Uso estético do botox não é inofensivo à saúde, diz estudo brasileiro Ouvir 10 de abril de 2025 A toxina botulínica se destaca no pódio dos procedimentos estéticos não cirúrgicos para quem deseja eliminar rugas e linhas de expressão. De acordo com o último levantamento da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (Isaps), o “botox”, como é popularmente conhecida, foi aplicado em 9,2 milhões de procedimentos no mundo em 2022. No Brasil, foram mais de 433 mil aplicações, o que representa 44,6% do total de tratamentos estéticos que não envolvem cirurgia. Mas tamanha popularidade resultou em mais casos de complicações. É o que aponta um estudo liderado por pesquisadores da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), publicado recentemente nos Anais Brasileiros de Dermatologia. Após analisar 50 pesquisas internacionais sobre o uso estético da toxina, publicadas entre 2017 e 2022, os estudiosos concluíram que o botox não pode ser classificado como minimamente invasivo. “Isso pode levar aos pacientes a falsa impressão da inexistência de efeitos colaterais, o que não é verdade”, alerta a médica Samira Yarak, professora adjunta do Departamento de Dermatologia da Unifesp e coordenadora do trabalho. Leia também Vida & Estilo Efeito botox: creme facial caseiro elimina rugas e rejuvenesce Saúde Anvisa emite alerta sobre risco de botulismo associado ao uso de botox Vida & Estilo Fazer botox no verão pede cuidados extras; dermatologista revela quais Celebridades Botox e lipo íntima: eles mudaram o corpo para estrelar no Onlyfans Para Yarak, a intensa popularização desses procedimentos aliada à dificuldade de elaborar diretrizes baseadas em evidências tornam os casos de complicações um problema de saúde pública. “A notificação compulsória e o reconhecimento das causas ajudarão na prevenção desses problemas e vão incitar o debate sobre produtos, tecnologias, técnicas e qualificação dos profissionais que atuam na área”, diz. Outros especialistas concordam. “O maior número de procedimentos realizados acarreta uma maior incidência de complicações secundárias, principalmente quando o número de profissionais sem especialização ou experiência adequada que realizam as aplicações também cresce”, observa a dermatologista Mariana Fernandes de Oliveira, do Hospital Israelita Albert Einstein. Pontos de atenção A maior parte dos efeitos colaterais do botox costuma ser leve e transitória, como hematomas, inchaço e dor no local da injeção. Mas também podem ocorrer casos de ptose palpebral, que é a queda da pálpebra superior; assimetria das sobrancelhas e alterações oculares, como visão dupla e incapacidade de fechar os olhos. Além disso, podem surgir infecções no lugar da aplicação, dor de cabeça, náusea e quadros alérgicos. Em casos mais raros, há risco de reação anafilática. As complicações podem ocorrer devido a diversos fatores, como aplicação incorreta, uso de produtos não regulamentados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), diluições inapropriadas e pouca capacitação do profissional. “Também é importante que seja feita uma avaliação individualizada do paciente, analisando suas necessidades específicas, histórico médico e expectativas”, diz a cirurgiã plástica especializada em cirurgia craniofacial Alessandra dos Santos Silva, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Ela acrescenta que os procedimentos devem ser realizados em locais com assepsia rigorosa dos instrumentos e ambiente clínico seguro. Vale ficar atento às contraindicações do tratamento – entre elas, doenças autoimunes, condições inflamatórias ativas, alergia a qualquer componente da formulação do produto, distúrbios de coagulação, doenças neuromusculares, gravidez e lactação. No Brasil, as aplicações podem ser feitas por médicos, enfermeiros, biomédicos, dentistas e farmacêuticos, e é de extrema importância verificar a formação e a especialização do profissional antes de marcar o procedimento. “É essencial que ele tenha conhecimento profundo da anatomia facial, técnicas de antissepsia, princípios farmacológicos da toxina botulínica e interações com medicamentos e doenças”, orienta Samira Yarak. Preste atenção também durante o atendimento. “Sugiro sempre procurar referências do trabalho [do profissional] e avaliar durante a consulta as propostas de abordagem do especialista, a fim de garantir resultados seguros, realistas e naturais”, complementa a médica do Einstein. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e no Canal do Whatsapp e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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