Síndrome das pernas inquietas pode aumentar o risco de Parkinson Ouvir 10 de outubro de 2025 A síndrome das pernas inquietas, ou doença de Willis-Ekbom, é uma condição neurológica que provoca um forte impulso de mover as pernas, especialmente em repouso, como na hora de dormir. A condição desconfortável, porém, acaba de ser relacionada a algo muito mais grave: pesquisadores coreanos encontraram evidências que associam a síndrome ao Parkinson. O estudo publicado na segunda-feira (6/10) na JAMA Network Open avaliou dados da Korean National Health Insurance Service entre 2002 e 2019. A avaliação descobriu que pessoas com síndrome das pernas inquietas (RLS) apresentaram risco 60% maior de desenvolver a doença de Parkinson em comparação a pessoas sem a condição. A pesquisa, conduzida por três hospitais de pesquisa na Coreia do Sul, analisou 9.919 pacientes com RLS e mais 9.919 sem o quadro. Leia também Saúde Cientistas descobrem sinal que distingue Parkinson do tremor essencial Claudia Meireles Neuro indica o melhor esporte para aliviar os sintomas de Parkinson Saúde Parkinson e coração: o que a respiração tem a ver com a saúde cardíaca Saúde Técnica com IA melhora caminhada de pessoas com Parkinson, diz estudo O que é o Parkinson? O Parkinson é uma condição crônica e progressiva causada pela neurodegeneração das células do cérebro. Estima-se que cerca de 10 milhões de pessoas no mundo tenham Parkinson. A ocorrência é mais comum entre idosos com mais de 65 anos, mas também pode se manifestar em outras idades. A doença atinge principalmente as funções motoras, causando sintomas como: lentidão dos movimentos, rigidez muscular e tremores. Os pacientes também podem ter: diminuição do olfato, alterações do sono, mudanças de humor, incontinência ou urgência urinária, dor no corpo e fadiga. Cerca de 30% das pessoas que vivem com Parkinson desenvolvem demência por associação. A relação das pernas inquietas com o Parkinson Os pacientes com RLS foram divididos em dois grupos: os que receberam agonistas de dopamina (tratamento comum para as pernas inquietas) e os que não tomaram a medicação. A ideia era verificar se o tratamento com dopamina influenciava o risco de Parkinson, já que ambas as condições envolvem alterações nos mesmos mecanismos cerebrais. O resultado mostrou que, ao longo dos 17 anos de acompanhamento, 1,6% dos pacientes com RLS desenvolveram Parkinson, contra 1% das pessoas sem a inquietude nas pernas, indicando que o risco é 60% maior. Entre os pacientes com RLS, quem recebeu medicação com agonistas de dopamina teve apenas 0,5% de incidência, enquanto os que não receberam tiveram 2,1%, sugerindo que o tratamento pode estar relacionado a um risco menor ou a um atraso no aparecimento dos sintomas. Os pesquisadores ressaltam que o achado não prova que os agonistas de dopamina previnem o Parkinson. Contudo, a análise indica que existe uma ligação entre os movimentos excessivos das pernas e a doença, que está relacionada à dopamina e a outros fatores ainda pouco compreendidos. Os resultados abrem caminho para futuras pesquisas sobre os mecanismos dessas condições. 8 imagensFechar modal.1 de 8 Parkinson é uma doença neurológica caracterizada pela degeneração progressiva dos neurônios responsáveis pela produção de dopamina KATERYNA KON/SCIENCE PHOTO LIBRARY/ Getty Images2 de 8 Esse processo degenerativo das células nervosas pode afetar diferentes partes do cérebro e, como consequência, gerar sintomas como tremores involuntários, perda da coordenação motora e rigidez muscular Elizabeth Fernandez/ Getty Images3 de 8 Outros sintomas da doença são lentidão, contração muscular, movimentos involuntários e instabilidade da postura izusek/ Getty Images4 de 8 Em casos avançados, a doença também impede a produção de acetilcolina, neurotransmissor que regula a memória, aprendizado e o sono SimpleImages/ Getty Images5 de 8 Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), apesar de a doença ser conhecida por acometer pessoas idosas, cerca de 10% a 15% dos pacientes diagnosticados têm menos de 50 anos Ilya Ginzburg / EyeEm/ Getty Images6 de 8 Não se sabe ao certo o que causa o Parkinson, mas, quando ocorre em jovens, é comum que tenha relação genética. Neste caso, os sintomas progridem mais lentamente, e há uma maior preservação cognitiva e de expectativa de vida Visoot Uthairam/ Getty Images7 de 8 JohnnyGreig/ Getty Images8 de 8 O Parkinson não tem cura, mas o tratamento pode diminuir a progressão dos sintomas e ajudar na qualidade de vida. Além de remédio, é necessário o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar. Em alguns casos, há possibilidade de cirurgia no cérebro Andriy Onufriyenko/ Getty Images O que são as pernas inquietas A RLS tinge cerca de 5% a 8% da população, sendo mais comum em mulheres, especialmente aquelas com múltiplas gestações, e em pessoas acima de 40 anos. “O desconforto melhora ao se movimentar, mas piora no repouso, sobretudo à noite, o que pode prejudicar bastante o sono e, em casos mais graves, comprometer a vida do paciente”, afirma o reumatologista Marcelo Cruz Rezende, membro da Comissão de Dor da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR). Na maioria dos casos, a queixa é tão característica que a história clínica já é suficiente para o diagnóstico. O tratamento inicial envolve identificar condições relacionadas, como deficiência de ferro, diabetes, artrite ou uso de antidepressivos, e tratá-las para aliviar os sintomas. A cirurgiã vascular Aline Lamaita, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, explica que há pacientes cujo distúrbio persiste mesmo após o tratamento das condições relacionadas. Medidas como banho quente, massagens, calor, bolsa de gelo, analgésicos, exercícios físicos e eliminação da cafeína podem ajudar. “Quando as medidas não são suficientes, a condição pode ser tratada com medicamentos que aumentam a dopamina no cérebro, drogas que afetam canais de cálcio, opióides e benzodiazepínicos”, conclui a cirurgiã. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
Bebê nasce com projétil alojado na barriga após mãe ser baleada 30 de julho de 2024 Na Rússia, um bebê nasceu com um projétil de espingarda alojado na barriga após o pai acidentalmente atirar na esposa, que estava em seu último mês de gravidez. De acordo com a com a mídia local, o pai praticava tiro ao alvo no quintal de casa com uma espingarda de… Read More
Notícias Babosa: conheça os benefícios da “planta dos mil usos” para a saúde 11 de março de 2025 Muito comum no Brasil, a babosa tem origem africana e é usada desde o Egito Antigo. O nome real da planta é aloe vera, porém, popularmente, é conhecida pelo apelido devido à sua característica gelatinosa. Por ter vários benefícios, como a melhoria da digestão, cicatrização, fortalecimento da imunidade, hidratação da… Read More
Estudo mostra que exercício remoto é eficaz para idosos com câncer 8 de junho de 2024 Um time de pesquisadores brasileiros mostrou, pela primeira vez, que a prática de exercícios físicos orientados de maneira remota é eficaz para pacientes idosos com câncer. O levantamento, feito pelo Oncoclínicas & Co, foi apresentado no Encontro Anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco), o maior congresso sobre câncer… Read More