Entenda a nova diretriz de febre em crianças e quando procurar ajuda Ouvir 22 de outubro de 2025 A febre é uma das maiores preocupações entre pais e cuidadores de crianças. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), ela está presente em até 30% das consultas em consultórios e em cerca de 65% dos atendimentos de emergência. Embora assuste, a elevação da temperatura é, na maioria das vezes, uma resposta natural do organismo diante de infecções. Recentemente, a SBP atualizou o parâmetro que define febre infantil: agora, considera-se febre quando a temperatura axilar é igual ou superior a 37,5°C, e não mais 37,8°C. A nova diretriz se baseia em evidências científicas que indicam que pequenas variações de temperatura já podem sinalizar que algo está fora do normal. O que muda com a nova definição Para a pediatra Simone Borges da Silveira, do Hospital Pequeno Príncipe, o ajuste busca padronizar a avaliação clínica. “Antes, havia diferentes parâmetros dependendo do local de medição. Agora, a padronização facilita o diagnóstico e o cuidado médico”, explica. Ela lembra que a forma de aferir a temperatura também interfere no resultado. “No Brasil, a medição pela axila é a mais usada. A via retal não é adotada aqui, e o termômetro no ouvido pode gerar falsos negativos se houver cera acumulada”, diz. O pediatra e neonatologista Nelson Douglas Ejzenbaum, membro da Academia Americana de Pediatria, reforça que a febre não deve ser vista como um inimigo. “O aumento de temperatura é um mecanismo de defesa. Abaixo de 37,5°C, geralmente não há risco, e a própria febre pode ajudar o corpo a combater a infecção”, explica. Como agir em casa? Na maioria dos casos, a febre pode ser observada e tratada com medidas simples. Roupas leves, banhos mornos e boa hidratação ajudam a aliviar o desconforto. Banhos frios e aplicação de álcool na pele devem ser evitados, pois podem causar riscos à criança. “É importante não cair na ‘febrefobia’. A maioria dos quadros é viral e não exige antibióticos. O foco deve ser manter o conforto e observar o comportamento da criança”, alerta Simone. A oncologista pediátrica Juliana França da Mata, do Hospital Sírio-Libanês em Brasília, destaca que a febre só precisa de investigação médica se vier acompanhada de sinais de mal-estar. “O aumento da temperatura por si só não é o problema. O que preocupa são sintomas como choro intenso, irritabilidade, falta de apetite ou sonolência excessiva”, afirma. O aumento da temperatura é uma reação natural do organismo para combater agressores, como vírus ou bactérias Quando é hora de procurar ajuda? Apesar de muitas febres poderem ser controladas em casa, há situações que exigem atenção imediata. “Temperaturas muito altas acompanhadas de dor de cabeça intensa, confusão, manchas na pele, dificuldade para respirar ou convulsões indicam necessidade de avaliação médica”, alerta Ejzenbaum. A SBP também orienta que bebês com menos de 3 meses e temperatura acima de 38°C ou abaixo de 35,5°C sejam levados ao pronto atendimento. Crianças com doenças crônicas, imunossupressão ou febre persistente por mais de três dias também devem ser avaliadas. “Em qualquer dúvida, o ideal é buscar orientação do pediatra. Mais do que o número no termômetro, o comportamento e o estado geral da criança é que devem guiar a decisão”, reforça Juliana. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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