Estudo revela que as emoções também passam pelo estômago. Entenda Ouvir 26 de agosto de 2025 Uma pesquisa da Universidade de Aarhus, Dinamarca, identificou que uma forte sincronia entre os ritmos elétricos do estômago e a atividade cerebral está relacionada diretamente a níveis mais elevados de sofrimento psicológico, como ansiedade, depressão, estresse e fadiga. Para o estudo, 243 participantes foram submetidos a um eletrogastrograma (para registrar os ritmos estomacais), ressonância magnética funcional em repouso (fMRI) e uma extensa bateria de questionários que avaliaram saúde mental e bem-estar. A investigação foi publicada em 30 de julho na revista Nature Mental Health. Os dados obtidos foram cruzados e alguns padrões de interocepção, que é a percepção dos sinais internos do corpo, foram identificados e relacionados ao estado emocional. Leia também Vida & Estilo Médica revela como emoções podem afetar saúde da pele e envelhecimento Saúde Você desconta suas emoções na comida? Entenda por que isso ocorre Vida & Estilo Ciência revela o que comer para evitar sofrer de ansiedade e estresse Saúde Como estresse, ansiedade e depressão podem interferir no leite materno Os resultados apontaram especificamente que uma maior sincronização entre a atividade cerebral e o ritmo do estômago — que ocorre aproximadamente a cada 20 segundos mesmo na ausência de digestão — está associada à pior saúde mental. Surpreendentemente, essa sincronia mais intensa tem correlação com maiores níveis de ansiedade, depressão, estresse e fadiga — enquanto uma sincronização mais tênue indicou, em média, melhor bem-estar e qualidade de vida. O estudo conduzido pela pesquisadora Leah Banellis, que faz parte do Centro de Neurociência Funcionalmente Integrativa da instituição, ressalta que “intuitivamente, supomos que uma comunicação mais forte entre corpo e cérebro indique saúde”, o que não é o caso. Diferente de outros ritmos corporais como respiração ou batimentos cardíacos, em que a sintonia com o cérebro tende a favorecer a regulação emocional, no caso do estômago a comunicação pode indicar um estado de estresse exacerbado. Indivíduos com essa assinatura estatística podem estar com o sistema nervoso interno em alerta elevado — uma “assinatura” fisiológica pouco compreendida, mas com potencial para se tornar indicador clínico. Estudo mostra que a comunicação entre estômago e cérebro pode influenciar diretamente sintomas de ansiedade e estresse A pesquisa indica também que rotinas alimentares e até medicamentos podem interferir nos ritmos gástricos, o que abre caminho para futuras intervenções personalizadas em saúde mental. Ainda que não se trate de uma relação causal comprovada, o estudo amplia a compreensão sobre como o corpo — e em especial o aparelho digestivo — participa ativamente das emoções. O próximo passo? Avaliar, em grupos clínicos, se essa sincronia pode prever crises emocionais ou até indicar eficácia de terapias baseadas nos ritmos corporais. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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