Sociedade médica cria diretriz para prevenir infartos em jovens Ouvir 13 de abril de 2024 A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) lançou, nessa sexta-feira (12/4), o primeiro documento com diretrizes para o diagnóstico e tratamento da cardiomiopatia hipertrófica (CMH). A doença é a mesma que vitimou em 2022 o empresário João Paulo Diniz, filho de Abilio Diniz, aos 58 anos. A cardiomiopatia hipertrófica, também conhecida como miocardiopatia hipertrófica, é um fator de risco importante para a morte súbita (infarto fulminante), principalmente em atletas de esportes de alto impacto. Assim como o pai, João era amante dos esportes. Horas antes de passar mal em casa, o empresário tinha saído para correr. “Frente a tantos novos conhecimentos, cuja incorporação à prática clínica se faz necessária e premente, a presente diretriz tem por objetivo apresentar as recomendações mais atuais para o diagnóstico, estadiamento prognóstico e tratamento da CMH, com base na revisão crítica das evidências científicas atuais”, diz o artigo. Leia também Saúde Sociedade de Cardiologia muda diretriz do diagnóstico de pressão alta Brasil Influencer morre após infarto fulminante em Manaus aos 41 anos Saúde Jovens também podem ter morte súbita durante o sexo, indica estudo São Paulo “Golpe mais duro da vida”, disse Diniz ao perder o filho, João Paulo O documento da SBC aborda os tópicos mais importantes sobre a doença para orientar melhor os médicos sobre a origem da cardiomiopatia hipertrófica, quadro clínico, diagnósticos diferenciais e métodos complementares. Ele faz um equilíbrio entre as diretrizes europeia e norte-americana, levando em consideração a experiência e opinião de especialistas brasileiros. “A diretriz foi feita por um conjunto de médicos especialistas e determina as recomendações de abordagem em cada área de atuação. É um posicionamento da SBC para dizer como o médico deve atuar em frente à cardiomiopatia hipertrófica”, afirma o médico Fabio Fernandes, diretor do grupo de Cardiomiopatia da Sociedade Brasileira de Cardiologia. O documento fala sobre a importância de fazer exames de avaliação em atletas, por exemplo, além de testar familiares de pacientes com suspeita da doença e indicar alguns exames para investigar e confirmar o diagnóstico. Nove em cada dez casos de cardiomiopatia hipertrófica são assintomáticos Cardiomiopatia hipertrófica, uma doença silenciosa A doença congênita afeta aproximadamente 400 mil brasileiros e 20 milhões de pessoas em todo o mundo. No entanto, acredita-se que haja uma grande subnotificação de casos no Brasil. Estima-se que 90% dos casos são assintomáticos — por isso, muitos pacientes não sabem que há algo de errado com seu coração. “Muitas pessoas podem ser portadoras e confundi-la com outras doenças, já que os sintomas são os mesmos de outras cardiopatias. Por isso, é importante que todos os indivíduos façam avaliação pré-atividade física para prevenir complicações, independente de ser de alta intensidade ou não”, afirma Fernandes. Quando há sintomas, muitas vezes são confundidos com outras cardiopatias. Os principais são: falta de ar, dor no peito, desmaios, respiração curta, sensação de palpitações, pressão no peito ao realizar atividades físicas, cansaço e fadiga. Ao auscultar as batidas do coração, o médico pode escutar um sopro. Conforme avança, a doença pode fazer com que o paciente desenvolva arritmia. “Quase 70% dos pacientes têm a forma obstrutiva da doença, que pode evoluir com risco maior de desenvolvimento de insuficiência cardíaca, com falta de ar e cansaço”, diz Fernandes. O diagnóstico da cardiomiopatia hipertrófica é feito por meio de exames, como o ecocardiograma, teste ergométrico e o holter. A confirmação pode ser feita ainda com uma ressonância magnética do coração. Morte súbita Outro ponto importante do documento é levantar a importância da avaliação de dados e de resultados de exames para prever o prognóstico do paciente e o risco de morte súbita por cardiomiopatia hipertrófica. De acordo com o médico Marcus Vinícius Simões, um dos coordenadores da nova diretriz, existe um mito de que todos os pacientes que possuem a cardiomiopatia hipertrófica terão morte súbita. No entanto, apenas uma minoria deles têm risco aumentado. “Os algoritmos atuais nos ajudam a estratificar o risco e distinguir quem realmente precisa de intervenção para prevenir a morte súbita com implante de dispositivos. Esta e outras informações altamente relevantes estarão presentes na nossa diretriz”, completa. Siga a editoria de Saúde no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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