Apenas 1,5% dos adolescentes de 15 a 19 anos se vacinaram contra HPV Ouvir 22 de agosto de 2025 A campanha do Ministério da Saúde para vacinar adolescentes de 15 a 19 anos contra o HPV segue com baixa adesão. Desde fevereiro, pouco mais de 106 mil jovens receberam a dose, o que corresponde a 1,5% do público-alvo estimado em 7 milhões. A iniciativa, que vai até dezembro, pretende alcançar quem perdeu a imunização oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) entre os 9 e 14 anos de idade. Leia também Saúde Câncer de cabeça e pescoço: tabaco, álcool e HPV aumentam risco Distrito Federal Jovens de 15 a 19 anos podem se vacinar contra o HPV até este sábado Saúde HPV: mulher evita câncer após descobrir lesão em teste de rastreamento Distrito Federal DF oferece vacina contra HPV para jovens de até 19 anos O vírus do HPV é responsável por 99,7% dos casos de câncer do colo do útero, doença que pode ser evitada com vacinação, rastreamento e tratamento precoces. Para eliminar o câncer, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda coberturas vacinais acima de 90%. No Brasil, a taxa atual na faixa etária de 9 e 14 anos é de cerca de 77%. “O desafio é grande porque esse público dificilmente procura os serviços de saúde para se vacinar. Por isso, estamos reforçando a vacinação em escolas e outras estratégias para alcançar essa população”, afirma Ana Catarina, coordenadora-geral de Incorporação Científica e Imunização da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. O que é o HPV? A infecção por papilomavírus humano (HPV) é uma das mais incidentes. Ela leva ao aparecimento de lesões na pele dos órgãos genitais de homens e mulheres. A textura dessas alterações pode ser suave ou rugosa, com coloração que varia de acordo com o tom de pele. Elas não causam dor, mas são contagiosas. Os sintomas podem ser silenciosos e a melhor forma de prevenção do HPV é evitar o contágio e se vacinar. Desinformação e mitos A baixa adesão está ligada, em parte, à desinformação. Um estudo da Fundação Nacional do Câncer, apontou que até 37% dos adolescentes não sabem que a vacina previne o câncer do colo do útero e mais de 30% acreditam que ela poderia ser prejudicial à saúde. Entre pais e responsáveis, 22% achavam que a vacina poderia estimular o início precoce da vida sexual. “A desinformação, sem dúvida nenhuma, tem um papel muito importante na hesitação vacinal. A hesitação não é só ser contra a vacina, mas também é ter dúvidas”, afirma a pediatra Isabella Ballalai, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). A pesquisa também revelou fragilidades entre profissionais de saúde. Um terço declarou não se sentir seguro para orientar sobre a vacinação e menos da metade se considera responsável por ações educativas. Para Alberto Chebabo, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), parte da dificuldade está no fato de que os impactos do HPV nem sempre são visíveis. “Os tipos potencialmente cancerígenos podem ou não resultar em sintomas. Por isso, a vacinação é tão importante e quanto maior a proteção das vacinas, melhor”, afirma. 9 imagensFechar modal.1 de 9 Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer é um dos principais problemas de saúde pública no mundo e é uma das quatro principais causas de morte antes dos 70 anos em diversos países. Por ser um problema cada vez mais comum, o quanto antes for identificado, maiores serão as chances de recuperação boonchai wedmakawand2 de 9 Por isso, é importante estar atento aos sinais que o corpo dá. Apesar de alguns tumores não apresentarem sintomas, o câncer, muitas vezes, causa mudanças no organismo. Conheça alguns sinais que podem surgir na presença da doença Phynart Studio/ Getty Images3 de 9 A perda de peso sem nenhum motivo aparente pode ser um dos principais sintomas de diversos tipos de cânceres, tais como: no estômago, pulmão, pâncreas, etc. Flashpop/ Getty Images4 de 9 Mudanças persistentes na textura da pele, sem motivo aparente, também pode ser um alerta, especialmente se forem inchaços e caroços no seio, pescoço, virilha, testículos, axila e estômago FG Trade/ Getty Images5 de 9 A tosse persistente, apesar de ser um sintoma comum de diversas doenças, deve ser investigada caso continue por mais de quatro semanas. Se for acompanhada de falta de ar e de sangue, por exemplo, pode ser um indicativo da doença no pulmão South_agency/ Getty Images6 de 9 Outro sinal característico da existência de um câncer é a modificação do aspecto de pintas. Mudanças no tamanho, cor e formato também devem ser investigadas, especialmente se descamarem, sangrarem ou apresentarem líquido retido Peter Dazeley/ Getty Images7 de 9 A presença de sangue nas fezes ou na urina pode ser sinal de câncer nos rins, bexiga ou intestino. Além disso, dor e dificuldades na hora de urinar também devem ser investigados RealPeopleGroup/ Getty Images8 de 9 Dores sem motivo aparente e que durem mais de quatro semanas, de forma frequente ou intermitente, podem ser um sinal da existência de câncer. Isso porque alguns tumores podem pressionar ossos, nervos e outros órgãos, causando incômodos ljubaphoto/ Getty Images9 de 9 Azia forte, recorrente, que apresente dor e que, aparentemente, não passa, pode indicar vários tipos de doenças, como câncer de garganta ou estômago. Além disso, a dificuldade e a dor ao engolir também devem ser investigadas, pois podem ser sinal da doença no esôfago DjelicS/ Getty Images Risco de câncer e prevenção De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer do colo do útero é o terceiro mais incidente entre mulheres brasileiras, atrás apenas do de mama e do de cólon e reto. A estimativa é de 17 mil novos diagnósticos por ano até o final de 2025. Em 2024, mais de 6,8 mil mulheres morreram da doença no país. O HPV também pode provocar verrugas genitais e outros tipos de câncer, como os que afetam vagina, vulva, ânus, pênis e orofaringe. Por isso, especialistas reforçam que a vacinação de meninos também é essencial para proteger os próprios adolescentes e reduzir a circulação do vírus. Em 2020, o Brasil se comprometeu com a OMS a eliminar o câncer do colo do útero nas próximas décadas. Enquanto países como Austrália e Escócia já registram avanços significativos nesse sentido, o desafio brasileiro é ampliar a cobertura vacinal entre os jovens. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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