Só 3 de 19 vacinas infantis atingem meta no Brasil. Entenda riscos Ouvir 25 de fevereiro de 2025 A cobertura vacinal infantil no Brasil cresceu nos últimos dois anos, mas ainda está abaixo do ideal. Dados do Ministério da Saúde divulgados em dezembro de 2024 mostram que apenas três das 19 vacinas do calendário infantil atingiram a meta estabelecida. Os imunizantes que alcançaram a meta foram a BCG, que protege contra a tuberculose, a vacina de reforço da poliomielite e a tríplice viral, que previne sarampo, caxumba e rubéola. A expectativa do governo é que a imunização contra sarampo, rubéola e rubéola congênita chegue a 95% ainda este ano. Queda na cobertura vacinal preocupa especialistas Desde 2016, a cobertura vacinal tem caído, aumentando o risco de surtos de doenças imunopreveníveis, alerta a imunologista Lucia Abel Awad, pesquisadora do Instituto de Ciências Biomédicas da USP. “Se a população não se vacina, doenças como sarampo e poliomielite podem voltar a circular, comprometendo a saúde coletiva”, explica. A imunização contra sarampo, poliomielite e tuberculose é essencial para reduzir a circulação de vírus e bactérias. “Quando a maioria da população está vacinada, garantimos a proteção coletiva, inclusive para aqueles que não podem se vacinar, como imunossuprimidos, pacientes em tratamento contra o câncer e gestantes”, explica a especialista. Leia também Distrito Federal Não é golpe: GDF manda mensagem para alertar sobre vacinação infantil Distrito Federal Vacinação infantil no DF contra meningite e HPV está bem abaixo da meta Saúde Opas: cobertura vacinal cai nas Américas e retorno de doenças preocupa Saúde OMS: mais da metade do mundo está em alto risco para surto de sarampo A baixa adesão preocupa, especialmente em vacinas contra difteria, tétano, coqueluche e hepatite, comprometendo a proteção geral da população. Segundo Awad, a interação entre a baixa cobertura vacinal e a adesão irregular a diferentes imunizações aumenta a vulnerabilidade a surtos, especialmente de doenças respiratórias. Impacto no atendimento pediátrico A pediatra Tatiana Mota, da Clínica Mantelli, observa que a queda na vacinação já afeta os consultórios. “Temos registrado o reaparecimento de doenças que estavam controladas. Recentemente, atendi uma criança com coqueluche, algo que não via há anos”, relata. Segundo ela, um dos principais fatores para essa baixa adesão é a desinformação. “Muitos pais são influenciados por informações incorretas e não seguem corretamente o calendário vacinal. Além disso, há uma tendência de substituir consultas regulares pelo pronto-atendimento, o que prejudica a prevenção”, pontua. Como reverter a queda na cobertura vacinal? Para melhorar os índices de imunização, especialistas destacam a importância de combater a desinformação e facilitar o acesso às vacinas. Tatiana ressalta que é fundamental divulgar informações confiáveis. “Nos consultórios e redes sociais, buscamos orientar os pais sobre a importância das vacinas”, diz. A diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Isabella Ballalai, reforça que, embora a confiança na vacinação ainda seja alta, notícias falsas e barreiras logísticas dificultam a adesão. “A hesitação vacinal tem crescido devido à desinformação. Isso não acontece só no Brasil, mas em todo o mundo”, afirma. Uma das estratégias para ampliar a cobertura é levar as vacinas para mais perto da população. “Muitos pais não conseguem sair do trabalho para vacinar os filhos. Por isso, a vacinação escolar é uma ferramenta essencial. Ela elimina barreiras logísticas e reduz a hesitação vacinal ao tornar o processo mais acessível”, destaca Ballalai. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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