Nova variante de vírus da gripe detectada na China preocupa cientistas Ouvir 17 de outubro de 2025 Uma nova variante do vírus da gripe, identificada na China, está despertando preocupação entre cientistas por dar indícios de que já pode estar circulando entre humanos. Em um estudo publicado na revista Emerging Microbes & Infections, em 10 de outubro, pesquisadores apontam que o influenza D (IDV) – até então restrito a animais – mostra sinais de adaptação para ser transmitido entre pessoas. Pesquisadores do Instituto de Pesquisa Veterinária de Changchun, liderados por Hongbo Bao, analisaram uma cepa isolada de bovinos do nordeste da China em 2023, batizada de D/HY11. A equipe descobriu que o vírus consegue se espalhar pelo ar em experimentos com animais de laboratório e também se replicar em células das vias respiratórias humanas. Leia também Saúde hMPV: alta na circulação de vírus respiratório na China acende alerta Saúde hMPV: o que se sabe sobre vírus que causa surto de infecções na China Saúde hMPV: saiba quais são os sintomas do vírus que se espalha na China Saúde Novo teste de gripe libera gosto doce na boca antes mesmo dos sintomas Vírus se espalha silenciosamente entre espécies O influenza D foi identificado pela primeira vez em 2011, em suínos com sintomas gripais nos Estados Unidos. Desde então, tornou-se comum em rebanhos bovinos e já foi detectado em diversos continentes, incluindo América do Sul, Europa, Ásia e África. Além do gado, o vírus tem sido encontrado em cabras, ovelhas, cavalos, camelos e cães. A pesquisa chinesa indica que o D/HY11 tem ampla capacidade de infecção em mamíferos e exibe tropismo no trato respiratório, ou seja, consegue se adaptar às células das vias aéreas de diferentes espécies. Segundo os autores, a habilidade amplia o risco de o vírus cruzar barreiras entre animais e humanos. Nos testes laboratoriais, o D/HY11 se multiplicou de forma eficiente em células de cães, humanos, vacas e porcos. Quando colocado em contato com furões, modelo padrão para o estudo da gripe humana, o vírus foi capaz de se espalhar pelo ar de animais infectados para saudáveis, sem necessidade de contato direto. Esse comportamento é considerado um sinal importante de potencial transmissão entre pessoas. Alta exposição em humanos na China Além dos testes em laboratório, os cientistas analisaram amostras de sangue de 612 voluntários no nordeste da China, coletadas entre 2020 e 2024. O resultado revelou uma taxa de exposição de 73% na população geral e de 96% entre pessoas que procuraram atendimento médico por sintomas respiratórios. Segundo os pesquisadores, os números sugerem que o vírus pode estar circulando de forma silenciosa há alguns anos. A equipe alerta que infecções leves ou assintomáticas podem estar contribuindo para a disseminação sem detecção. Não há, no entanto, confirmação de que o IDV já seja transmitido diretamente entre humanos, mas os indícios preocupam. Os autores destacam que, até o momento, nenhum país realiza testes de rotina para o vírus influenza D, o que dificulta o monitoramento de sua propagação. Eles recomendam vigilância global e mais estudos para entender a dinâmica da infecção e seu real potencial de risco à saúde pública. Resistência a medicamentos O estudo também avaliou a eficácia de medicamentos antivirais usados contra a gripe comum. A cepa D/HY11 mostrou-se resistente à maioria deles, mas respondeu melhor a drogas que atuam na polimerase do vírus, mecanismo responsável pela replicação. Os pesquisadores observaram ainda que a polimerase da nova cepa apresenta atividade mais elevada que a das versões anteriores, o que pode favorecer sua disseminação entre mamíferos. Para os cientistas, o conjunto de evidências indica que o influenza D está evoluindo rapidamente e requer atenção. Embora ainda não haja casos confirmados de transmissão sustentada entre humanos, a alta taxa de exposição e a adaptação do vírus a diferentes espécies reforçam a necessidade de vigilância. “O influenza D (IDV) pode ter adquirido a capacidade de transmissão de humano para humano durante sua evolução em andamento. As cepas atualmente circulantes já representam uma potencial ameaça panzoótica”, conclui o artigo. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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