Estudo: uma em cada cinco pessoas com IMC normal pode ter obesidade Ouvir 20 de outubro de 2025 Um estudo global publicado na revista JAMA Network Open na última sexta-feira (17/10) revelou que cerca de 21,7% das pessoas com índice de massa corporal (IMC) considerado normal apresentam obesidade abdominal, condição caracterizada pelo acúmulo de gordura na região da cintura. A pesquisa utilizou dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) referentes a 471 mil adultos de 91 países e mostrou que esse tipo de obesidade está relacionado a maior risco de pressão alta, diabetes e níveis elevados de colesterol e triglicerídeos. O problema foi mais comum em países da região do Mediterrâneo Oriental e menos frequente no Pacífico Ocidental. Quando o peso engana Ter um IMC dentro da faixa considerada saudável (entre 18,5 e 24,9) nem sempre significa estar livre de riscos. Segundo os pesquisadores, pessoas com cintura acima de 80 centímetros, no caso das mulheres, e 94 centímetros, no caso dos homens, podem ter o que os especialistas chamam de “obesidade de peso normal”. Leia também Saúde Obesidade: nova diretriz autoriza tratamento para IMC abaixo de 30 Saúde Fim do IMC? Estudo propõe novos critérios para definição da obesidade Saúde Especialistas buscam nova forma de diagnosticar obesidade além do IMC Saúde Nova diretriz muda tratamento da obesidade e foca no risco cardíaco A condição ocorre quando há acúmulo de gordura visceral, aquela que se concentra entre os órgãos internos, mesmo que o peso corporal total pareça adequado. Essa gordura é metabolicamente ativa e aumenta a probabilidade de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e distúrbios do colesterol. O estudo aponta que fatores como sedentarismo, baixo consumo de frutas e vegetais, desemprego e menor nível de escolaridade estão entre os principais associados à obesidade abdominal. Pessoas fisicamente inativas, por exemplo, apresentaram 60% mais chances de ter a condição. 9 imagensFechar modal.1 de 9 Obesidade, mais do que o acúmulo de peso, é uma doença que afeta o corpo de forma sistêmica Gettyimages2 de 9 Sintomas da obesidade clínica que vão além do IMC Reprodução/tHE lANCET3 de 9 Além das doenças, pessoas com obesidade precisam lidar com estigmas sociais associados à doença, que envolvem preconceito, estereótipos desrespeitosos, falta de entendimento, levando os pacientes a condições de baixa autoestima, vergonha e culpa pela condição de saúde e pelo peso Jose Luis Pelaez Inc/ Getty Images4 de 9 A causa fundamental da obesidade e do sobrepeso é o desequilíbrio energético entre a quantidade de calorias ingeridas e a quantidade de calorias utilizadas pelo indivíduo para realização de suas atividades diárias. O excesso de calorias não consumidas acumula-se em forma de gordura corporal Getty Images5 de 9 Segundo um levantamentos da OMS, as taxas de obesidade em adultos praticamente triplicaram desde 1975 e se elevaram em cinco vezes em crianças e adolescentes. No Brasil, segundo o IBGE, a condição deve atingir quase 30% da população adulta do país em 2030 Peter Dazeley/ Getty Images6 de 9 Essa condição médica se refere ao aumento da gordura corporal e que provoca uma série de doenças associadas, como diabetes tipo 2, hipertensão, problemas de coração, dislipidemia (colesterol alto), esteatose (gordura no fígado) e outras comorbidades causadas pelo excesso de peso Maskot/ Getty Images7 de 9 De acordo com especialistas, apesar de a obesidade ser uma doença crônica multifatorial e, como todas elas, não ter cura, ela tem tratamento e controle Maskot/ Getty Images8 de 9 Consumir alimentos saudáveis e praticar atividades físicas que favoreçam o ganho de massa muscular é uma forma de combater a condição Zing Images/ Getty Images9 de 9 Acima de tudo, é necessário ter força de vontade e constância. Para entender como controlar a obesidade é fundamental valorizar cada conquista alcançada seksan Mongkhonkhamsao/ Getty Images Risco invisível para a saúde Segundo os pesquisadores, os resultados indicam que confiar apenas no IMC pode levar à falsa sensação de segurança. A medida não diferencia a massa muscular de gordura e não revela onde o tecido adiposo está concentrado. Por isso, a circunferência da cintura vem sendo defendida por especialistas como um indicador complementar importante na avaliação de saúde metabólica. Os autores do trabalho reforçam que políticas públicas e campanhas de prevenção devem incluir também indivíduos com peso normal, já que eles podem apresentar alterações que elevam o risco de doenças crônicas. Entre as recomendações estão a prática regular de atividades físicas e uma alimentação equilibrada, rica em vegetais e pobre em alimentos ultraprocessados. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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