Vegetais podem reduzir risco de câncer de mama, diz estudo. Veja quais Ouvir 17 de dezembro de 2025 Brócolis, couve, couve-flor e outros vegetais crucíferos podem ter um papel importante na redução do risco do câncer de mama. É o que apontam os resultados de dois grandes estudos conduzidos por pesquisadores da Universidade de Harvard, apresentados durante o Simpósio de Câncer de Mama de San Antonio de 2025, nos Estados Unidos. A análise, publicada em 9 de dezembro, reuniu dados de aproximadamente 160 mil mulheres acompanhadas ao longo de décadas e indica que uma ingestão mais elevada de vegetais crucíferos está associada à menor incidência da doença. A relação foi ainda mais evidente em tumores considerados mais agressivos, como os negativos para receptor de estrogênio. Segundo os autores, os resultados reforçam a ideia de que escolhas alimentares podem influenciar o risco de câncer de mama ao longo da vida. Embora não exista um alimento capaz de prevenir a doença de forma isolada, o padrão alimentar parece exercer um efeito relevante na saúde das células mamárias. Leia também Saúde Casal enfrentou câncer ao mesmo tempo: ele de próstata, ela de mama Saúde Novo remédio contra o câncer de mama reduz em 30% o risco de morte Saúde IA consegue prever risco de câncer de mama com 5 anos de antecedência Saúde Desigualdade afeta tratamento de câncer de mama em mulheres negras Como o estudo foi conduzido Os pesquisadores analisaram dados de duas grandes coortes norte-americanas. O Estudo de Saúde das Enfermeiras acompanhou 76.713 mulheres entre 1984 e 2019, enquanto o Estudo de Saúde das Enfermeiras II reuniu informações de outras 92.810 participantes, monitoradas entre 1991 e 2019. Ao longo do acompanhamento, as voluntárias responderam a questionários validados sobre frequência alimentar atualizados a cada quatro anos. Esses formulários permitiram estimar o consumo médio de vegetais crucíferos ao longo do tempo, incluindo alimentos como brócolis, repolho, couve, couve-flor, couve-de-bruxelas, acelga e mostarda. Durante o longo período de acompanhamento das participantes, foram registrados 11.181 novos casos de câncer de mama invasivo. A partir desses dados, foram aplicados modelos estatísticos para avaliar a relação entre a ingestão dos vegetais e o risco de desenvolver a doença. Mulheres que consumiam mais de uma porção diária de vegetais crucíferos apresentaram um risco menor de câncer de mama em comparação com aquelas que ingeriam menos de uma porção por semana. A associação permaneceu significativa mesmo após ajustes para a qualidade geral da dieta. Onde o efeito foi mais evidente A redução do risco foi observada de forma geral, mas apareceu de maneira mais consistente em tumores negativos para receptor de estrogênio, um subtipo que costuma responder menos a terapias hormonais e tende a apresentar comportamento mais agressivo. Também houve indícios de que o efeito protetor pode variar conforme o índice de massa corporal (IMC). Entre mulheres com IMC abaixo de 25, a associação entre maior consumo de vegetais crucíferos e menor risco desses tumores foi mais forte do que entre aquelas com sobrepeso ou obesidade. Além da quantidade de vegetais consumidos, os pesquisadores analisaram a ingestão de glucosinolatos, compostos naturais presentes nesses alimentos. Participantes com maior consumo dessas substâncias apresentaram um risco menor de câncer de mama em comparação com aquelas com ingestão mais baixa. Por que esses alimentos chamam atenção Os vegetais crucíferos pertencem à família Brassicaceae e recebem esse nome por causa do formato em cruz de suas flores. Durante a digestão, eles liberam compostos bioativos que se transformam em substâncias como os isotiocianatos, estudadas pela capacidade de atuar nos mecanismos de proteção das células e de influenciar processos relacionados ao surgimento de tumores. Em estudos experimentais, esses compostos demonstraram capacidade de interferir em processos relacionados ao crescimento tumoral, como inflamação, estresse oxidativo e proliferação celular. A possível ação ajuda a explicar por que o consumo desses vegetais tem sido associado a menor risco de diferentes tipos de câncer em pesquisas observacionais. Os autores ressaltam que ainda são necessárias pesquisas para entender melhor como os metabólitos dos glucosinolatos atuam no organismo e de que maneira podem influenciar o desenvolvimento do câncer de mama. Notícias
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