Insônia fatal: a doença rara e sem cura que destrói o sono em meses Ouvir 24 de outubro de 2025 A insônia familiar fatal é uma doença neurológica extremamente rara, conhecida por comprometer progressivamente o sono e levar à degeneração cerebral rápida. Diferente da insônia comum, que afeta milhões de pessoas de forma crônica, a condição evolui em poucos meses, provocando alterações físicas, cognitivas e comportamentais severas. A doença é causada por mutações genéticas que geram uma proteína anormal, levando à destruição de células no tálamo, região do cérebro essencial para a regulação do sono, controle da atenção, consciência e integração de estímulos sensoriais e emocionais. Com isso, o padrão de sono desaparece, ficando cada vez mais instável até desaparecer por completo. Leia também Saúde Sofre de insônia? Saiba quais doenças estão associadas à condição Ponto de vista Insônia: quando o dormir exige mais do que um chá ou um remédio Saúde Insônia? Sono quebrado? Confira um guia para ter noites bem dormidas Saúde Remédio para insônia reduz proteína ligada ao Alzheimer, mostra estudo Sintomas iniciais e evolução da insônia familiar fatal Dificuldade para iniciar o sono, com despertares frequentes e sono superficial. Sono que não responde a tratamentos convencionais, sejam medicamentos ou medidas não farmacológicas. Alterações no sistema autonômico, incluindo aumento da frequência cardíaca, sudorese e variações de pressão arterial. Mudanças comportamentais, como agitação, irritabilidade e, em alguns casos, alucinações. A insônia familiar fatal se inicia com sinais sutis, mas distintos da insônia comum. “Além da insônia intensa, é comum observar agitação, movimentos involuntários e alterações na percepção, sinais que ajudam a diferenciar a doença da insônia habitual”, explica o professor de neurologia e medicina do sono Alan Luiz Eckeli, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto/USP. Com a progressão da doença, que pode acontecer em questão de meses, surgem consequências mais graves: Comprometimento cognitivo: dificuldades de atenção, memória de curto prazo e, posteriormente, evolução para demência completa. Sintomas motores: dificuldade para falar, engolir, problemas de equilíbrio e fraqueza muscular. Perda progressiva do sono: o tempo total de descanso diminui cada vez mais, intensificando a fadiga e o declínio físico e mental. Diagnóstico complexo O diagnóstico envolve uma combinação de exames de sono e de imagem. A polissonografia revela perda da estrutura típica do sono, enquanto exames de PET ou ressonância magnética podem mostrar alterações no tálamo e em outras regiões cerebrais, embora nenhum exame seja totalmente específico. O exame genético, que identifica mutações da proteína priônica, é atualmente a ferramenta mais confiável para confirmar a condição. Exames do líquido cefalorraquidiano podem auxiliar, mas não são determinantes. Pacientes com insônia familiar fatal apresentam sono cada vez mais instável, alterações autonômicas e declínio cognitivo ao longo de meses A doença pode surgir de forma familiar, com herança autossômica dominante, ou de forma esporádica, sem histórico na família. Fatores externos, como estresse ou hábitos de vida, não desencadeiam a doença, embora possam agravar sintomas já presentes. “Infelizmente, não existe tratamento curativo. O manejo é paliativo, voltado para aliviar sintomas e oferecer conforto, utilizando medicações sedativas, neurolépticos e recursos para controlar os sinais autonômicos que causam grande desconforto”, explica Lúcio Huebra, neurologista e membro do Conselho Administrativo da Academia Brasileira do Sono (ABS). Tratamento e manejo da doença Pesquisas com anticorpos monoclonais e terapias genéticas estão em fase experimental, principalmente em modelos animais, e ainda não têm aplicação clínica comprovada. O manejo da insônia familiar fatal é atualmente paliativo, focado em reduzir sintomas e oferecer conforto ao paciente, utilizando medicações sedativas, neurolépticos e recursos para controlar sinais autonômicos que geram desconforto. A insônia familiar fatal leva à morte em cerca de 18 meses, embora existam registros de sobrevida de até três ou quatro anos, dependendo da idade de início e da agressividade do quadro. Apoio a pacientes e familiares O aconselhamento genético é indicado para famílias com histórico de insônia familiar fatal, considerando os impactos psicológicos e sociais de conhecer a predisposição. O acompanhamento clínico deve ser multidisciplinar, oferecendo suporte físico, emocional e orientação aos pacientes e familiares. Mesmo sendo rara, a insônia familiar fatal mostra a complexidade das doenças neurológicas e a importância de reconhecer sintomas incomuns o quanto antes. Entender o funcionamento do sono e suas alterações ajuda médicos e pesquisadores a fornecer um cuidado mais efetivo, mesmo sem tratamento curativo disponível. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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