Vitaminas e formas ativas Ouvir 12 de setembro de 2023 As vitaminas ingeridas podem sofrer diversas etapas para a sua utilização, passam por processos como absorção, metabolismo, distribuição aos tecidos, excreção e até mesmo por reabsorção. Dessa forma, cada vitamina tem um processo singular referente às etapas evidenciadas acima. A execução dessas etapas necessita, muitas vezes, de um arsenal de enzimas, cofatores, níveis adequados de pH, gradiente de concentração e solubilidade. Muitas vezes as vitaminas absorvidas são metabolizadas em outras formas químicas com atividade biológica [1]. Nesse sentido, existem apresentações de vitaminas prontamente disponíveis para a absorção e função no organismo, também nomeadas de vitaminas ativas, ou seja, que não necessitam da conversão de enzimas para desempenharem seu papel. A principal vantagem é quando ocorrem erros inatos do metabolismo para essas enzimas, a função biológica da vitamina não é prejudicada, uma vez que já está em sua forma de ação biológica. Além disso, não há acúmulo das formas inativas no organismo, o que pode trazer prejuízos a saúde, principalmente quando existe polimorfismo genético para as enzimas que participam da biotransformação da vitamina [2]. O ácido fólico, também conhecido como vitamina B9, é um exemplo no qual a forma L-metilfolato, forma reduzida e ativa do folato, é absorvida prontamente e tem função biológica. Na dieta, os folatos encontram-se na forma de poliglutamato. Os vegetais são as principais fontes de folato na dieta. Entretanto, o cozimento por 15 minutos pode diminuir a quantidade de folato em até 90% [3]. Após a ingestão, os folatos na dieta ou ácido fólico em suplementos ou alimentos fortificados são absorvidos, contudo, essas formas são inativas. No fígado, a porção 6-metilpterina do ácido fólico sofre duas reações catalisadas pela diidrofolato redutase (DHFR). A primeira redução gera diidrofolato que é então convertido a tetraidrofolato, principalmente nos hepatócitos. Posteriormente é metabolizado em 5,10 metilenotetrahidrofolato e, por fim, em 5 metil tetrahidrofolato (L-metilfolato) pela 5- metilenotetrahidrofolato redutase (MTHFR). O L-metilfolato representa cerca de 98% de todo o folato no soro [4]. Os polimorfismos que codificam os genes MTHFR e DHFR afetam o metabolismo do ácido fólico. Um dos polimorfismos de MTHFR que gera a variante C677T, é bem comum na Europa, com 30-40% de heterozigose e 10-15% em homozigose. No Brasil, a heterozigose ocorre em 50% da população, na qual existe a troca de aminoácidos, resultando em uma enzima termolábil. Este fato pode levar à dissociação da enzima em monômeros e a redução da sua atividade. A atividade reduzida de MTHFR diminui a produção de L-metilfolato, sendo a primeira doadora de grupos metil para a síntese de metionina, que estará prejudicada. Dessa forma, os níveis de homocisteína elevam-se no sangue, especialmente pelo suprimento escasso do folato [5]. O uso de medicamentos (metotrexato e trimetoprima) também podem interferir na conversão de ácido fólico e demais formas de folato em sua forma ativa, uma vez que diminuem a ação da diidrofolato redutase. Portanto nesses casos a administração de ácido fólico (forma inativa) é ineficiente [4]. Portanto, a biodisponibilidade de ácido fólico depende da sua conformação, o formato L-metilfolato apresenta disponibilidade de 85%, superior quando comparada às demais formas de folato e ácido fólico, o que é fundamentado por se tratar da forma ativa, não necessitando da metabolização que envolva a ação da MTHFR [3]. Em resumo, a forma ativa de folato é um exemplo de como as vitaminas ativas podem ser benéficas em muitos casos, principalmente naqueles que há interação medicamentosa e erros inatos do metabolismo, prejudicando a metabolização das vitaminas em suas formas com funções biológicas. Referências [1] Said HM. Intestinal absorption of water-soluble vitamins in health and disease. Biochemical Journal 2011;437:357–72. https://doi.org/10.1042/BJ20110326. [2] Pietrzik K, Bailey L, Shane B. Folic Acid and L-5-Methyltetrahydrofolate Comparison of Clinical Pharmacokinetics and Pharmacodynamics. n.d. [3] [6S]-5-Methyltetrahydrofolate is at least as effective as folic acid in n.d. [4] Ferrazzi E, Tiso G, Di Martino D. Folic acid versus 5- methyl tetrahydrofolate supplementation in pregnancy. European Journal of Obstetrics and Gynecology and Reproductive Biology 2020;253:312–9. https://doi.org/10.1016/j.ejogrb.2020.06.012. [5] Steluti J, Carvalho AM, Carioca AAF, Miranda A, Gattás GJF, Fisberg RM, et al. Genetic variants involved in one-carbon metabolism: Polymorphism frequencies and differences in homocysteine concentrations in the folic acid fortification era. Nutrients 2017;9. https://doi.org/10.3390/nu9060539. O post Vitaminas e formas ativas apareceu primeiro em Blog Nutrify. Nutrição
De volta à rotina: Dicas de desintoxicação pós-festas 18 de janeiro de 2024 Durante as festas de final de ano é normal exagerar na comida e bebida, e ao final delas, a maioria das pessoas correm em busca de dietas e receitas milagrosas para reduzir o inchaço ou perder peso. No entanto, de acordo com especialistas, o ideal para o pós festas é… Read More
Quer reduzir o consumo de açúcar? Veja 5 dicas práticas 29 de outubro de 2024 O Halloween se aproxima, trazendo pensamentos sobre fantasias, abóboras, decorações assustadoras e, é claro, doces. Quem não adora uma desculpa para comer barras de chocolate, balas de milho, pirulitos e outras guloseimas o dia todo? Porém, não é saudável consumir esse tipo de produto, já que quase todos estão carregados… Read More
Nutrição Entenda os efeitos antioxidantes da Coenzima Q10 no seu organismo 28 de outubro de 2025 Encontrada em praticamente todas as células, a coenzima Q10 é uma substância semelhante a uma vitamina, produzida pelo próprio corpo para gerar energia, atuar como antioxidante e contribuir para o bom funcionamento dos músculos, do cérebro e do coração. Com o passar do tempo, especialmente a partir dos 30 anos,… Read More