Melanoma: “Fui diagnosticada com a mesma doença que matou meu marido” Ouvir 13 de setembro de 2025 A vida da professora Nélida Campos, 44 anos, ganhou novos rumos em 2018, quando seu marido, André Campos, recebeu o diagnóstico de melanoma acral em estágio 4 — um dos tipos mais agressivos do câncer de pele, que surge em áreas pouco expostas ao sol, como plantas dos pés e unhas. Na época, Nélida estava grávida do filho mais novo do casal. O médico foi direto: André teria apenas cinco anos de vida. A previsão se cumpriu à risca: ele faleceu em 12 de fevereiro de 2023, aos 48 anos. A experiência deu origem ao livro Dançando na chuva, escrito por Nélida, no qual ela relata a luta do casal contra a doença e os impactos da perda. Leia também Saúde Vírus da herpes modificado reduz melanoma avançado em ensaio clínico Saúde Dieta rica em fibras pode ser aliada contra o melanoma, sugere estudo Saúde Após 25 cirurgias contra câncer de pele, homem descobre novo tumor Saúde Casos de câncer de pele em idosos dispararam nas últimas três décadas “Foi um furacão em nossas vidas”, relembra. “O médico disse que ele só tinha cinco anos de vida e guardamos essa informação para nós. Só eu e ele sabíamos”, conta. O melanoma de André começou com um sinal discreto na ponta do pé, que evoluiu para um caroço e se rompeu. Após a retirada, a investigação apontou a forma mais avançada do câncer. “O que deixava a gente feliz é que o câncer não se espalhou para o restante do corpo, o que não é normal para um melanoma. Isso criava uma expectativa”, explica a professora. A convivência com a doença também acendeu um alerta em Nélida sobre os próprios cuidados médicos. Em consultas de rotina, ela acabou sendo diagnosticada com melanoma em estágio inicial. “Por causa do André, intensifiquei as minhas prevenções. Já fiz duas retiradas de sinais malignos. Ser diagnosticada com melanoma foi um gatilho para mim. Chorei muito, pensei: “Vou morrer da mesma doença que matou meu marido?” Hoje, ela se submete a exames periódicos, como o mapeamento digital de sinais (PhotoFinder), a cada seis meses, e já passou por pequenas cirurgias para ampliação das margens das lesões retiradas. Coincidência ou destino, foi acompanhada pelo mesmo oncologista que tratou André. O que é o melanoma e quais os estágios O dermatologista Eduardo Oliveira, cirurgião dermatológico e especialista em oncologia cutânea, explica que o melanoma é um dos tipos mais agressivos de câncer de pele. O melanoma acral, como o que atingiu André, é raro, representa menos de 5% dos casos e costuma aparecer em extremidades, como mãos, pés e unhas. Diferente de outros tipos, ele não está diretamente relacionado à exposição solar e pode ser confundido com lesões benignas, o que atrasa o diagnóstico. Estágios do melanoma Estágio 1: é o mais precoce, restrito à pele, com chance de sobrevida acima de 95% em dez anos. Estágio 4: o mais avançado, quando o câncer já atingiu órgãos como pulmão, fígado, ossos ou cérebro. A sobrevida é baixa, mesmo com tratamento. “Enquanto o melanoma em estágio inicial tem ótimo prognóstico, no estágio 4 ele é extremamente letal. É um câncer que pode ser totalmente curável se detectado cedo”, afirma Oliveira. Segundo o especialista, o mapeamento digital de sinais, como o PhotoFinder usado por Nélida, é uma ferramenta importante para pacientes de risco. Ele amplia de 10 a 70 vezes as lesões de pele, fotografa e registra cada pinta para comparação em exames futuros. ABCDE: como identificar e prevenir o melanoma A – Assimetria: quando uma metade da pinta é diferente da outra. B – Bordas: irregulares ou mal definidas. C – Cor: presença de várias tonalidades na mesma pinta. D – Diâmetro: maior que 6 mm. E – Evolução: mudanças no tamanho, cor ou forma ao longo do tempo. A prevenção também é fundamental: uso de protetor solar com fator acima de 30, reaplicação a cada duas ou três horas, roupas e óculos com proteção UV, e evitar exposição direta ao sol entre 9h e 16h são as principais recomendações. “O autoexame mensal e as consultas regulares ao dermatologista podem salvar vidas”, reforça o médico. A história de Nélida é um exemplo da força que nasce do luto. Ao transformar a dor em livro, ela encontrou uma forma de conscientizar outras pessoas sobre a importância do diagnóstico precoce. “Eu guardo a memória do André com amor e sigo cuidando da minha saúde para estar aqui pelos nossos filhos”, afirma. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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