Mulher que teve câncer 6 vezes consegue ser mãe com barriga solidária Ouvir 7 de setembro de 2025 A enfermeira Halayne Rodrigues de Souza Ávila tinha 20 anos quando recebeu o diagnóstico de câncer de ovário. A doença foi descoberta já em estágio avançado e teve diversas recidivas, transformando a história de vida da moradora de Santo Antônio de Pádua (RJ). Apesar dos desafios impostos pelos tumores, ela enxerga sua jornada como uma história de superação e amor, atributos que foram necessários para realizar o sonho de ser mãe. Quando o câncer apareceu, em 2001, os sintomas começaram de forma sutil. “Eu sentia muita dor no estômago, mas achava que era gastrite — com o passar do tempo, a barriga foi crescendo e a dor aumentando. Foi quando procurei o médico e descobri o câncer”, lembra Halayne. Depois da confirmação, os médicos foram categóricos: seria preciso retirar os ovários e as trompas com urgência e, ainda assim, as chances de sobrevivência eram baixas. Leia também Saúde Cientistas começam a desenvolver vacina contra câncer de ovário Saúde Sintoma de câncer de ovário pode aparecer durante refeições. Entenda Saúde Câncer de ovário: conheça os sintomas para diagnóstico precoce Saúde Câncer de ovário: conheça os sintomas e tratamento Os cinco retornos do câncer Inicialmente, o tumor pareceu reagir bem ao tratamento. Pouco mais de um ano depois, em 2003, porém, a doença retornou: uma metástase atacou o útero e o saco posterior (região entre o útero e o reto). A cirurgia foi acompanhada de mais um ciclo de seis sessões de quimio. “Desde o primeiro diagnóstico, já tinha medo de não ser mãe. Nessa época, o congelamento de óvulos era muito caro e pouco citado. Acho que nem poderia tentar pelo meu estágio da doença. Depois, tirei o útero. Mas tinha na cabeça que a maternidade aconteceria de alguma forma para mim”, conta. Durante quase uma década, Halayne ficou sem sinais do câncer no corpo. Porém, 10 anos após o primeiro diagnóstico, ele voltou a aparecer, dessa vez na bexiga e no intestino. O estado era tão avançado que a enfermeira precisou passar por um complexo ciclo de quimios e cirurgias para tentar preservar ao menos parte de sua bexiga. Entre 2011 e 2024, Halayne passou por mais de 10 cirurgias. Ela ficou mais quase cinco anos sem a doença — mas, em 2017, apareceram mais tumores, atingindo o reto, o intestino e o diafragma (espécie de cobertura entre o sistema digestivo e o respiratório). “Essa cirurgia foi a mais desafiadora, pois tive uma intercorrência durante a recuperação. Tive uma fístula no ureter e precisei passar por uma nova cirurgia na semana seguinte. Usei bolsa de colostomia por dois anos e passei por mais seis ciclos de quimioterapia a cada 21 dias”, define ela. Em 2021, uma nova recidiva, dessa vez na pleura, película que envolve os pulmões. O tumor exigiu uma nova e delicada cirurgia e, desde então, Halayne toma bloqueadores hormonais para tentar reduzir os retornos da doença. O diagnóstico mais recente, de 2024, mostrou que a doença estava no tórax. “Coloquei uma prótese de titânio no tórax. Atualmente, sigo com uma nova medicação para tentar estacionar a doença. Sigo lutando contra o câncer. Faço exames a cada três meses. Tudo foi, e ainda é, muito difícil”, afirma. 3 imagensFechar modal.1 de 3 Halayne recebeu o óvulo de Ravi como uma doação Reprodução/Acervo pessoal2 de 3 Ela conseguiu ter seu filho graças ao auxílio da prima de seu esposo, que gerou o bebê Reprodução/Acervo pessoal3 de 3 Halayne descobriu o câncer aos 20 anos, já em estado avançado Reprodução/Acervo pessoal Resistência e novas esperanças O peso emocional das duas décadas de tratamento foi tão intenso quanto os efeitos físicos. Halayne descreve o medo que sentia antes de cada cirurgia, sem saber se voltaria para casa. As dores, os efeitos da quimioterapia e a rotina de exames a cada três meses moldaram uma vida em constante suspensão. Ainda assim, o sonho da maternidade nunca desapareceu. Ela falava sobre o assunto com colegas de trabalho ou outras pacientes em tratamento e, em uma dessas conversas, ela conheceu o projeto Nós Tentantes. O grupo foi criado em 2019 a partir da vivência do casal fundador e oferece uma rede de apoio e informação para quem deseja viver o sonho de aumentar a família usando ovodoação ou barriga solidária. “Sabemos como a informação é poderosa para quebrar o isolamento e mostrar que não existe um único caminho para gerar”, conta Karina Steiger, idealizadora do projeto. Inicialmente, Halayne foi informada de que a espera por um óvulo poderia levar de seis meses a um ano. Para sua surpresa, porém, em apenas quatro meses o processo avançou. A cada etapa, a possibilidade da maternidade deixava de ser apenas um desejo distante e se tornava mais próxima da realidade. O momento decisivo aconteceu quando Raquel, prima de seu esposo, ofereceu-se para ser barriga solidária. “Foi um dos momentos mais emocionantes da minha vida. Senti uma gratidão profunda e um amor imenso pela Raquel. Ela é um ser humano extraordinário, que transformou um processo cheio de desafios em algo leve, repleto de amor e generosidade”, lembra Halayne. Em 2023, Ravi nasceu. O bebê simbolizou para a enfermeira a superação de duas décadas de tratamento. Raquel não apenas gerou a criança, mas também se tornou madrinha de batismo, consolidando um vínculo que Halayne descreve como eterno. O câncer de ovário Os casos de câncer de ovário costumam ser fáceis de tratar quando descobertos precocemente, mas três em cada quatro pacientes só descobrem a doença em estágios avançados, tornando o prognóstico desafiador. “O câncer de ovário continua sendo um grande desafio para a oncologia. Por isso, é fundamental ampliar a conscientização sobre os fatores de risco, incentivar consultas regulares com especialistas e, sobretudo, identificar mulheres que fazem parte do grupo de risco aumentado. Informação e diagnóstico precoce são ferramentas essenciais para mudar a jornada da paciente”, afirma o oncologista Fábio Fin. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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