Câncer de próstata: quando fazer o bloqueio de testosterona? Ouvir 27 de abril de 2024 O envelhecimento da população e a piora dos hábitos de vida estão levando os casos de câncer de próstata a aumentar. Um relatório recente publicado na revista The Lancet aponta que os diagnósticos desse tipo de tumor vão dobrar nos próximos 20 anos, passando de 1,4 milhão para 2,9 milhões. Leia também Saúde Pesquisa descobre que existem 2 diferentes tipos de câncer de próstata Saúde Exercícios físicos regulares diminuem o risco de câncer de próstata Saúde Risco de câncer de próstata cai 35% para quem se exercita, diz estudo Saúde Câncer de próstata: novos tratamentos combatem tumores resistentes O oncologista Daniel Herchenhorn, que participou da elaboração do artigo para a publicação científica, explica que, atualmente, a comunidade médica vem buscando alternativas para o tratamento do câncer de próstata com bloqueio contínuo de testosterona. “Em alguns casos, os impactos do tratamento escolhido para a doença podem ser piores que o próprio câncer”, afirmou Herchenhorn, durante o IX Congresso Internacional de Oncologia D’Or, que foi realizado no Rio de Janeiro, entre os dias 12 e 13 de abril. “O tratamento quimioterápico do câncer de próstata envolve, em geral, o uso de bloqueadores de testosterona, que trazem mudanças hormonais pesadas para o organismo. As alterações, muitas vezes, duram anos, e acabam gerando mais riscos à vida dos pacientes do que benefícios, especialmente com ameaças de graves incidentes cardíacos”, alertou o especialista. Para ele, os bloqueadores devem ser usados quando a doença já está mais avançada ou em pacientes jovens, que poderão ser mais gravemente afetados por complicações do câncer. Quais os efeitos do uso de bloqueadores de testosterona? O bloqueio de testosterona em pacientes com câncer de próstata é adotado, pois os tumores se alimentam deste hormônio e, ao deixar de produzi-lo, o corpo realiza uma espécie de “castração química” dos tumores. Com o tempo, porém, a próstata consegue se tornar tolerante ao bloqueador, e é necessária uma rotação de medicamentos. “Os pacientes ficam muito tempo usando medicações, o que eleva muito o risco de doenças cardiovasculares graves”, aponta. O especialista aponta que o melhor cenário ocorre quando o câncer é diagnosticado em estágio inicial, isso permite que a evolução dele seja monitorada e o uso dos remédios ocorra de maneira pontual. O câncer de próstata é o segundo tipo mais comum de neoplasia entre homens brasileiros, atrás apenas do câncer de pele não-melanoma. As complicações do uso contínuo de bloqueadores são de curto e de longo prazo. No curto prazo, há sensações de calor súbito, fadiga e disfunção sexual. A longo prazo, aparecem quadros mais graves como anemia, osteoporose, diabetes e complicações cardíacas. Não se sabe exatamente a dimensão do impacto cardíaco do tratamento contra o câncer de próstata. Os estudos mais amplos feitos sobre o tema mostraram uma leve prevalência de mortes entre homens que receberam o tratamento, mas não a ponto de indicarem com exatidão os riscos, pois o infarto já costuma ser a principal causa de morte de homens idosos, público mais atingido pelo câncer de próstata. Para Herchenhorn, os efeitos colaterais só devem ser considerados aceitáveis quando a doença está mais avançada. O médico lembra, entretanto, que essa é um questão particular que deve ser discutida com o paciente e seu médico de confiança. Siga a editoria de Saúde no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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