Caxumba desce? Doença pode afetar a fertilidade em homens e mulheres Ouvir 3 de setembro de 2025 A caxumba é uma doença viral conhecida por provocar aumento doloroso das glândulas salivares, próximo à mandíbula. Mas, o que nem todo mundo sabe é que o vírus também pode atingir órgãos reprodutivos, como testículos e ovários, trazendo complicações que, em alguns casos, podem impactar a fertilidade. Segundo a infectologista Mirian Dal Ben, do Hospital Sírio-Libânes, a inflamação nos testículos (orquite) aparece em até 30% dos homens infectados. Já a inflamação nos ovários (ooforite) é bem menos frequente, afetando menos de 5% das mulheres. Leia também Distrito Federal Sarampo, caxumba, hepatite: DF aumenta cobertura vacinal em 2023 Vida & Estilo Aliada da fertilidade: como a dieta pode favorecer a saúde reprodutiva Saúde Infertilidade masculina: veja cinco causas mais incomuns Saúde Fumar prejudica a fertilidade tanto de homens como de mulheres O risco de infertilidade é maior nos homens, especialmente quando os dois testículos são comprometidos — situação em que até 50% dos pacientes podem ter a fertilidade reduzida. A ginecologista Helga Marquesini, também do Sírio-Libanês, explica que, nas mulheres, a relação entre caxumba e infertilidade é rara. Ainda assim, há registros de casos em que a ooforite esteve associada à menopausa precoce. Sintomas de caxumba Inchaço e dor nas glândulas salivares (geralmente na frente da orelha). Febre. Dor de cabeça. Fadiga e fraqueza. Perda de apetite. Dor ao mastigar ou engolir. Caxumba é causada por vírus A caxumba é causada por um vírus transmitido por gotículas de saliva eliminadas ao falar, tossir ou espirrar. Também pode ocorrer por contato direto com secreções respiratórias de pessoas infectadas. O período de maior transmissão é entre dois dias antes e até cinco dias após o início dos sintomas. O reconhecimento da caxumba geralmente se dá por meio do exame médico das glândulas. Para obter uma confirmação mais precisa, o profissional de saúde pode solicitar um exame de sangue. A detecção laboratorial da caxumba é estabelecida quando o exame de sangue revela a presença de anticorpos específicos para o paramixovírus, o agente causador da doença. Esse processo permite descartar outras condições com manifestações semelhantes. Não existe um medicamento específico contra a caxumba. O tratamento é feito com medidas de suporte: repouso, ingestão de líquidos, uso de analgésicos, antitérmicos e, quando necessário, compressas frias para aliviar a dor e o inchaço. Em casos de complicações, como orquite ou ooforite, o acompanhamento médico é fundamental para avaliar os impactos na saúde reprodutiva. Prevenção A forma mais eficaz de prevenção é a vacinação com a tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola). O esquema vacinal prevê duas doses: a primeira aos 12 meses de idade e a segunda entre 15 meses e 4 anos. Adultos que não receberam as duas doses também podem se vacinar. “Após a introdução da vacina, os casos de orquite caíram drasticamente. Hoje, os episódios são raros e geralmente acontecem em pessoas com esquema vacinal incompleto”, afirma Mirian Dal Ben. Quem já teve caxumba e apresentou complicações como dor e inchaço nos testículos deve procurar um urologista para avaliar a fertilidade. Nos homens, mesmo que haja redução na produção ou na motilidade dos espermatozoides, ainda existe chance de engravidar a parceira — inclusive por meio de técnicas de reprodução assistida. Em mulheres, o comprometimento da fertilidade é considerado muito raro. Ainda assim, exames específicos podem avaliar eventuais alterações. “A melhor medida é sempre a prevenção por meio da vacinação”, reforça Helga. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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