Fígado de porco é transplantado em paciente humano pela primeira vez Ouvir 27 de março de 2025 Médicos chineses realizaram o primeiro transplante de um fígado de porco geneticamente modificado em um ser humano. O procedimento foi feito em um paciente com morte cerebral e, durante os 10 dias do estudo, o órgão funcionou normalmente sem sinais de rejeição. O estudo foi conduzido por uma equipe da Quarta Universidade Médica Militar da China. Os resultados dele foram publicados nessa quarta-feira (26/3), na revista Nature. O transplante foi realizado em 7 de março de 2024, utilizando o fígado geneticamente modificado para aumentar a compatibilidade com o organismo humano. O animal teve seis genes editados para reduzir o risco de rejeição e melhorar a adaptação do órgão ao corpo do receptor. Segundo os pesquisadores, o fígado desempenhou suas funções metabólicas básicas, sugerindo que o xenotransplante pode ser uma alternativa para pacientes com doença hepática avançada que aguardam um transplante humano. Leia também Saúde Cientistas imprimem pênis em 3D e restauram ereções em porcos. Entenda Mundo Mulher surpreende com boa recuperação após transplante de rim de porco Saúde EUA aprova estudo clínico com transplante de rim de porco em humanos Saúde Mulher que recebeu transplante de rim de porco deixa de fazer diálise Xenotransplante como alternativa A escassez de órgãos de doadores é um dos principais desafios para pacientes que precisam de transplante. O xenotransplante, que consiste no uso de órgãos de animais geneticamente modificados, tem sido estudado como uma opção viável. O estudo com rins é, atualmente, o mais avançado, com resultados positivos em pacientes vivos. No caso do fígado, os desafios são maiores, pois suas funções são mais complexas do que as do rim. As substâncias produzidas pelo órgão podem desencadear uma resposta imunológica intensa, dificultando a aceitação pelo organismo humano. Para minimizar a rejeição, os cientistas fizeram seis modificações genéticas no porco doador. Genes responsáveis pela rejeição hiperaguda foram removidos, enquanto genes humanos foram inseridos para aumentar a compatibilidade. Funcionamento do transplante O procedimento adotado foi um transplante auxiliar, no qual o fígado do paciente não foi removido. O novo órgão foi implantado em outra região do abdome e monitorado. Durante os 10 dias do estudo, o sistema imunológico do paciente não rejeitou o fígado, com o uso de imunossupressores. O órgão manteve um fluxo sanguíneo adequado e produziu bile e albumina suína, indicando atividade funcional. “As análises histológicas mostraram que o fígado suíno se regenerou com capacidade, sem sinais de rejeição”, escreveram os pesquisadores no artigo. “A atividade das células T foi inibida pela administração de globulina antitimócito, e a ativação das células B aumentou 3 dias após a cirurgia e foi então inibida pelo rituximabe”, completaram. Um diagrama esquemático da cirurgia A pesquisa foi interrompida a pedido da família do paciente, mas os médicos afirmam que o experimento demonstrou que as alterações genéticas reduziram a rejeição do órgão, o que abre caminho para novos estudos. Ainda há questões a serem respondidas. Como o paciente mantinha seu próprio fígado funcionando, não foi possível determinar se o órgão do porco poderia substituir integralmente a função hepática em um caso de insuficiência. Além disso, o estudo envolveu apenas um paciente, o que limita as conclusões. Os pesquisadores, no entanto, acreditam que a técnica pode se tornar uma alternativa para pacientes que aguardam transplantes e não possuem outras opções de tratamento. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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