Proteína ativa limpeza cerebral e melhora memória em estudo com ratos Ouvir 30 de novembro de 2025 Um estudo conduzido por pesquisadores do Baylor College of Medicine, nos Estados Unidos, mostrou que, em ratos geneticamente modificados para desenvolver sintomas semelhantes aos do Alzheimer, o aumento da proteína Sox9 fez com que células cerebrais envelhecidas recuperassem a capacidade de remover resíduos acumulados. A investigação, publicada na Nature Neuroscience em 21 de novembro, sugere que estimular esse mecanismo natural de limpeza pode ajudar a reduzir placas beta-amiloides, estruturas associadas ao declínio cognitivo característico do Alzheimer. O que é o Alzheimer? O Alzheimer é uma doença que afeta o funcionamento do cérebro de forma progressiva, prejudicando a memória e outras funções cognitivas. Ainda não se sabe exatamente o que causa o problema, mas há indícios de que ele esteja ligado à genética. É o tipo mais comum de demência em pessoas idosas e, segundo o Ministério da Saúde, responde por mais da metade dos casos registrados no Brasil. O sinal mais comum no início é a perda de memória recente. Com o avanço da doença, surgem outros sintomas mais intensos, como dificuldade para lembrar de fatos antigos, confusão com horários e lugares, irritabilidade, mudanças na fala e na forma de se comunicar. Os resultados foram observados não apenas em análises laboratoriais, mas também em testes de memória e comportamento, nos quais os animais tratados apresentaram melhor desempenho. Leia também Saúde Estudo explica como o Alzheimer faz o paciente esquecer até quem ama Saúde Brasileiros testam potencial remédio de baixo custo contra Alzheimer Saúde Andar mais de 3 mil passos por dia pode retardar o avanço do Alzheimer Saúde Como os origamis ajudam a entender proteínas que causam Alzheimer Astrócitos voltam à ativa O grande destaque do estudo foi o papel dos astrócitos, células que ajudam a manter o equilíbrio do cérebro e participam da comunicação entre neurônios. O excesso de Sox9 levou essas células a aumentar a atividade do receptor MEGF10, envolvido justamente na remoção de placas. Esse processo fez com que os astrócitos, mesmo envelhecidos, recuperassem parte de sua funcionalidade. Segundo o neurocientista Dong-Joo Choi, que participou da pesquisa, essas células passam por mudanças importantes com o avançar da idade, mas o impacto dessas alterações na neurodegeneração ainda não é completamente conhecido. Para ele, os novos achados ajudam a esclarecer esse elo e mostram como o cérebro pode tentar compensar os danos provocados pela doença. Testes reforçam os efeitos da proteína Em um segundo experimento, os cientistas fizeram o caminho oposto e retiraram o gene responsável pelo Sox9. O resultado foi um acúmulo ainda maior de beta-amiloide, piora na memória e astrócitos menos saudáveis. A comparação entre os dois cenários reforçou a importância da proteína na manutenção do ambiente cerebral. Choi destaca que o estudo foi conduzido em animais que já apresentavam placas e déficits cognitivos, algo mais fiel ao que ocorre em pacientes diagnosticados com Alzheimer. Essa escolha torna os resultados mais relevantes para a investigação de futuros tratamentos. Apesar dos avanços, os especialistas lembram que a doença permanece complexa. Algumas terapias tentam impedir a formação das placas amiloides, enquanto outras miram diretamente nos neurônios. Ainda há incertezas sobre se os aglomerados de proteínas são causa ou consequência da condição. Mesmo assim, segundo os autores, o estudo amplia o entendimento sobre os processos envolvidos no Alzheimer e abre espaço para novas abordagens. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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