Cera de ouvido pode ajudar a detectar Parkinson em estágio inicial Ouvir 28 de junho de 2025 A cera de ouvido pode ajudar a identificar sinais precoces da doença de Parkinson, segundo um estudo publicado no fim de maio na revista Analytical Chemistry. Pesquisadores chineses descobriram que compostos químicos presentes na substância diferem entre pessoas com e sem a condição neurológica. O achado pode abrir caminho para um teste diagnóstico mais simples, barato e precoce, algo que pode fazer grande diferença na vida dos pacientes. Quanto mais cedo o Parkinson é identificado, mais eficazes tendem a ser as estratégias de tratamento e controle dos sintomas. O que é o Parkinson? O Parkinson é uma condição crônica e progressiva causada pela neurodegeneração das células do cérebro. Estima-se que cerca de 10 milhões de pessoas no mundo tenham Parkinson. A ocorrência é mais comum entre idosos com mais de 65 anos, mas também pode se manifestar em outras idades. A doença atinge principalmente as funções motoras, causando sintomas como: lentidão dos movimentos, rigidez muscular e tremores. Os pacientes também podem ter: diminuição do olfato, alterações do sono, mudanças de humor, incontinência ou urgência urinária, dor no corpo e fadiga. Cerca de 30% das pessoas que vivem com Parkinson desenvolvem demência por associação. Sinais da doença podem estar no canal auditivo A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade de Zhejiang, na China, com base em descobertas anteriores que apontam uma possível alteração no odor corporal em pessoas com Parkinson, provocada por mudanças na produção de sebo, a substância oleosa que hidrata a pele. Como o sebo presente na superfície da pele é exposto ao ar e ao ambiente, ele tende a sofrer alterações que dificultam sua análise em testes clínicos. Já a cera de ouvido é uma secreção mais protegida, o que permite uma investigação mais estável e precisa. Os pesquisadores analisaram amostras do canal auditivo de 209 participantes, sendo 108 com diagnóstico de Parkinson. Quatro compostos orgânicos voláteis (COVs) se destacaram nas amostras de pacientes com a doença: etilbenzeno, 4-etiltolueno, pentanal e 2-pentadecil-1,3-dioxolano. Esses compostos podem refletir alterações causadas por processos como inflamação, estresse celular e degeneração dos neurônios. Inteligência artificial melhora precisão dos testes Com base nesses dados, os cientistas treinaram um modelo de inteligência artificial, chamado sistema olfativo de IA (AIO), capaz de identificar corretamente os casos de Parkinson em 94,4% das vezes, índice considerado promissor, embora ainda limitado a um grupo pequeno. A próxima etapa da pesquisa é ampliar a análise para grupos maiores, em diferentes fases da doença e com mais diversidade entre os participantes. Se os resultados forem confirmados, um simples teste com cotonete poderá se tornar parte do processo de diagnóstico, ajudando a identificar a condição mais cedo e a iniciar o tratamento o quanto antes. “Queremos entender se esse método tem valor prático em diferentes estágios da doença, em vários centros de pesquisa e entre diversos grupos étnicos”, afirmou Hao Dong, bioquímico da Universidade de Aeronáutica e Astronáutica de Nanquim, em comunicado. Além disso, os compostos identificados funcionam como uma espécie de impressão digital química da doença. Eles podem ajudar a entender melhor como o Parkinson começa e evolui, o que também pode beneficiar futuras estratégias de prevenção e tratamento. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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