os números ajudam a mostrar o peso do diagnóstico precoce e de tratamentos modernos, que podem reduzir e garantir maior qualidade de vida. Nos últimos anos, soluções tecnológicas como o monitoramento contínuo e as bombas automatizadas têm se mostrado fundamentais para esse processo. O acesso ampliado a esses dispositivos poderia preservar até 56 mil vidas no Brasil até 2040, mas apenas 2% dos brasileiros com DM1 utilizam as tecnologias. Em comparação, nos Estados Unidos, o número chega a 30%, evidenciando a necessidade de políticas de acesso e educação em saúde. Para Marcelo, compartilhar a própria experiência é uma forma de acolher quem está começando a lidar com o diagnóstico. Ele reforça que a diabetes tipo 1 exige atenção diária, mas não impede uma rotina cheia de vida. “O diagnóstico assusta, mas não é uma sentença. É uma virada de chave. Com informação, cuidado e tecnologia, dá para viver muito bem. Sou a prova disso”, lembra. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
Notícias Faz cardio e não emagrece? Veja 5 erros que atrapalham a perda de peso 9 de novembro de 2023 Os exercícios aeróbicos, como corrida na esteira, spinning, treinamento funcional ou aulas de dança, estão entre os preferidos de quem quer emagrecer. Embora deixar o sedentarismo de lado e incluir os exercícios físicos na rotina seja um passo importante para perder peso, o clínico geral Marcos Pontes, da Clínica Evoluccy,… Read More
Notícias Homem passa 2 dias com ereções doloridas após treino para maratona 17 de novembro de 2023 Correr demais não causou apenas as tradicionais dores nos pés de um maratonista amador, mas também um sintoma completamente inesperado: uma série de ereções que durou dias. O eslovaco de 44 anos procurou um hospital e foi diagnosticado com um coágulo que se formou no pênis depois dos treinos de… Read More
Como cuidar melhor do corpo e da mente? Confira 10 hábitos saudáveis 29 de maio de 2025 A busca por saúde de forma integrada está ganhando cada vez mais espaço, refletindo um olhar mais amplo sobre o bem-estar físico, mental e emocional. Nesse contexto, os hábitos de vida têm um papel fundamental, influenciando diretamente a qualidade de vida e a prevenção de doenças. “Cuidar da saúde não… Read More